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Franquias, nem sempre um bom negócio

Marcelo Teixeira Cossalter

Consideradas por muitos a forma mais segura de ter o próprio negócio, as franquias seguem em ritmo de crescimento. Em 2008, mesmo com os efeitos da crise econômica mundial, o segmento avançou 19,4%, superando as previsões de 17%. O setor faturou R$ 55 bilhões em 2008, conforme dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
 
O número de empresas de franchising no país aumentou 15,2%, bem como o número de unidades franqueadas, que passou de 65,5 mil em 2007 para 71,9 mil no ano passado, 9,8% a mais. A geração de empregos também é um ponto forte do setor. Somente em 2008, foram gerados 54 mil novos postos de trabalho, totalizando 648 mil empregos diretos.
 
Tal crescimento deve-se, sobretudo, ao senso empreendedor do brasileiro, mas devemos levar em conta a estabilidade econômica, juros em queda e inflação sob controle. Este cenário afasta o capital especulativo e favorece os investimentos mais produtivos e a geração de empregos, ou seja, as pequenas e médias empresas.
 
Muitos investidores acreditam que, com um modelo já testado, o investimento, embora muitas vezes maior, quase sempre proporciona retorno. Na prática não é bem assim. Como qualquer outro empreendimento, uma franquia requer alguns cuidados e muito planejamento. E o primeiro problema a ser enfrentado pode ser o excesso de otimismo.
 
Muitas vezes, quem resolve abrir uma franquia aposta em um retorno rápido do investimento, o que de fato não ocorre na velocidade esperada. Este otimismo é comum e está ligado ao fato das pessoas procurarem franquias de marcas já conhecidas e consolidadas no mercado. Decisão que realmente facilita o sucesso, contudo não garante. Como qualquer negócio, é preciso elaborar um business plan, no qual deve ser identificado o tempo para retorno e valor do investimento, além de como serão obtidos os recursos e qual a necessidade de capital de giro.
 
Ainda conforme os dados da ABF, os setores que mais se destacaram em 2008 foram os de acessórios pessoais e calçados, que faturou 44,8% mais do que em 2007. O setor de negócios, serviços e outros varejos cresceu 21,1%, informática e eletrônicos, 5,6% e hotelaria e turismo, 11,6%. Mas, não adianta apenas olhar para o mercado, outra característica essencial a considerar é o perfil do investidor e se fazer algumas perguntas.
 
Você tem aptidão para o tipo do negócio escolhido? Qual é o seu perfil? Está no ramo que gostaria? Perguntas simples e de caráter não técnico podem definir a abertura ou não de determinada franquia. Não adianta investir em algo que pareça vantajoso em um primeiro momento, mas que depois pode se tornar penoso. Não basta ser empreendedor, é necessário gerir o negócio com muita dedicação e paixão.
 
Há também alguns aspectos técnicos que devem ser relevados pelo investidor. Antes de abrir a franquia, ele deve buscar resposta para as seguintes perguntas: Este negócio é auto-sustentável ou replicável? Em quais tipos de mercado vou atuar? Qual o tamanho desse mercado? O negócio depende do meu expertise ou de outras pessoas para funcionar? São necessárias condições específicas para que o negócio prospere ou tais condições estão presentes no mercado?
 
Respondidas as perguntas, é preciso verificar como está o posicionamento da marca no mercado, qual o suporte e ferramentas a rede vai prover. Para tal é preciso coletar informações financeiras em relação à marca ou franqueadora, buscando identificar a estrutura necessária de equipe e infra-estrutura.
 
Caso após a identificação de todos os itens, se conclua que o negócio é bom para o investidor, começa o tramite jurídico e documental, que também requer paciência. Para abertura de uma franquia, a franqueadora deve apresentar o COF (Contrato de Oferta de Franquia) no qual deve conter de forma detalhada as obrigações da franquia e da franqueadora, como o pagamento de royalties, ferramentas e suporte oferecido, modelo de prestação de contas, verbas de marketing entre outros.
 
Após aprovação do COF, é elaborado um contrato definitivo e, só após o tramite jurídico, é que as operações podem ser iniciadas. O mais importante é saber que o investimento em franquias não difere muito do investimento em um outro negócio. Riscos e possibilidades andam juntos.


Marcelo Teixeira Cossalter é diretor da área de gestão e de Risk Management da Crowe Horwath RCS


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