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A agenda

redacao 25/04/2011
redacao 25/04/2011

Estamos no início de um novo ano. E queremos que ele seja próspero, sem dúvida nenhuma. E, claro, que os resultados se aproximem ao máximo das nossas intenções. Com certeza, não esperamos ter de desencavar as mesmas desculpas esfarrapadas, no final desse novo período, para tentar justificar por que as coisas não acontecem: a estratégia foi mal definida, as pessoas deixaram de fazer sua parte, os recursos foram insuficientes, etc. No fundo, sabemos muito bem que o que pode nos impedir de chegar lá é ausência de ação. Mas não qualquer ação. O que pode nos impedir de realizar os objetivos é a falta de ação planejada. Em suma: uma agenda. Uma agenda de ações consistentes. Que proporcione resultados igualmente consistentes.

A agenda, então, deve propor um conjunto de ações capaz de criar um forte e permanente elo entre a alma, a mente e o corpo da empresa. Confira como fazer isso, da melhor forma.

Qualidade de diálogo – a Alma em ação

No lado alma, a agenda propõe a qualidade de diálogo. Somente assim é possível conhecer as verdadeiras razões dos problemas de equipe. Quantas reuniões você já conduziu em que, no final, todos parecem concordar sobre o que precisa ser feito, mas na sequência nada acontece, de fato? São reuniões em que não existe um diálogo profundo e, portanto, ninguém expõe seus receios. Da mesma forma, deixa de se comprometer.

Em compensação, pense nas reuniões de que você participou e que geraram energia e grandes resultados. Analise bem a diferença entre um processo e outro. Vai perceber que se trata da qualidade do diálogo. A qualidade do diálogo amplia ou restringe a inteligência de grupo. Neste último caso, o da restrição, a verdade nunca virá à tona e uma empresa só tem a perder quando não lida com a realidade.

Alguns líderes não gostam da realidade. Preferem viver no reino da fantasia. Quando alguém traz alguma mensagem que contraria seus sonhos, prefere dar cabo do mensageiro. Por conta disso, muitas coisas ficam escondidas na caixa-preta. As pessoas também procuram evitar a realidade tanto por desejo de agradar como por receio de desagradar. O resultado será sempre a expansão da ignorância.

Se quer cumprir a agenda, esteja onde a ação está. E deixe de pressupor ou decidir apenas com informações filtradas pelos colaboradores diretos. Seu papel é fazer perguntas que permitam trazer a realidade à tona, de forma que você possa oferecer às pessoas a ajuda essencial para a correção dos problemas. Quando você faz boas perguntas, aprende coisas e seu pessoal também. Todos ganham com a verdade e com o aprendizado que dela decorre. Opte sempre pela verdade, em vez da falsa harmonia.

Faz parte da agenda definir o tom do diálogo na equipe. O modo como as pessoas conversam determina como a empresa funciona. Um diálogo franco – em vez daquele defensivo – fará toda a diferença na forma de tratar e resolver os problemas.

Qualidade de negócio – a Mente em ação

É muito comum o ímpeto de querer realizar cinco anos em um, principalmente no início do período, quando as energias estão restauradas. Então, para “ganhar” tempo, são definidas dez prioridades para a empresa. Sabe qual será o resultado disso? Apenas criar movimento e fazer barulho! Acontece que o ruído impede as pessoas de ouvir a música. Elas não conseguem acompanhar o ritmo nem têm a menor ideia da direção para onde convergir atenções, tempo e energias. Espera-se que façam lances sem conhecer o próprio jogo.

No lado mente, a agenda propõe garantir a qualidade de negócio, e isso implica foco e propósito. Quem dá a pista para a definição de um propósito é o cliente. Sobre isso admita: de quantas reuniões você já participou em que todos acham, mas nenhum dos presentes tem certeza? Ninguém vai à fonte para beber da boa água, ou seja, do cliente. A agenda propõe instituir a busca de informações na fonte como mecanismo de relacionamento atento e interessado com quem pode nos oferecer as indicações corretas: o cliente.

A partir daí, é possível definir um propósito para a empresa e uma razão para existir, tendo como fonte de inspiração o cliente e suas necessidades. Algo claro, simples, empolgante e factível. A definição de propósito faz parte da agenda. Da mesma forma que a definição das prioridades. E atenção: não muitas! Três no máximo, e que todos sejam capazes de assumir e assimilar. Se você sai por aí anunciando mais de três ou quatro prioridades, então não sabe (desculpe!) quais são as coisas mais importantes. Eleja as prioridades – ou seja, o que é realmente fundamental e está acima de tudo – e apresente-as de maneira bem definida, para que todos possam compreendê-las. E não tenha medo ou preguiça de repeti-las todos os dias, como um mantra, para que ninguém tenha oportunidade de se fazer de desentendido.

Qualidade de resultado – o Corpo em ação

No lado corpo, a agenda propõe assegurar a qualidade do resultado. Implica criar um processo de decisão e ação que funcione com eficácia, defina as responsabilidades, assegure a compreensão e permita o acompanhamento. De todos. Quem vai fazer o que e quando? Enquanto não tiver uma boa resposta para essa pergunta, você conseguirá apenas mais movimento do que ação. E os resultados ficarão sempre aquém do almejado.

Depois de esclarecidas as responsabilidades, o acompanhamento é imprescindível. A partir daí, acompanhar preencherá a maior parte da agenda. Implica circular, captar pensamentos e sentimentos das pessoas, obter informações e oferecer orientação e direção. Jamais termine uma conversa sem fazer um resumo das ações que devem ser realizadas, por quem, quando e qual o resultado esperado. É uma síntese altamente necessária.

Liderança

Por fim, a agenda do líder consiste em se envolver profundamente com as pessoas, com as estratégias e com os resultados. Deve ser capaz de criar uma realidade compreensível para todos, porque sabe conectar as partes e valoriza a importância dos detalhes em cada uma delas. Tem, portanto, a visão do todo e das partes. E, claro, com a firme disposição de atuar em todas as frentes, na busca do equilíbrio entre a alma, a mente e o corpo da empresa. É dessa poderosa síntese que depende chegar em dezembro com respostas positivas para todos os propósitos. Portanto, a partir desta clara perspectiva, feliz ano novo!

Roberto Adami Tranjan é educador da Cempre – Conhecimento & Educação Empresarial. www.cempre.net

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