Comércio justo ajuda cafeicultores mineiros a vender mais

redacao 23/02/2012
redacao 23/02/2012

Associação dos Pequenos Produtores do Cerrado é a única da região a ter a certificação

Os agricultores José Astrogildo e Gislaine Oliveira plantam café no município de Patrocínio, na região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais. Antes de 2010, é provável que nenhum estrangeiro tenha pisado nos 13 hectares da propriedade do casal. Mas, de lá para cá, americanos, portugueses e pessoas de várias nacionalidades têm visitado o local.

Há mais de 15 anos cultivando o grão, os produtores agora têm café certificado dentro dos padrões exigidos pelo Fair Trade (Comércio Justo). “Com a certificação, ganhamos maior poder de negociação e o reconhecimento do mercado externo”, afirma Gislaine. Em menos de um ano, ela e o marido aprenderam a se organizar e a planejar as vendas. “Com isso, esperamos um aumento de 600% na produção para 2012. Deve passar de 98 para 600 sacas de café”, prevê Astrogildo.

A família de José da Cruz também produz café em Patrocínio, há 16 anos. Com a ajuda dos filhos, plantou 4,5 hectares e está colhendo os frutos da certificação. O produtor ressalta que o Fair Trade trouxe maior exposição do produto no mercado internacional.

Cruz e Astrogildo fazem parte da Associação dos Pequenos Produtores do Cerrado, a APPCER. Criada há pouco mais de um ano, reúne 39 produtores, dos quais 27 já foram certificados. É a única entidade do Cerrado mineiro a ter a certificação. A safra deste ano, de acordo com dados da organização, foi de oito mil sacas de café. Para 2012, espera-se uma produção superior a 30 mil sacas, ou seja, 275% a mais.

A Fair Trade traz vantagens para os produtores de café de qualidade. Seus mecanismos eliminam a figura do atravessador e garantem um preço mínimo pela saca de café. O agricultor certificado ainda recebe do comprador um prêmio – de R$40,00 a R$50,00 – além do valor recebido pela saca. Para conseguir o certificado, todos os aspectos que asseguram a sustentabilidade do empreendimento rural devem ser cumpridos nos âmbitos social, ambiental e econômico. O produtor precisa, por exemplo, reduzir o impacto ambiental causado pelo plantio dos grãos, controlar o uso de agrotóxicos e armazená-los corretamente, em embalagens devidamente identificadas.

A região do Cerrado mineiro, primeira área produtora de café demarcada no Brasil, abrange 55 municípios localizados no Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro. Seus mais de 3.500 agircultores respondem por 15% da produção nacional do grão. Segundo dados da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, o café gera mais de 90 mil empregos diretos e 270 mil indiretos.

Apoio

Além de dar todo o suporte técnico à certificação Fair Trade, o Sebrae responde pelo Educampo, um dos principais projetos de educação permanente voltado aos produtores rurais. O projeto orienta e capacita produtores, por meio de consultorias gerenciais e tecnológicas, oferecidas diretamente nas propriedades. “O Sebrae tem hoje 20 grupos que fazem parte do Educampo nessa região. São mais de 350 propriedades atendidas, o que representa 15% da produção no Cerrado mineiro”, diz Marcos Geraldo Alves, analista do Sebrae em Minas Gerais.

O Sebrae teve também um papel essencial na obtenção da certificação. Em 2009, iniciou-se um diagnóstico dos pequenos produtores da comunidade de Esmeril. Coube ao Sebrae disseminar a filosofia do Fair Trade entre os produtores, levando-os para conhecer outras áreas de Minas, já certificadas e com histórico nesse processo, além de uma visita a mais reconhecida feira de Cafés Especiais do mundo, em Houston, nos Estados Unidos, que é promovida pela Associação Americana de Cafés Especiais (SCAA).

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