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Comodidade transforma postos de combustíveis em centros de conveniência

redacao 04/02/2011
redacao 04/02/2011

Comodidade para o consumidor faz crescer a oferta de serviços e transforma postos de combustíveis em centros de conveniência

As redes de franquias estão pegando carona na transformação dos postos de combustíveis em centros de conveniência. Nas grandes cidades, é cada vez mais comum o consumidor abastecer seu veículo e ainda aproveitar para fazer pequenas compras, levar a roupa para lavar, fazer um lanche, alugar um filme e até mesmo cortar os cabelos. “Esse movimento está só começando. Em 16 anos de Brasil, a rede de lavanderias 5àSec tem 15 lojas instaladas em postos de gasolina. A meta é inaugurar pelo menos mais 25 nestes espaços nos próximos cinco anos”, afirma Meire Gomes Carvalho, diretora de expansão da marca, que tem 300 lojas no Brasil.

Atenta às oportunidades, a 5àSec criou um modelo de loja bastante apropriado para postos de gasolina, o drive thru. A proposta é fazer com que o cliente não precise sair do carro para usar o serviço. A unidade piloto foi montada em Sorocaba (SP), no início deste ano, e os resultados surpreenderam positivamente. A loja foi muito bem aceita pelos usuários e se pagou rapidamente. Tanto que a marca vai instalar uma segunda unidade nesse formato em outro posto de gasolina em Sorocaba. “É uma oportunidade muito interessante para a expansão da rede. Nossa primeira loja no Acre será num posto, algo inimaginável há poucos anos”, destaca Meire.

Para muitas redes de franquias, os postos de combustíveis são uma oportunidade de seguir crescendo num mercado onde os espaços tradicionais estão se tornando escassos. Essa é a proposta do Rei do Mate, rede que deve fechar 2010 com 300 lojas. A marca vem inaugurando uma média de 30 lojas a cada ano, aproveitando espaços como universidades, hospitais, empresas e postos de combustíveis. “No Rio de Janeiro, por exemplo, temos mais de 100 lojas em shoppings e centros comerciais menores. Para continuar crescendo no estado, precisamos investir em pontos alternativos”, afirma Antônio Carlos Nasraui, diretor comercial da rede. O Rei do Mate tem quatro lojas em postos – duas no Paraná e duas na cidade de São Paulo.

Buscar novos espaços é uma necessidade de muitas redes de franquias. “Com crescimento previsto de 18% para 2010, o franchising brasileiro precisa buscar espaços alternativos. Não dá para se ancorar só em shopping center”, confirma André Friedheim, consultor da Francap, especializada em desenvolvimento de redes e franchising. Para o executivo, os postos de combustíveis também ganharam força nos últimos anos por causa da busca incessante de quem vive nas cidades por conveniência. “É o conceito one stop, onde o consumidor consegue solucionar suas compras num só lugar. A tendência é que esse modelo de street center se alastre pelo País nos próximos anos.”

Mais rentabilidade

Dados do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) mostram que há muito espaço para crescer. Existem hoje no Brasil mais de 37 mil postos de gasolina, dos quais 5,5 mil têm lojas de conveniência, primeiro passo para transformar o posto num centro comercial. Há 12 anos, esse número não chegava a 1,6 mil. “As lojas de conveniência e as franquias que estão vindo a reboque são uma forma do empresário desse segmento aumentar a rentabilidade de seu negócio, já que as margens dos combustíveis estão cada vez mais apertadas”, afirma o advogado Luiz Felizardo Barroso, autor do livro Conveniência & franchising – O canal do varejo contemporâneo.

Na avaliação de Flavio Franceschetti, consultor do Sindicom, os consumidores já entram em postos com a expectativa de encontrar uma loja de conveniência. “Há sinergia produtiva entre o posto e a loja que soma as receitas de cada atividade e multiplica o tráfego de clientes”, afirma. Para ele, faz todo o sentido agregar outras franquias que tenham sinergia com o negócio, desde que seja preservado espaço para manobras e estacionamento em frente às bombas. “Eu vejo como uma tendência ligada aos grandes centros urbanos, onde o tempo é mais escasso e por isso há uma necessidade maior de conveniência”, afirma José Luiz Schwartz, diretor administrativo da Associação Brasileira de Franchising Seccional Rio de Janeiro (ABF Rio).

As operações em postos de combustíveis também podem ser mais vantajosas em alguns aspectos. “A principal vantagem é o custo fixo menor”, avalia Márcio Rangel, franqueado máster da Empada Brasil, rede com 60 unidades. A marca tem investido na instalação de quiosques em supermercados, shoppings, aeroportos ou centros comerciais. Em postos, são oito unidades. Segundo o empresário, normalmente o desempenho financeiro do quiosque é menor em termos absolutos, mas o resultado em percentuais é muito próximo das lojas. “Temos vários casos em que o quiosque tem resultado mais satisfatório. Como em qualquer negócio de varejo, o ponto comercial é fator decisivo nos resultados”, destaca Rangel.

No caso da rede Subway, dona de mais de 490 restaurantes no Brasil, o patamar de vendas das 40 lojas instaladas em postos de combustíveis não se diferencia das demais unidades com formatos entre 60 e 80 metros quadrados. De acordo com Roberta Damasceno, gerente de operação da marca, o resultado vem de variáveis como ótimo fluxo de clientes e custo reduzido do aluguel – cerca de 20% menor. “Muitas vezes, elas são até mais lucrativas”, afirma a executiva. Ela conta que, na maioria dos casos, as vendas da Subway em postos são para levar, mas há unidades que se transformaram em ponto de encontro de jovens. “Estamos buscando novas parcerias com redes de distribuição de combustíveis para investir nesse mercado.”

Outra vantagem, tanto para o franqueador quanto para o dono do posto, é a possibilidade de fazer promoções conjuntas, do tipo “encha o tanque e ganhe uma locação de filme”. É uma forma de oferecer um diferencial em relação aos concorrentes, conquistando e fidelizando consumidores. Estratégias de marketing como essas também são importantes para chamar o cliente para dentro do centro de conveniência. Afinal, diferente das lojas convencionais de rua e de shopping, o cliente não passa na frente da vitrine. “Essa é uma desvantagem, mas que pode ser superada. Em Magé (PR), por exemplo, o Rei do Mate é o principal atrativo do posto”, afirma o franqueado Márcio Rangel.

Contato:

5àSec: (11) 4197-6400
Empada Brasil: (24) 2237-7979
Francap: (11) 3709-3709
José Luiz Schwartz: (21) 2292-5104
Luiz Felizardo Barroso: (21) 2157-0773
Rei do Mate: (11) 3081-9335
Sindicom: (21) 2122-7676
Subway: (41) 3077-7282

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