Apesar de esperada, alta da Selic é criticada por todos os setores

redacao 10/12/2009
redacao 10/12/2009

Apesar de esperada, a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de aumentar a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 50 pontos-base, para 12,25% ao ano, frustrou diversos setores da sociedade.

Logo depois do anúncio, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) revelou não ter se surpreendido com a decisão, que nada mais é do que a retomada de uma política monetária contracionista. A CNI ainda acredita que a decisão pode vir a comprometer o crescimento do setor, já que anula os efeitos positivos da política de estímulo à produção, encarecendo o financiamento para investimentos.

Indústria

Ainda de acordo com a CNI, a inflação internacional, apontada como motivo para a elevação dos juros, não será contida com a decisão do Copom. "De todo modo, para ser mais efetiva no combate à inflação, a proposta deve concentrar-se na contenção do gasto público, que cresce excessivamente", diz a confederação em nota.

Na mesma linha de raciocínio, Fiesp e Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) entendem que o governo deve conter os gastos públicos com combate à inflação. A alta da Selic é vista como um ato de penalizar a sociedade, além de segurar o crescimento do país.

"Demanda gera progresso. Gastos públicos desnecessários geram dívidas e, conseqüentemente, mais impostos. Aumentar os juros para conter a demanda é impedir o crescimento, é apequenar os horizontes do País, limitando as oportunidades de seu povo. O que precisamos conter são as despesas do governo", disse o presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf.

Comércio

A Fecomercio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro) afirma que o governo deve direcionar suas ações contra o gargalo da infra-estrutura e os gastos públicos ineficientes, os quais causam efeitos diretos ao consumidor.

"Para se ter uma idéia, os dois aumentos seguidos da Selic representam um acréscimo no serviço da dívida para os próximos meses de R$ 6 bilhões, sem contar a incidência de juros sobre juros, valor equivalente a mais de 60% do total de financiamentos concedidos pelo BNDES em abril (R$ 9,7 bilhões)", afirmou o presidente da Fecomercio-RJ, Orlando Diniz.

Outra representante do comércio, a ACSP (Associação Comercial de São Paulo) lamentou a alta da taxa, que foi feita para conter uma inflação que é de origem externa e na área de alimentos. "O governo deve atuar também do lado da oferta, para aumentar rapidamente a produção dos alimentos, com maior apoio ao setor de agronegócios", disse o presidente da ACSP, Alencar Burti.

Trabalhadores

Na avaliação do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, é uma insanidade o aumento da taxa, que trava o desenvolvimento, freia o consumo, a produção e a geração de novos postos de trabalho.

"Estamos cansados desta disposição do Copom de punir freneticamente o setor produtivo e abençoar o especulativo. Este aumento é um claro boicote às conquistas dos trabalhadores, que há tempos pedem uma redução das taxas de juros no País".

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