Entusiasmo: como está o seu?

Marcelo Ponzoni 20/09/2012
Marcelo Ponzoni 20/09/2012

Por mais exaustivo que pareça, há temas e palavras que exigem diferentes abordagens. Bato nesta tecla porque um mesmo termo pode ter diversas interpretações possíveis e não há como agregar esses significados de uma vez, de forma automática. Dessa forma, creio ser importante retomar o assunto “entusiasmo”, que, de tempos em tempos, precisa reingressar na pauta de estudos e reflexões dos empreendedores.

Olhe à sua volta. Quantas pessoas você considera realmente entusiasmadas? Com certeza, esse estado de espírito não é permanente nas pessoas. Mas é notório que alguns o vivem de maneira mais intensa. E isso é fundamental para o sucesso em qualquer empreitada.

Vamos a uma curtíssima aula de etimologia, ou seja, da origem e significado da palavra. “Entusiasmo” tem origem no grego (em + theos). Literalmente, quer dizer “em Deus”. Originalmente, portanto, tem a ver com inspiração divina, com euforia, com alegria e, consequentemente, com coragem. Quem se sente conectado com as forças superiores do universo encara com mais confi ança os desafios.

O entusiasmado contagia positivamente. Ele vê o lado bom das coisas. Está constantemente sintonizado nas oportunidades. Tem convicção e atitude. Uma pessoa muito motivada ganha logo uma espécie de aura luminosa, gerada por um Big Bang interno, uma explosão criativa e transformadora.

Sabendo do conceito, coloque a memória para funcionar. Entre as pessoas que você conhece quem são aquelas que exibem esses predicados? É ou não é agradável estar ao lado delas? Esses indivíduos, normalmente, são ótimos companheiros quando você precisa de estímulo e motivação. Essa troca de energias ocorre quando encontramos frequências semelhantes, ou seja, quando outras pessoas também estão empenhadas em defender causas e atingir objetivos.

O entusiasmo, porém, não é estabelecido por decreto ou construído mediante um plano estratégico. Ninguém diz: “Amanhã acordarei entusiasmado e vou mudar o mundo”. Trata-se de uma condição complexa do “ser”, gerada pelo cruzamento ebulitivo de uma série de fatores, objetivos e subjetivos.

Analisando-se a biografia de figuras históricas, de imperadores romanos a grandes inventores, de filantropos e estadistas, notamos que o entusiasmo tem origem em percepções afloradas, sentidos aguçados e fortes propósitos. Os entusiasmados estão sempre preparados, alertas, com os radares ligados, conectados a tudo e a todos. Uma coisa leva a outra, e não existe desconexão entre as atividades. Cada movimento gera mais conhecimento e mais ação transformadora.

É assim que essas pessoas especiais se capacitam para detectar as oportunidades. Veja bem, amigo leitor: a oportunidade pode ser azeda como limão. Mas o otimista realizador vê ali a matéria-prima para produzir sua deliciosa limonada.

Neste artigo quero ser didático. Por isso repito: as conexões figuram entre os principais pilares do entusiasmo. Se você não está “ligado”, como dizem os mais jovens, a estrutura do entusiasmo tende a ruir. Cabe lembrar que o entusiasmo não é permanente. Ele pode passar longos períodos em sono profundo, hibernando, mesmo nas mentes e corações mais prolíficos.

Fique atento: há cinco meios de se desligar a usina interna do entusiasmo (e de caminhar mais rapidamente para o fracasso):

1. Não acredite. Não acredite que coisas novas possam acontecer. Aí você se desconecta da “força superior” e paralisa.
2. Espere pela sorte ou por acontecimentos instantâneos. Fie-se na ideia de que eventos mágicos ocorrerão sem a sua intervenção.
3. Desista dos empreendimentos baseados em processos, em avanços graduais. Recuse desafios de longo prazo.
4. Interrompa suas conexões. Acredite que já sabe tudo e que não precisa da opinião, do conhecimento e do carinho das pessoas.
5. Cultive a decepção. Relembre sempre cada fracasso. Lamurie-se. Procure a compaixão dos semelhantes.

Está certo… Nem sempre é fácil. O destino nos prega peças de vez em quando. Respeito, portanto, a reação de desapontamento a um malogro. Também tenho minhas frustrações. Também tenho defeitos, que diariamente luto para corrigir. No entanto, não deixo de procurar seguir e admirar o exemplo dos entusiasmados. Essas pessoas estão em todas as áreas. É o mutilado que escreve um livro segurando um lápis com os dentes. É o flagelado da seca que constrói um sistema de irrigação, cava poços artesianos e salva sua cidade. É o garoto do bairro que monta uma rede de restaurantes e gera mil empregos.

Esses humanos especiais cativam, levantam os ânimos, surpreendem os descrentes, encorajam os medrosos, motivam equipes, transformam semblantes, provocam atitudes, convencem os indecisos e movem montanhas. Eles revolucionam o clima, geram terawatts de confiança e reanimam pessoas, comunidades e até países inteiros. Você se lembra do caso dos 33 mineiros que ficaram presos a 622 metros da superfície, no Chile? Eles poderiam ter morrido se não tivessem no grupo um entusiasmado inveterado, o topógrafo Luis Urzúa Iribarren, um contramestre de 54 anos que se tornou líder do grupo. Logo ele percebeu que as pessoas precisavam se sentir vivas e úteis, e assim distribuiu tarefas para os colegas. Segundo os especialistas, foi essa atitude que gerou confiança nos trabalhadores e permitiu que alimentassem a esperança naqueles dias de escuridão.

Procure, pois, identificar pessoas iluminadas como Iribarren. Entenda seus motivos e analise suas estratégias. A partir desse aprendizado procure expressar-se de maneira positiva. Não tenha vergonha de abraçar o entusiasmo. Numa analogia futebolística, acredite em todas as bolas lançadas na área. Em algum momento você vai acertar o cabeceio. E isso vai motivar toda sua equipe.

Escrever este texto já me entusiasmou. Paro por aqui porque vou ali compartilhá-lo com meus companheiros de trabalho. Cabe agora, a você, juntar os ingredientes para produzir seu próprio elixir de entusiasmo. Ele é o santo e eficaz remédio para os males do tempo presente.

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