Apenas 19% dos microempreendedores possuem conta bancária

Falta de garantias para comprovar a evolução e o faturamento dos pequenos negócios dificultam a inclusão financeira, aponta Banco Central

Redação 12/12/2017
Ricardo Assaf, presidente da ABSCM – Associação Brasileira das Sociedades de Microcrédito.
Redação 12/12/2017

Com o crescimento dos pequenos negócios originados no País pela falta de emprego, o Banco Central revelou, recentemente, estudo inédito constatando que, dos 8,7 milhões de microempreendedores individuais (MEIs) formalizados, apenas 19% desse total têm conta bancária como pessoa jurídica, sendo que só 8% possuem operações de crédito.

Ricardo Assaf, presidente da ABSCM (Associação Brasileira das Sociedades de Microcrédito), explica que a dificuldade de comprovação do faturamento mensal desses pequenos negócios tem levado muita gente à informalidade e à exclusão financeira, já que para o sistema bancário é um risco liberar crédito. “Cabe a nós, instituições financeiras, que conhecemos a realidade das microempresas, o papel do primeiro contato com o sistema financeiro formal”, afirma.

As SCMEPPs (Sociedades de Crédito ao Microempreendedor e à Empresa de Pequeno Porte) são entidades reguladas e supervisionadas pelo Banco Central para conceder microcrédito, como uma forma de fomentar o empreendedorismo, a inclusão social e educação financeira. Esse tipo de capital beneficia pessoas de baixa renda, sendo utilizado também como capital de giro aplicado ao negócio.

Assaf destaca que os agentes de crédito conhecem as necessidades de cada nicho, fazem o acompanhamento necessário e orientam os microempreendedores com relação ao bom uso do dinheiro. O microcrédito é algo específico, que deve ser concedido por instituições financeiras especializadas e que saibam avaliar riscos e a quem ofertar esse capital.

A relação próxima do cliente, além de inibir o risco de fraudes, ajuda a criar um círculo virtuoso em que a instituição passa a entender o “DNA do cliente”, considerando a comunidade, linguagem, necessidade e entorno, logo a liberação do dinheiro é feita de forma consciente e direcionada.

Dados

Ainda segundo o levantamento do BC, o saldo da carteira de crédito do MEI PJ em 2016 foi de R$ 4,2 bilhões. Porém a carteira de crédito de PF, registrada como MEI, foi quinze vezes maior, de R$ 64,6 bilhões. Dos MEIs que tomam crédito como pessoa física cerca de 60% são homens e 40% mulheres, e concentram-se nas faixas etárias de 25 a 54 anos.

As microempresas tomadoras de crédito passaram de 1,1 milhão, no início de 2012, para mais de 2,8 milhões em agosto de 2017. Também foi apurado que as empresas de todos os portes perderam participação no crédito em benefício das grandes empresas que passaram a concentrar mais de 57,3% do total.

As EPPs, empresas de pequeno porte, passaram de 13,5%, em 2012, para menos de 10% em agosto desse ano. Já as ME recuaram de 5,2% para 4,3%. Juntas, as MPEs representam 98% do universo de empresas e mais da metade do emprego, mas recebem pouco mais de 14% de todo o crédito do SNF – Sistema Financeiro Nacional.

O estudo faz parte do Panorama do Crédito Concedido a Microempreendedores Individuais, programa do Banco Central para aprimorar o diagnóstico da cidadania financeira no País. Os dados são do cadastro dos MEIs, fornecido pela Secretaria Especial da Micro e Pequena Empresa (Sempe) do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, com as informações das bases de dados do BC: o Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS) e o Sistema de Informações de Crédito (SCR) de 2016.

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