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Tempo versus tempo

Por Marcelo Ponzoni 08/07/2013
Por Marcelo Ponzoni 08/07/2013

Parar de vez em quando para pensar que o seu tempo em equipe pode não ser o tempo do outro, deve ser uma tarefa realmente árdua! Porque calcular o tempo, até onde entendi, é tarefa para físico, não para seres comuns. Esta pode ser uma das explicações para o baixo entendimento desse enigma.

Desde cedo percebi que, quanto mais rápido decidisse algo, maior velocidade eu teria na corrida pelo aproveitamento do tempo, e, quanto antes pedisse algo para alguém me ajudar, mais tempo eu estaria dando para aquela pessoa desenvolver o trabalho para mim.

Este pensamento de que tudo poderia ser resolvido “rapidinho” me levou a algumas falhas graves, atropelos, decisões precipitadas, desesperos desnecessários, afobação, ansiedade e diversos outros defeitos que assumo ter. Por outro lado, criei em minha vida dinâmicas aceleradas que trouxeram, ao longo do tempo, alguns bons resultados.

Por muitos anos, por mais que eu corresse, os resultados não pareciam suficientes. Eu precisava de 30 horas por dia. Minha ânsia para que tudo ocorresse em tempo recorde me fez sofrer com duas úlceras no duodeno aos 24 anos. Na época era muito difícil alguém conseguir fazer com que me acalmasse. Estava sempre ligado no 220 V. Somente os anos, o amadurecimento e muita autocrítica me fizeram diminuir um pouco a ansiedade. Pouco, porque a velocidade ainda faz parte da minha vida!

Hoje faço um constante exercício: procuro separar pressa versus prioridades, correria versus responsabilidade, decisão versus precipitação. Procurei com o tempo interpretar com maior percepção os momentos em que é necessário correr e os momentos em que realmente é necessário tempo para pensar. Acho que, intuitivamente, aprendi física, pois nos negócios necessariamente precisamos trabalhar em equipe e, muitas vezes, o tempo que se demora para passar um trabalho, discuti-lo, é exatamente o mesmo tempo que se tem para fazer o trabalho.

Gosto de fazer analogia com carros e futebol. No carro as marchas são trocadas no momento da subida de giro. Quem as troca com mais eficácia acaba ganhando, seja na velocidade, seja na economia. No futebol, é preciso que o meio-campo coloque a bola imediatamente aos pés do centroavante quando ele sai correndo… Ela deve estar no ponto certo para o chute, a sincronia entre os dois deve ser perfeita para o bom rendimento da partida…

Nas empresas as coisas não são assim tão visíveis nem tão sentidas. Quando a bola para, muitas vezes ninguém percebe. O motor já está quase explodindo e o motorista nem se preocupa em trocar a marcha.

Hoje, mais do que nunca, precisamos estar ligados, atentos, perceptivos aos movimentos. Somos elos em diversos processos, e a capacidade de decisão e a velocidade de cada um interferem totalmente no resultado final.

Quando se trabalha em equipe é necessário que todos estejam em perfeita sincronia: cada pessoa deve estar totalmente atenta ao tempo do jogo ou ao ruído do motor, se for o caso. Muitas vezes criticamos os pernas de pau e os braços duros sem antes avaliarmos como estamos diante dos movimentos conjuntos.

É importante não correr muito, para que os outros possam ter fôlego para ir no mesmo ritmo, mas também não se deve demorar muito, a ponto de emperrar a fila.

Tempo é tudo. Ou nada. Depende de quanto e como é utilizado.

Autor

  • Marcelo Ponzoni

    Publicitário e diretor-executivo da agência Rae,MP, que atua há 26 anos no mercado. Autor do livro "Eu só queria uma mesa", da Editora Saraiva. (11) 5070-1294 - marcelo@raemp.com.br - www.raemp.com.br

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