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Crescimento agrícola ainda não supre demanda mundial por alimentos

redacao 05/02/2014
redacao 05/02/2014

Soluções serão debatidas entre presidentes de organizações internacionais de commodities durante o Global Agribusiness Forum; comércio internacional pode mitigar problemas de distribuição

A safra de grãos brasileira voltou a ser recorde em 2013, acompanhando um crescimento que vêm desde os anos 2000. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima queo volume de grãos colhidofeche o ano em 186,8 milhões de toneladas, muito superior aos 100 milhões de toneladas de pouco mais de 10 anos atrás.

No entanto, mesmo com um cenário favorável de produtividade agrícola, este crescimento gradual não será suficiente para acompanhar o aumento da demanda por alimentos, já que em 2030 serão 8.321 bilhões de pessoas, conforme projeçõesdo Fundo de Populações das Nações Unidas (organismo da ONU responsável por questões populacionais).

O aumento da demanda por alimentos no mundo é explicado por dois fatores principais: crescimento populacional e renda dos consumidores. Dessa forma, o incremento populacional e o crescimento econômico dos países resultaram na procura por alimentos que consomem mais recursos para serem produzidos, como as carnes.O tema é central nos debates a serem realizados no maior fórum de agronegócio do mundo, o Global Agribusiness Forum 2014, a ser realizado nos dias 24 e 25 de Março.

João de Almeida Sampaio Filho,presidente do Cosag (Conselho Superior de Agronegócio) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), acredita que o comércio internacional pode ser determinante na resolução das questões de demanda de alimentos, incentivando a produção e distribuição. “Acredito que esta demanda será atendida com aumento de produtividade e produção.Deve haver uma troca de atividades, com a substituição de áreas de pastagens por áreas agrícolas, especialmente no Brasil e países do Mercosul. Aposto também no crescimento da produtividade das áreas agrícolas em todas as regiões produtoras”, comentou. O executivo acrescentou que os novos acordos comerciais que estão sendo discutidos entre EUA, União Europeia e Mercosul, poderão facilitar as negociações e consequente impulsionar o comércio internacional.

Sampaio destaca também que o tipo dealimentoé ainda outro desafio, requerendo que empresas invistam em produtos semielaborados ou prontos para o consumo, agregando valor à produção e consequentemente otimizando as formas de distribuição. “Um novo modelo deve ser trabalhado, com cada vez mais produtos de valor agregado e adaptados a cultura dos países compradores”.

De acordo com o cenário de crescimento populacional, da elevação da renda e do consumo, as pressões sobre os preços dos alimentos serão mantidas, o que justifica esforços para promover a expansão do desenvolvimento agrícola global para que possa suprir esta demanda, e que inclui, também, discussões e debates visando o desenvolvimento do setor, como o que acontecerá no segundo Global Agribusiness Forum, um fórum mundial que visa, através do planejamento da agricultura do futuro, o apoio aos produtores dos potenciais países de modo a ampliar mercados para uma parcela considerável dos emergentes.

Para debater esta e outras questões, estarão presentes no Global Agribusiness Forum os diretores executivos de algumas das organizações internacionais de commodities agrícolas, como: EtsuoKitahara, diretor executivo do IGC (Internacional GrainsCouncil); Jean Marc Anga, diretor executivo da ICCO (InternationalCocoaOrganization); Robério Silva, diretor executivo do ICO (InternationalCoffeeOrganization); e Peter Baron, ex-diretor executivo do ISO (International Sugar Organization). 

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