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Júlio, Guilherme, Bruno e Alvim Ferreiras

Experiência em vendas impulsionou pequeno negócio de ração para pássaros, que virou a Nutrifer, unidade industrial com 400 clientes

Raquel Rezande 31/10/2016
Raquel Rezande 31/10/2016

Unindo a experiência em vendas de um emprego anterior, a necessidade de fazer dinheiro e uma pequena sala de 30m², o empreendedor Júlio Ferreira começou um negócio de revenda de ração para pássaros para pequenos comércios varejistas.

Hoje, depois de 22 anos, a Nutrifer, indústria de alimento para pássaros e produtos pet, sediada em Palhoça (SC), emprega 20 funcionários e atende cerca de 400 clientes. Mas quantas transformações precisaram acontecer para que essa microempresa se tornasse essa próspera indústria que é hoje?

Para explicar essa trajetória de sucesso, o fundador da Nutrifer, Júlio Ferreira, destaca alguns pontos essenciais, entre eles, buscar sempre entregar qualidade e preço justo, observar a demanda e oferecer o que os clientes querem e adaptar-se as novas tendências e inovações.

Falando em inovação, a Nutrifer foi ficando cada vez melhor ao longo dos anos, porque contou com a ajuda dos três filhos de Júlio: Alvim, Bruno e Guilherme, que hoje integram os principais pilares de gestão da empresa.

E para que os filhos pudessem ter liberdade para gerir a Nutrifer de forma inovadora e, assim, trazer mais conquistas para o negócio, o fundador Júlio Ferreira diz que segue um importante lema: “Os filhos sempre devem ser melhores que os pais”. Acreditando nisso e colocando em prática, Ferreira deixa nas mãos dos filhos importantes decisões e confia neles a ponto de sair para viajar por três meses sem preocupações, dando excelente exemplo de administração empresarial familiar.   entrevista_interna

Confira a entrevista abaixo para saber mais sobre a trajetória de empreendedorismo de Júlio e seus filhos:

Durante a história da Nutrifer, qual foi o período de maior dificuldade vivido?

Júlio Ferreira – Definitivamente foi o início. Os primeiros dois anos foram complicados, porque eu tinha dificuldade em oferecer os produtos a preços competitivos aos clientes e consequentemente tinha baixa rentabilidade. Mas tive que ser persistente e seguir assim até a situação melhorar.

Quando e como a empresa começou a melhorar e o senhor pôde sair desse ciclo de dificuldade do início?

Por incrível que pareça, a luz veio das dificuldades vividas, pois estes dois anos de adversidades permitiram que a partir da identificação das expectativas dos clientes eu conseguisse redefinir a fatia do mercado a ser atingida e a linha de produtos a ser oferecida pela empresa. A área de atuação limitou-se a oferecer produtos na linha de alimentos para pássaros às agropecuárias localizadas na grande Florianópolis.

Dessa maneira, eu consegui atender aos consumidores finais desses produtos que são criadores de pássaros e tratadores de pássaros livres que prezam muito pela saúde e bem-estar de seus pássaros, sendo muito exigentes na qualidade dos produtos. Concluindo: nesses dois anos difíceis, eu consegui observar o mercado e saber o que meus futuros clientes mais prezavam, que era ração de alta qualidade, e assim ofereci isso a eles, conseguindo sair do ciclo de dificuldade.

Quais foram os próximos passos, depois de descobrir o seu nicho de mercado e o que seu público queria?

O próximo passo foi focar em melhorar cada vez mais o processo. No começo, para atender aos clientes, eu fazia quase tudo sozinho, até misturar as rações, era eu mesmo quem fazia com a força física dos braços.

Mais adiante, para me ajudar nesta etapa, eu comprei uma betoneira. Ainda era rudimentar, mas foi um grande avanço, pois atendia a minha necessidade da época. Depois de a empresa completar aproximadamente quatro anos, tornou-se necessário contratar um funcionário para auxiliar na produção, empacotamento das misturas e entrega das mercadorias. Até aí, eu fazia tudo: comprava, vendia, montava os pedidos, entregava, fazia o controle financeiro.

Quando e como seus filhos entraram no negócio?  À medida que eles iam crescendo, eu os levava comigo para a empresa. Eles ainda eram crianças, adolescentes, com 11 ou 12 anos. Então, eles faziam um revezamento, como um plantão, cada dia um deles ficava de uma a duas horas comigo na empresa me ajudando em algo que eu precisava.

Às vezes, entregavam a ração ao cliente, outras vezes preparavam a ração, outras ainda empacotavam e saiam para vender comigo. Enfim, todos eles passaram por todos os processos da fábrica. E, assim, eles foram naturalmente se envolvendo com o negócio e participando do desenvolvimento dele.

Qual foi a maior contribuição que eles trouxeram para o alto desempenho da Nutrifer? Todos eles estudaram e se formaram em Administração de Empresas e constantemente traziam ideias e inovações para o negócio, principalmente através de tecnologias. A Nutrifer entrou fortemente no mercado pet e tivemos várias ferramentas tecnológicas incorporadas nos processos de gestão por sugestões trazidas por eles.

Importamos alguns produtos e itens da China para implantar no mercado pet daqui. E tudo isso só foi possível por causa do trabalho deles na empresa. Então, meu filho mais velho, Alvim, é responsável pela área de vendas e gestão de importação.

Guilherme, que é o filho do meio, responde pelo setor financeiro; e Bruno, que é o mais novo, comanda o setor de compras.   p.s: Durante a entrevista, o filho mais velho, Alvim, comentou que quando as vendas caem, eles logo têm a solução: chamar o pai, Ferreira, para ir à rua vender. Alvim diz que é garantido, é só ele sair para vender que dá certo. De fato, a história de Ferreira tem uma ligação profunda com vendas e pássaros, pois o pai dele era criador de pássaros e também comercializava ração.

Depois de vários anos trabalhando com seus filhos, qual a maior lição de administração de empresa em família que você aprendeu e gostaria de transmitir?

A maior lição é aprender a delegar, pois meu pensamento sempre foi: eles vão fazer melhor do que eu fiz. Claro que tenho a consciência que eles começaram a participar da empresa quando ela já estava pronta e funcionando, mas por causa da contribuição deles, a empresa evolui em vários aspectos que já comentei. Então, é muito importante que o fundador de uma empresa, um negócio, um projeto, não fique apegado a sua posição.

Ele tem que saber que tem seu papel definido e que deve dar poder para seus pares para que todos cresçam junto. Essa delegação de poderes tem sido responsável pelo avanço e modernização das empresas..

 

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