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Curso de empreendedorismo capacita ex-presos para mercado de trabalho

redacao 10/12/2009
redacao 10/12/2009

Mais 75 pessoas que saíram ou estão prestes a sair do sistema prisional serão selecionadas em setembro para participar do curso de capacitação em empreendedorismo promovido pela Incubadora de Empreendimentos para Egressos, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

De acordo com o coordenador do projeto, financiado pela Petrobras, Ronaldo Monteiro, desde 2006, quando foi criada a primeira turma, a iniciativa já qualificou 125 pessoas. Os primeiros alunos concluem o curso no fim deste ano, mas alguns já conseguiram montar negócio próprio. Segundo Monteiro, que também é egresso do sistema prisional, o objetivo é capacitar 200 pessoas até julho de 2009 e gerar em média mil portas de emprego.

“Os pequenos empreendimentos têm gerado muitos empregos, renda e desenvolvimento para o país. Nós acreditamos que esse é um dos caminhos para esse público: desenvolver seu próprio negócio e gerar emprego para quem vive a mesma situação”.

Embora dados do Ministério do Trabalho divulgados na última quinta-feira (14) mostrem que somente no primeiro semestre deste ano foram criados 1,350 milhão de empregos com carteira assinada, devendo chegar a 2 milhões até o fim do ano, a procura sem sucesso por uma vaga ainda é realidade para inúmeras pessoas.

A situação torna-se ainda mais difícil se o candidato passou pelo sistema prisional. Estudo desenvolvido pelo pesquisador Marcelo Néri, da Fundação Getulio Vargas, revela que as chances de um preso no Rio de Janeiro conquistar uma vaga de emprego é 50% menor do que uma pessoa que nunca teve envolvimento com o crime.

Segundo a pesquisa, caso essa pessoa  conseguisse a vaga, a situação ainda não lhe seria favorável, já que seu salário provavelmente ficaria abaixo da metade dos vencimentos de um trabalhador com a ficha criminal limpa.

“Existe o preconceito da sociedade e a falta de qualificação é outro fator que dificulta a empregabilidade. Quando eles se tornam os patrões, essa situação pode ser modificada e os ganhos se multiplicam, já que eles passam a empregar outros ex-detentos”, explica Monteiro.

Foi o que aconteceu com Gelci Machado, aluno da primeira turma da incubadora. Mesmo antes de concluir o curso – ele se forma no fim deste ano – já montou uma pequena empresa de jardinagem e paisagismo. Orgulhoso de seu próprio trabalho, ele fez questão de abrir espaço para pessoas em condições semelhantes à sua.

“Por enquanto, tenho dez empregados, mas espero crescer cada vez mais para ajudar mais pessoas que, como eu, dificilmente teriam chance de conseguir um bom emprego”.

O coordenador do projeto garante que casos como o de Gelci são freqüentes e, por isso, o modelo de capacitação deve ser expandido para outros estados. Ele destacou que estão sendo acertados os últimos detalhes para levar uma iniciativa semelhante nos estados da Bahia e de São Paulo.

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