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Bom negócio para todos

redacao 28/01/2013
redacao 28/01/2013

Foi pensando em ajudar a população a encontrar informações sobre a saúde brasileira que o médico Fernando Fernandes e o desenhista industrial Edgar Morato criaram o site Saútil. O portal funciona de forma simples, rápida e organizada. Ao acessá-lo, o internauta tem acesso a diversas informações, que vão desde onde encontrar medicamentos oferecidos de graça pelo SUS até criar uma agenda on-line, em que o usuário pode controlar o calendário de vacinas dos filhos e dos remédios que toma.

Se uma pessoa, por exemplo, precisa de certo medicamento, basta ir até o espaço indicado e digitar o nome para que tenha acesso a uma lista dos lugares em que o produto é distribuído na região indicada. “Nosso objetivo é democratizar o acesso à saúde, já que apenas 25% da população tem plano de saúde. Todos os brasileiros têm direito adquirido de usar os recursos do SUS, mas a maioria não sabe nem o que oferece. Com o portal, oferecemos as ferramentas para que a população tenha informação e acesso para chegar a esses recursos”, afirma Morato. Completando dois anos em janeiro e com pouca divulgação em mídia, o Saútil já conta com um alcance de 70 mil acessos mensais.

O site é apenas um dos exemplos de como a tecnologia, a inovação e as mídias podem ser usadas a favor da comunidade ou de uma causa, utilizando ideias empreendedoras para tentar resolver os problemas sociais. Trata-se do chamado “empreendedorismo social”, movimento global que tem atraído um número de pessoas cada vez maior. Fátima Trópia, analista técnica do Sebrae-MG, comenta que muitas das grandes empresas já possuem em sua agenda o desenvolvimento de projetos, que vão além de um apoio social, criando oportunidades de melhoria de vida e geração de renda para as comunidades de baixa renda.

“O Brasil já é um país, por natureza, com uma população sensibilizada em ajudar e apoiar pessoas mais necessitadas. São inúmeras as iniciativas bem-sucedidas de projetos de empreendedorismo social. Arrisco dizer que já temos uma atuação bem avançada em relação a outros países e que estamos avançando para uma maior consolidação das práticas e do entendimento da real necessidade de uma mudança social”, enfatiza.

O País acompanha o cenário mundial. Na opinião de Simon Mainwaring, um dos maiores especialistas em branding e mídias sociais dos Estados Unidos, 30% da indústria global já atua de forma a equalizar o impacto comercial com o social. Ele ainda acredita que 70% a 80% das empresas que apostam neste movimento estão fazendo por terem consciência da importância da responsabilidade social. “Há também muitas empresas que estão motivadas pelo medo, pois grandes empresas estão perdendo a força por não pensarem no social”, afirma.

Mobilização virtual
O empresário Rodrigo Bandeira, diretor da empresa Enzima, apostou no desenvolvimento de plataforma virtual inovadora de participação política, onde cidadãos e entidades podem se expressar, se comunicar e gerar mobilização para a construção de uma sociedade cada vez melhor. O site Cidade Democrática surgiu em 2009, após um período de trabalho de Bandeira no governo do Estado de São Paulo.

“Fiquei um pouco assustado porque as autoridades não sabiam qual era o problema que nós tínhamos como cidadãos. A culpa não era deles, mas faltava alguém levar essa informação para os responsáveis.” Assim, ele criou um portal em que usuários criam perfis e divulgam ideias sobre o que esperam das cidades onde vivem. São eles que mostram problemas, sugerem soluções e compartilham opiniões com os demais usuários. “Dessa interação surgem as propostas. Nós conseguimos recolher a vontade das pessoas e transformar isso em resultado a partir da decisão de um gestor. Queremos que a sociedade ajude a construir o seu próprio futuro de forma colaborativa.”

E ao que tudo indica, a ideia tem dado resultado. Bandeira cita o caso da cidade de Jundiaí, no interior de São Paulo, onde, por meio da plataforma, foram criadas sete propostas, que foram levadas para a Câmara dos Vereadores e se tornaram leis. Uma delas, por exemplo, foi a mudança de horário das sessões abertas na Câmara, que antes aconteciam no meio da tarde, para a noite, a fim de alcançar uma maior participação da população. “Foi um pedido da população que foi atendido.”

Boas ideias
Declarando-se um admirador daqueles que desafiam e que mostram vontade de mudar, o americano Pete Simns afirma que pequenas apostas que nem sempre são sucessos iniciais são importantes no desenvolvimento de grandes ideias. Simns é conselheiro de empresas e universidades nos Estados Unidos nos temas de empreendedorismo e inovação.

“Nós pensamos que grandes ideias surgem apenas de grandes mentes como Steve Jobs, mas nós também temos o poder de decidir que apostas valem a pena. Ao tomarmos essas decisões estamos arriscando e nos sujeitando a falhas, algo que desde cedo nos é mostrado como algo ruim A escola tradicional ensina a não errar e isso amedronta o indivíduo a arriscar.”

Para Reinaldo Pamponet, sócio-fundador da Rede ItsNoon, um market place de economia criativa, o grande desafio do social good é integrar com uma economia voltada para esse propósito, ou seja, fazer uma social economy. “Precisamos juntar as coisas para somar, e não separar, como estamos acostumados. Essa não é a era do ‘ou’. É a do ‘e’”, afirma Reinaldo Pompet.

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