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Crescer é natural

redacao 12/12/2012
redacao 12/12/2012

O método do presidente de uma grande empresa pode perfeitamente ser aplicado em pequenas empresas para torná-las prósperas e ricas. É totalmente possível que uma microempresa familiar seja competitiva e lucrativa. Essas afirmações podem ser encontradas no livro Os segredos do Método do Presidente – a maneira certa de você tocar sua empresa, de Joel Fernandes.
A obra, que também está sendo transformada em videoaulas de EAD, traz os dois lados de ser proprietário de um negócio. Por um lado, ser dono absoluto e, por outro, estar completamente vulnerável às pressões, faz com que o empresário acabe, voluntária ou involuntariamente, recorrendo ao caixa da empresa. E isso, segundo Fernandes, tem consequências danosas.
Porém, existem passos que o dono de uma empresa familiar pode seguir para encarnar o papel de presidente de uma grande empresa e fazer seu negócio prosperar. Para saber mais sobre isso, acompanhe a entrevista com o criador do “Método do Presidente” e autor do livro, Joel Fernandes.

Empreendedor: Quais são os principais empecilhos ao crescimento de micro e pequenas empresas?
Joel Fernandes –
Há dez anos, num privilegiado posto de observação como analista do Sebrae, estudo a seguinte questão: por que a maioria das empresas do Brasil não se torna rica? Isto não é difícil de constatar. As estatísticas revelam que a imensa maioria das empresas que começam como micro não evolui para pequena empresa, nem as pequenas crescem o suficiente para se tornarem médias empresas. Minha pesquisa mostrou que quando a pessoa abre a empresa sua intenção prévia é a sobrevivência. Isso é legítimo, no entanto, está excluída desta intenção a ambição de prosperar continuamente até o limite da riqueza. Isso tem consequências muito práticas e de alto impacto no dia a dia da gestão empresarial. Por exemplo, quem tem a intenção prévia da prosperidade ao invés da sobrevivência, tem, necessariamente, que pensar grande. Tem que oferecer produtos inovadores. Tem que atuar em mercados grandes e de crescimento acelerado. Tem que acumular reservas financeiras para reinvestir na expansão do negócio. Tem que profissionalizar a gestão empresarial. A maioria das empresas do Brasil não adota estas práticas empresariais. Veja que os empecilhos de ordem prática ao crescimento da pequena empresa são consequências de sua forma de pensar ou de sua intenção prévia.

A maioria das empresas brasileiras é familiar. O que impede a empresa familiar de crescer?
Fernandes –
O crescimento das empresas está relacionado, entre muitos outros fatores, ao próprio crescimento do mercado. As empresas familiares em seu início não adotam boas práticas de gestão, como separação de contas e procedimentos padronizados. Isto é até razoável, pois as atividades iniciais são bastante básicas. O problema ocorre quando elas crescem e as operações se tornam complexas, mas elas continuam com as mesmas práticas gerenciais confusas de seu nascedouro. Dito metaforicamente, mesmo anos após já ter ultrapassado os primeiros meses e anos de sobrevivência de seu negócio, o empresário continua “nadando” de maneira atabalhoada como se estivesse se afogando. Visando um crescimento continuado, as empresas precisam evoluir de uma “natação” atabalhoada antiafogamento para uma “natação” eficiente, visando à prosperidade empresarial.

Como o Método do Presidente pode melhorar o desempenho de pequenos empreendedores?
Fernandes –
O Método do Presidente mostra que não basta a pessoa que abre um negócio tão somente “empreender”; ela tem que evoluir para se tornar um “empresário com espírito investidor”. Quando a empresa é vista na ótica do investidor e do investimento realizado é que faz sentido adotar as boas práticas de gestão, como planos estratégicos, planos comerciais, entre outros, pois o investidor tem como intenção prévia não perder o dinheiro investido; segundo, ter o dinheiro investido de volta; terceiro, ter o dinheiro de volta multiplicado; e, quarto, ter o dinheiro de volta, multiplicado, o mais rápido possível. O Método do Presidente é um método de gestão empresarial, que engloba uma nova educação empreendedora e uma nova prática empreendedora, cuja base da proposta é fazer com que o empresário simule o papel de presidente da própria empresa para recriá-la, como se houvesse investidores externos supervisionando a segurança de seu capital, pelo máximo retorno e por seu contínuo crescimento. Neste método, o empresário descobre que, como presidente, ele tem uma única obrigação, da qual derivam todas as outras, que é saber montar e manter uma operação lucrativa.

O que é mais importante para construir uma empresa de sucesso: planejamento estratégico ou capacidade de tomar decisões? Por quê?
Fernandes –
Para o presidente de uma grande empresa, o Método do Presidente já vem pronto: ele é obrigado a prestar contas para um conselho de acionistas à luz do lucro esperado pelo respectivo conselho. Por conta disso ele é obrigado a planejar, a inovar e a expandir continuamente. É obrigado a adotar boas práticas de gestão, sempre. É obrigado a ter a intenção prévia da prosperidade até o limite da riqueza. Uma pesquisa do Sebrae revela que 70% dos empresários por conta própria atribuem o êxito empresarial ao planejamento estratégico e apenas 8% à capacidade de tomar decisões. No entanto, presidentes de empresas são pagos por sua capacidade de tomar decisões. Mas, para que cada decisão tomada seja acertada, ela tem que ter um referencial. E o lucro é o referencial dos presidentes, pois, como já dissemos, a única obrigação de um presidente, da qual derivam todas as outras, é saber montar e manter uma operação lucrativa para os acionistas. O resultado disso é que o presidente de uma grande empresa normalmente anda em linha reta, rumo à prosperidade, ao passo que o dono da empresa por conta própria, normalmente, caminha como o andar do bêbado, de um lado para o outro, com mais erros que acertos. Justo por isso trouxemos e adaptamos para o ambiente da pequena empresa o conceito de governança corporativa, que funciona bem na grande empresa.

Por que é tão importante para o crescimento dos negócios o fato de ter que prestar contas para alguém?
Fernandes –
As pequenas empresas têm à sua disposição, em vários locais, como a internet e instituições de apoio, informações, capacitações e ferramentas com as melhores práticas de gestão. A pergunta-chave é: por que a maioria das empresas não se utiliza destes recursos? Empresa por conta própria se caracteriza por, normalmente, ser uma empresa familiar. Além desta característica, tem uma outra que, para nós, é mais fundamental, que é o fato do dono da empresa ser dono absoluto de sua empresa. Isso significa, em termos de gestão, que ele não tem que prestar contas para ninguém. Ele funciona como um super-homem que resolve tudo sozinho. De um lado, ele não é obrigado a fazer a separação de contas bancárias da pessoa física e da pessoa jurídica. Não é obrigado a fechar o caixa todos os dias. Não é obrigado a fazer o demonstrativo de resultados todo mês. Menos ainda, é obrigado a fazer um planejamento. Ele não é obrigado sequer a verificar se o seu negócio é lucrativo. Mas, por outro lado, ele não tem nenhuma blindagem ou proteção em relação às pressões familiares por mais gastos, pressões sociais para mostrar sinais de prosperidade, pressões para manter os parentes no negócio, independente de competências ou perfis inadequados. A combinação destes dois lados da moeda – ser dono absoluto e estar completamente vulnerável às pressões familiares e sociais – faz com que ele acabe metendo a mão no baleiro (no caixa da empresa) e não adotando as melhores práticas de gestão. Por outro lado, um presidente de uma grande empresa, que não é dono absoluto da empresa, tem que prestar contas de suas ações para um conselho de investidores. Por conta disso ele é obrigado a garantir o fechamento do caixa todos os dias, elaborar um demonstrativo de resultados todo mês, ter um excelente plano estratégico e acima de tudo é obrigado a mostrar lucros. Caso contrário ele é demitido. Exatamente por conta disso ele é obrigado a pensar grande, inovar e adotar as melhores práticas de gestão. O Método do Presidente é um método que oferece aos participantes a mesma lógica de um presidente de uma grande empresa, que tem que prestar conta de seus resultados para os acionistas. Por isso, e somente por isso, faz sentido ele buscar e adotar as melhores práticas de gestão empresarial. Ele adota as melhores práticas de gestão porque precisa alcançar os melhores resultados. 

E o empreendedor também não precisa adotar as mesmas práticas? O que o impede de fazer?
Fernandes –
O dono da empresa por conta própria não adota as melhores práticas de gestão, mesmo sabendo onde buscá-las, porque, em primeiro lugar, ele se identifica com o operacional da empresa e acredita que apenas trabalhando duro vai sobreviver. Em segundo, a grande maioria não conhece a linguagem empresarial e suas ferramentas, e tampouco tem habilidades para usá-las. Em terceiro lugar, não gosta desta parte do empreendimento. E em quarto – e mais importante –, não precisa prestar contas para ninguém de sua gestão, logo para ele não faz sentido “perder” tempo fazendo registros de entradas e saídas e parar para analisar o DRE, planejamentos e fluxo de caixa, por exemplo. O segredo é encarnar o papel de presidente de uma grande empresa e se propor a prestar contas… para alguém. É exatamente isso que o Método do Presidente oferece.

Que passos o dono de uma empresa familiar deve seguir para encarnar o papel de presidente de uma grande empresa?
Fernandes –
Em primeiro lugar, adotar uma nova educação empreendedora procurando enxergar o seu empreendimento como um instrumento de criação e acumulação de riqueza. Depois, perceber com clareza os três papéis que lhe cabe como empreendedor empresarial, quais sejam o empreendedor em si, aquele que domina o aspecto técnico do empreendimento; o empresário, aquele que domina a linguagem empresarial; e o investidor, aquele cuja expectativa é o retorno do investimento, multiplicado, o mais rápido possível. Metaforicamente, é como num clube de futebol, onde tem o craque bom de bola, o técnico e o presidente. O grande desafio é fazer o jogador, que ama jogar bola, se tornar o presidente do time. A maioria, sozinha, não consegue e nem quer. Por isso o Método do Presidente traz uma nova prática empreendedora, qual seja a formação de um Conselho de Investidores, formada pelos sócios da empresa, por seu contador e mais um consultor para criar uma força externa que ao mesmo tempo oriente o empreendedor e cobre resultados na ótica dos investimentos realizados. Esta reeducação empreendedora e nova prática empreendedora não acontecem da noite para o dia, e para tal dispomos, além do livro Os segredos do Método do Presidente, de um curso a distância (www.metododopresidente.com.br) e de um Índice de Desempenho do Presidente, no qual o empresário pode medir o desempenho de sua gestão empresarial, numa escala de +10 a -10, e verificar se sua empresa está na fase azul maravilha ou na fase sangue vermelho e, a partir de um choque de realidade, poder sonhar o bom sonho da prosperidade.

É possível que o dono de uma empresa familiar consiga ser um empresário rico e feliz sem abalar as relações com a família?
Fernandes –
Excelente pergunta! Ela nos remete à conhecida parábola “é mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar no reino do céu”, ou seja, o que predomina em nossa cultura é a ideia da exclusividade. Este assunto explorei em meu segundo livro Empresário rico também vai para o céu, no qual mostro que nas novelas das televisões brasileiras a lavagem cerebral em favor da fé na pobreza é absolutamente colossal. Não tem comparação com a mais fervorosa das religiões que apregoa o inferno para os ricos. Entra novela, sai novela e o enredo é monotonamente martelado na cabeça de milhões de brasileiros que as assistem. É sempre assim, invariavelmente: as pessoas pobres são calorosas, solidárias, de bom caráter e totalmente felizes. Os ricos são ricos, mas infelizes. Também são ricos não por virtudes empreendedoras, mas devido, claro, às falcatruas. E o incrível disso, e que dá mais poder à lavagem cerebral em favor da fé na pobreza, é que isso é colocado não na forma de um discurso explícito, o qual carece de convencimento. Mas é apresentado de maneira implícita, ingênua, como se aquilo já fizesse parte da natureza humana, desde que existiu o primeiro homem. O senso comum, ao ler isto, deve estar se perguntando: mas não é assim? O mesmo pano de fundo mental de exclusividade predomina em relação à riqueza e à felicidade. Se sou rico, não posso ser feliz. Se sou feliz, não posso ser rico. No entanto, não é difícil perceber que é mais fácil a família do empresário ser feliz com o empresário rico do que com o empresário atormentado por falta de recursos e a empresa endividada. Portanto, é desejável e possível se tornar um empresário rico e feliz, inclusa naturalmente nessa riqueza a felicidade sua e da família. 

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