Sincericidio corporativo

Redação 05/06/2017
Redação 05/06/2017

Meu pai, hoje com 80 anos, construiu sua careira com suor e muito talento. Como diretor nacional de vendas de um grande laboratório, ele teve a oportunidade de fazer a gestão de várias pessoas e, dentre elas, promover para cargos de gestão. Em várias conversas que tenho com ele, eu absorvo ideias e metodologias. Em um dessas conversas, ele me contou que precisou resolver um problema junto a sua diretoria quando ainda era gerente nacional. Nessa reunião ele estava certo sobre a resolução do problema que habitava a reunião, no entanto, ele não quis confrontar seus superiores, mesmo tendo a razão. A frase que ele usou para explicar a atitude foi “é perigoso ter razão na hora errada”.

Quando ele me disse essa frase, imediatamente soou um alarme na minha cabeça: “como assim é perigoso? Afinal, você tem razão e tem a solução do problema, ou seja, você está imune. Qual tipo de argumento alguém poderia fazer para desbancar se você realmente tiver razão?”.  No entanto, o que eu não havia compreendido é que o problema não está em ter razão, mas no momento e na forma de expressá-la.

Seguindo nessa reflexão, recentemente tive uma reunião com um grande cliente a fim de otimizar a comunicação interna da empresa. Na conversa, sabiamente o gestor de TI disse que o preocupava oferecer uma solução aos seus colabores que oferecesse voz ativa dentro da companhia. Logo pensei, “Uau, como assim? Você não quer que seus colaboradores sejam ouvidos?”. Claro que ele quer, no entanto, muitos dos colaboradores não possuem maturidade para uma ferramenta com esse poder. Quando você conquista o direito de ser ouvido, automaticamente você precisa desenvolver um senso de responsabilidade. O que você diz e realiza tem impacto direto e indireto na sua vida e em sua volta. Entre a distância do que você pensa e fala é necessário um pedágio chamado discernimento.

É preciso questionar se a forma com que você vai falar ofenderá alguém, verificar se o momento é o mais adequado e se as pessoas são realmente responsáveis por ouvir o que você tem a dizer. Se você não conseguir entender ou perceber algum desses itens, lembre-se do pedágio, contenha-se. Dessa mesma forma, a ferramenta que você utiliza para se comunicar também tem impacto, seja positivo ou/e negativo. Segundo o Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal, o significado do que falamos representa apenas 7% da nossa capacidade de se expressar. 38% da capacidade de dizer o que realmente queremos está no tom de voz que usamos e 55% na expressão facial ou do nosso corpo. Ou seja, significa que, sempre que você enviar um e-mail para falar de algum assunto sério ou postar alguma informação na sua rede social, você está utilizando apenas 7% do seu potencial comunicativo. A chance de as pessoas interpretarem a sua informação de diversas maneiras é muito alta.

Grandes corporações estão criando ambientes de conflito, justamente para não permitir que a cultura seja do “é melhor não ouvirmos isso”, afinal isso traz uma falsa sensação de que está tudo bem, quando não está. É comum encontrarmos colaboradores que convivem em ambientes de trabalho que poderiam melhorar com um simples ato, no entanto, não existe canal por onde esse colaborador possa se expressar para ajudar na melhora. Então, esse funcionário vira um “herói de corredor”, aquele que no elevador ou na sala do café é considerado o grande potencial de agente de mudança. Ele tem a opinião e solução para tudo e em sua grande maioria, discorda da diretoria e dos seus líderes.

Tornando influenciador, centro das atenções em reuniões informais, happy hours e em corredores pela empresa. E torna-se um influenciador negativo, jogando contra a empresa, pelo motivo de não estar em um ambiente de discussão produtiva. Com esse propósito, uma rede social corporativa (leia-se empresarial) agiliza e incentiva a troca de informações sobre sugestão de melhorias, críticas ou/e feedbacks. Uma ferramenta muito interessante para isso é o Meetings do IBM, que permite realizar reuniões virtuais quando queremos conversar com o cliente de forma remota ou quando estamos offsite da empresa. É produtivo, pois conseguimos ter mobilidade, além de trocar informações de maneira rápida e digital, ouvir e ver tudo o que a outra pessoa tem a dizer e compartilhar. E vice-versa.

Outros recursos como blog de ideias e fóruns também têm sua grande importância para controlar conflitos. Fomentar discussões sadias, direcionar responsáveis por críticas ou sugestões são maneiras de comedir conflitos. Como exemplo do meu pai, temos que ser líderes e ter discernimento para conduzir informações de maneira responsável. Isso se aplica em qualquer área e em qualquer lugar. Não se esqueça, você é o líder de você mesmo.

Raul Cesar é Sales Specialist da startup curitibana Winov (www.winov.com.br)

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