Bio-inovação: celeiro de novos negócios criativos e sustentáveis

Por Acari Amorim 24/11/2016
Por Acari Amorim 24/11/2016

A bio-inovação, que pode ser classificada como um dos panos de fundo da nova e atual economia criativa, vai passar por toda agricultura, arquitetura, engenharia e praticamente por toda a cadeia industrial com o surgimento de novas empresas, produtos e empregos. E o melhor: com enorme economia de recursos naturais e dinheiro, além de garantir a sustentabilidade do meio ambiente, o que vai gerar melhores condições de vida no Brasil e no mundo todo.

Para ilustrar o que pode ser essa nova realidade econômica e social, cito três exemplos de novos produtos lançados por diferentes empresas com base na bio-inovação.

1.Um implante ocular, através de uma bio-retina, produzida pela empresa Nano Retina, de Israel, já é capaz de devolver, de imediato, a visão para pessoas cegas. A Nano Retina está direcionando essa sua inovação, que poderá beneficiar milhares de pessoas no mundo todo, para atender quem tem uma degeneração ocular, relacionada com a velhice, glaucomas e cataratas.

2.A bio-bateria, abastecida com papéis velhos, é a mais recente inovação da poderosa Sony, empresa do Japão. A reutilização de papéis, jornais e revistas é uma solução inteligente para estes e outros exemplos de desperdícios. A bio-bateria da Sony utiliza a enzima celulase, que transforma a celulose do interior do papel em açúcar (glicose), utilizada para gerar energia, fazer funcionar a bateria.

3.O último exemplo é curioso. A empresa One Moment, da Espanha, criou uma coleção de sapatos que são 100% biodegradáveis. Por apenas 10 euros já é possível levar para casa sapatos nas cores verde, rosa, azul, preto e branco. Eles são feitos com um plástico macio de base vegetal. A sola é antiderrapante e resiste fortes chuvas, além de ser fácil de limpar, precisando apenas de água e sabão. E esse material sustentável possibilita aos usuários transformar seus calçados em adubo, ao invés de jogá-los simplesmente no lixo. O produto pode ser picado, colocado numa caixa de compostos e, em seis meses, não haverá mais vestígio do antigo sapato, que poderá ir para a floreira da janela da casa.

Sem dúvida, a bio-inovação abre um leque enorme de possibilidades de criação de empresas, produtos e novos empregos, que vai do singelo perfume até a indústria da construção civil e dos automóveis. Tudo pode começar em novos e eficientes métodos de plantio, colheita e logística para tirar alimentos do campo e levar até a mesa do consumidor. Hoje, pelas previsões e estudos mais otimistas, a perda de alimentos neste trajeto do campo à mesa é de 30%.

Depois do plantio e da colheita, é preciso também transformar e valorizar os resíduos, não apenas aumentar os lixões. Os bagaços, as cascas, as sementes podem e devem ser transformados em diferentes produtos.

É inimaginável o que a bio-inovação será capaz de gerar de energia renovável, a exemplo do biogás e do biodisel. Nessa área, com certeza, o Brasil será líder mundial.

É também inimaginável a bio-inovação na extração e produção de remédios e cosméticos.  Só na parte de higiene e beleza estão três empresas (Avon, Natura e O Boticário) que mais crescem hoje no Brasil, utilizando a matéria-prima gerada pela natureza.

Não faz três anos, foi realizado pela primeira vez no Brasil, em São Paulo, um seminário internacional com o tema “A bio-Inovação” e teve a participação de empresários e técnicos do Brasil e da Alemanha.  Promovido pela CNPEM (Centro Brasileiro de Pesquisas em Energia e Materiais), o seminário discutiu a produção, processamento e transformação da biomassa, além de fazer uma avaliação sócioeconômica dessas atividades no Brasil e na Alemanha.

Apesar de novo, o tema bio-inovação não tem fronteiras. Já no nosso DNA de nascimento está a bio-inovação, o amor e o respeito pela natureza. No fundo queremos e devemos exigir, principalmente só comprar, produtos simples de utilizar, funcionais, econômicos, duráveis, recicláveis, reciclados e reutilizáveis.  Isso não pode ser apenas um sonho. Cada um de nós pode ser um bio-inovador, em favor da economia criativa, de um mundo melhor para trabalhar, gerar e manter novos negócios e viver bem.

Autor

  • Acari Amorim

    Acari Amorim é fundador e diretor-editor da Editora Empreendedor que completou 20 anos de atividades e é responsável por uma série de publicações de circulação nacional com foco no empreendedorismo, novas oportunidades de negócios e gestão. A Editora é também a responsável pelo portal www.empreendedor.com.br. Catarinense, de Blumenau, foi repórter especial , chefe de reportagem e editor na RBS (em Porto Alegre e Florianópolis) , revista Veja (em São Paulo e no Rio de Janeiro) e no Jornal O Globo ( no Rio de Janeiro).

Comentar

Os itens com asterisco (*) são obrigatórios. Seu e-mail não será publicado.