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As dificuldades do mercado de patrocínio

Por Rodrigo Geammal 21/09/2012
Por Rodrigo Geammal 21/09/2012

Ultimamente tenho acompanhado um aumento significativo de pessoas que procuram as agências e anunciantes em busca de patrocínios. Com a chegada dos grandes eventos esportivos no Brasil, os gerentes e diretores de marketing das multinacionais, assim como também os profissionais de atendimento das agências, começam a cansar de atender telefonemas de pessoas interessadas em apresentar ideias que precisam de apoio dos anunciantes.

Analisando este cenário, acredito que existe a necessidade de uma nova organização para atuar neste segmento. Atualmente há muita desorganização, o que ocasiona a falta de interesse de executivos visionários, com poder de decisão, para atender pessoas sérias desse mercado. Apesar das empresas montarem departamentos especializados para avaliar projetos, existem, sim, maneiras para organizar este segmento.

Uma das ideias que proponho para a Ampro é criar um selo de qualidade para os captadores de patrocínio que inicialmente deveriam realizar uma prova para serem reconhecidos. Com o aval da principal entidade do mercado promocional do País, a Ampro, os captadores de patrocínio seriam segmentados em três categorias: diamante, ouro e prata, conforme o seu histórico e perfil de entrega ao longo dos anos. Outro ponto importante nesta nova ideologia de organização é a definição da especialização do captador, que pode ser reconhecido como especialista em esporte, sustentabilidade, cultura, social e em outros núcleos.

Com iniciativa e pequena mudança no processo seria possível ajudar tanto os anunciantes como as agências a entenderem melhor este segmento. Outros benefícios impactados pela implementação do selo de qualidade seriam a redução de profissionais ‘aventureiros’ neste mercado e o aumento de qualidade e segurança para quem adquire o patrocínio. Essa é uma ideia para ser colocada em pauta com os principais profissionais do mercado para estudar a sua viabilidade.

Quero compartilhar esta sugestão com os leitores da coluna Megafone e levanto esta bandeira, porque acompanho assiduamente o mercado de patrocínio, que tem sofrido muito tanto por falta de interesse dos anunciantes como também pelo aumento exagerado de projetos disponíveis de baixa qualidade. Todo profissional que trabalhou neste segmento já recebeu uma linda carta do anunciante agradecendo pelo envio do projeto e avisando que a verba já estava comprometida. Sou favorável a esta prática de relacionamento e cordialidade – afinal, é justo receber um retorno sobre a proposta enviada.

Mas nem tudo está perdido! Um ponto positivo que percebo são as leis de incentivo. Entretanto, poucos profissionais conhecem – em detalhe – todo o ciclo, desde a fase de elaboração do projeto até a entrega dos resultados. Ao longo dos anos alguns seminários são realizados e abordam o tema superficialmente. É importante a atuação de especialistas neste setor, mas que tenham base e alto conhecimento para seguir carreira em agências, anunciantes ou mesmo como elaboradores de projetos.

Com o aumento da qualidade de profissionais, o mercado brasileiro terá um crescimento significativo no ramo de patrocínio. Desta forma, as empresas teriam aumento de profi ssionais especializados para analisar os projetos, e com olhar crítico para validar os que agregam, de fato.

Por outro lado, com a implementação dos selos de qualidade para os captadores, haverá uma nova segmentação do mercado gerando também uma melhor qualidade dos projetos a serem apresentados.
Todos ganhariam com estas pequenas mudanças. Chegou a hora de pensarmos seriamente em organizar este setor de marketing, pois as empresas estão perdendo excelentes oportunidades de construir experiências com marcas em momentos importantes que se apresentam no futuro próximo.

Autor

  • Rodrigo Geammal

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