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Artesã supera dificuldades de visão e se torna empreendedora

redacao 15/04/2014
redacao 15/04/2014

Uma história de superação. Assim pode ser definida a trajetória da artesã Sandra Maria de Oliveira Souza, proprietária do Artes Sandra – Artesanato em papel. Ela é amazonense e já trabalhava com artes amanuais quando perdeu a visão em decorrência do trabalho como auxiliar de biblioteca.

Nessa função, Sandra catalogava os livros e também realizada o trabalho de restauração, retirando fungos dos papéis das obras literárias. Mas o trabalho de rotina fez com que seu olho esquerdo fosse infectado por um fungo, o que a fez parder a visão. A partir daí, Sandra passou a se dedicar ao artesanato com papel.

“O papel foi ruim e foi bom. Por causa dele fiquei cega e venci”, afirma ela. A artesã começou confeccionando porta-joias com caixas de sabonete. Hoje é possível encontrar em seu ponto de venda balaios, bolsas, cestos, baús, camas para cachorros e gatos, vasos, jardineiras, ente outros itens de decoração. Os objetos são encontrados nos mais variados tamanhos e modelos.

Para a confecção de seus produtos, a empresária conta com a doação de papel feita por empresas sustentáveis, preocupadas com o meio ambiente. O material doado é reciclad e transformado em uma obra de arte bela e duradoura. “Primo pela qualidade do meu trabalho. Posso garantir que os objetos são reforçados e podem durar por várias décadas, se bem cuidados”, destacou.

Sandra também viu no artesanato uma forma de ajudar outras pessoas. Há 5 anos, ela realiza o projeto O Caminho, com reeducandos da Penitenciária Agrícola do Monte Cristo. Ela visita o local a cada 15 dias e ensina os presos a confeccionarem os produtos com papel. Depois, leva as peças para seu ateliê e realiza os acabamentos, com pintura e verniz.

A venda dos produtos possibilita que os detentos tenham uma renda a mais para manter seus familiares. “É muito bom saber que o seu trabalho contribui também para a vida de outras pessoas. Já tenho artesãos que saíram do sistema fechado para o semi-aberto, mas que continuam trabalhando com o artesanato. É uma vitória enorme”, comemorou Sandra.

O projeto O Caminho já rendeu a Sandra três exposições em centros de Boa Vista, duas no Palácio da Cultura e uma no Centro Multicultural da Orla Taumanan. Além disso, ela já participou de feiras a convite do Sebrae, Senai e Sesc.

Carro-chefe

O balaio é a peça mais apreciada entre as criações de Sandra. E foi ele que abriu as portas para a comercialização dos outros produtos em alguns municípios de Roraima e até em manaus.

Além de vender os produtos em outras localidades, a artesã tem como meta incluir seu trabalho no Guia de Turismo de Roraima. “Já tive produtos vendidos para vários turistas. Tem artesanato no Nordeste e até na Alemanha.  Sei que os turistas serão importantes para o meu crescimento, por isso luto para incluir meu trabalho no guia”, enfatizou.

Para isso, ela já trabalha na confecção de um novo objeto decorativo em forma de tamanduá, animal considerado símbolo de Roraima. “É importante sempre inovar. Ainda estamos chegando a um formato para concluir essa peça, mas tenho certeza que vai ficar muito bonito e vamos vender bastante para os turistas”, destacou a artesã.

O balaio pode ser usado como cesto para roupas, para guardar roupas de cama como lençóis e edredons ou brinquedos. “É um ótimo espaço para organizar objetos. Vai da criatividade do cliente também”, disse Sandra.

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