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A construção do seu campo de sonhos

Por Marcelo Ponzoni 16/08/2012
Por Marcelo Ponzoni 16/08/2012

Há filmes que agradam ao público e alcançam enorme sucesso de bilheteria. Ainda assim, não passam de diversão efêmera. No dia seguinte, já não lembramos bem da trama. Há outros, no entanto, que discretamente nos oferecem valiosas lições de vida e ficam para sempre na memória.

Campo dos sonhos figura na minha lista dessas obras cinematográficas especiais, capazes de entreter, emocionar e ensinar. Dirigido e adaptado por Phil Alden Robinson, com base no romance Shoeless Joe, de W. P. Kinsella, é estrelado por Kevin Costner. O filme foi lançado em 1989, um ano após a abertura de minha empresa, e encontrei ali uma poderosa mensagem de estímulo à atividade empreendedora.

A história gira em torno de um fazendeiro de Iowa (EUA), Ray Kinsella, que tem uma vida simples ao lado de mulher e da filha. Um dia, ele ouve a misteriosa frase: “Se você construir, ele virá”. Intrigado, procura saber do que se trata, até que compreende sua missão: construir um campo de beisebol.

Caso tenha sucesso na empreitada, receberá ali “Shoeless” Joe Jackson (Ray Liotta), um jogador morto em 1951, banido do esporte em 1920, acusado de receber suborno para entregar o campeonato. O atleta era ídolo de seu pai.

Ray resolve realizar a tarefa, mas enfrenta grandes dificuldades financeiras e corre o risco de perder a propriedade. Confesso que várias vezes me vi em situação semelhante. Tinha um sonho e acreditava que algo positivo aconteceria se eu cumprisse uma determinada missão, inclusive quando o desafio era aumentar o espaço físico da agência.

Hoje, sei que esse sopro de inspiração é percebido por muitos empreendedores. Eles sabem que precisam construir “X” ou montar “Y”, mas não têm uma ideia fechada e completa do que essa conquista vai lhes propiciar.

Dizem que foi o que ocorreu com Gustave Eiffel, com Santos Dumont, com Martin Luther King, JR e com o empresário mexicano Carlos Slim Helú, homem mais rico do mundo. Eiffel ganhou reconhecimento e milhões de viajantes de todo o mundo decidiram visitar sua magnífica torre em Paris. Dumont, com sua invenção revolucionária, permitiu que as pessoas pudessem encurtar distâncias e conhecer os recantos mais remotos do planeta.

Luther King, cujo mais famoso discurso é “I have a dream”, construiu uma ponte para o entendimento e a cooperação entre os homens. E muitos trilharam esse caminho, deixando para trás o ódio e o preconceito. Slim, que instalou sua primeira lojinha debaixo da escada da casa da família, tornou-se o “Midas”. É elogiado por transformar companhias decadentes em empreendimentos dinâmicos e saudáveis.

Há quem diga que os grandes empreendedores são um pouco loucos, perturbados e irremediavelmente esquizofrênicos. Ouvem vozes e veem imagens que ninguém mais vê. Talvez tenham apenas uma sensibilidade apurada para perceber tendências e compreender de que forma as coisas se transformam com o passar do tempo. O empreendedor tem, portanto, um talento especial para imaginar estratégias capazes de moldar o futuro.

Quando ouvimos falar das proezas de um empreendedor como Richard Branson, do Grupo Virgin, nos perguntamos: como ele foi capaz de enxergar tudo isso? De estudante problema, ele se converteu num dos maiores inovadores corporativos do nosso tempo, com negócios que vão da música até o segmento nascente de viagens aeroespaciais. Incansável, comanda projetos educacionais para o empreendedorismo em diversos países em desenvolvimento e ainda encontra tempo para quebrar recordes em balões e barcos.

O empreendedor, portanto, enxerga, imagina e, de maneira convicta, constrói alguma coisa que vai fazer melhor sua própria vida e também das outras pessoas. Ele refina e sofistica o tempo que virá. Com certeza, ele enfrentará dificuldades para realizar sua tarefa. Vai arranhar-se, contundir-se, ouvir insultos e sofrer com a sabotagem de inimigos declarados ou ocultos. Vai chorar, sim.

No entanto, como o empreendedor carrega um pouco de saudável insanidade, vai perseverar. Vai levantar-se, livrar-se da poeira e tentar dar a volta por cima. Não vou contar em detalhes o que ocorre ao personagem de Kevin Costner. Assista ao filme. Mas adianto que seu campo dos sonhos acaba finalmente acolhendo um bom jogo. Se você vê, escuta e toca o que é invisível, inaudível e impalpável, e se acredita que o trabalho inovador abre caminho para a construção de um mundo melhor, junte-se a nós. Você é um empreendedor!

Autor

  • Marcelo Ponzoni

    Publicitário e diretor-executivo da agência Rae,MP, que atua há 26 anos no mercado. Autor do livro "Eu só queria uma mesa", da Editora Saraiva. (11) 5070-1294 - marcelo@raemp.com.br - www.raemp.com.br

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