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Descubra o perfil do e-consumidor com o auxílio do Ibope Mídia

redacao 03/03/2011
redacao 03/03/2011

Descubra o perfil do consumidor on-line brasileiro com o auxílio do Ibope Mídia que entrevistou 2.500 internautas em 11 regiões do País

O Ibope Mídia entrevistou 2.500 internautas em 11 regiões do País, incluindo cinco capitais e o Distrito Federal com uma missão: descobrir o perfil do consumidor on-line brasileiro. E a pesquisa apontou como principais resultados que o e-consumidor verde e amarelo tem 33 anos, pertence à classe AB, gasta em média R$ 118 por mês em compras pela internet e está concentrado entre São Paulo e Rio de Janeiro (37% dos entrevistados).

O levantamento foi realizado entre maio e junho de 2010 e se apoiou na base de dados mundial do Target Group Index, com um universo de 61 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos. Veja a seguir mais dados da pesquisa.

Faixa etária – De acordo com a pesquisa, a faixa etária que mais consome em lojas virtuais é a que está entre 25 e 44 anos, totalizando 48%, sendo que a idade média do e-consumidor brasileiro é 33 anos. A segunda faixa etária que mais consome na internet brasileira, 17%, é formada por compradores que possuem idade entre 20 e 24 anos.

Gênero e estado civil – Os homens compram mais pela internet do que as mulheres (54% contra 46%). Enquanto isso, há um equilíbrio entre casados e solteiros: 49% e 41%, respectivamente.

Localização – Outra característica do comércio eletrônico brasileiro é a concentração, aponta a pesquisa. As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro reúnem 37% dos compradores em lojas virtuais.

Classe socioeconômica – Como destacado, o e-consumidor é, em sua maioria, da classe AB, respondendo por 61% da receita do e-commerce brasileiro. A classe C, que vem ganhando destaque no mercado consumidor, aparece na pesquisa com 35%, enquanto que a classe DE soma 4%.

Produtos preferidos – Os e-consumidores virtuais estão interessados em comprar livros (30%), telefones e acessórios para celulares (20%), eletrodomésticos (18%) e produtos de tecnologia pessoal (17%).

Desejos de compra – Um total de 25% dos entrevistados respondeu querer comprar câmeras digitais. Outros 17%, celulares, sendo que 15% declararam o desejo de comprar um iPhone.

Preferências – Cerca de 80% dos entrevistados navegam pela web para comparar preços. Outros 66% responderam que realizaram de uma a cinco compras pela internet nos últimos seis meses, enquanto que 30% disseram ter gasto pelo menos R$ 224 nas compras on-line no mesmo período.

De olho nos números

Confira o desempenho do comércio eletrônico brasileiro em 2010, com destaque para o período do Natal, de acordo com levantamento da camara-e.net.

– R$ 2,2 bilhões é o valor movimentado em vendas de bens de consumo entre 15 de novembro e 24 de dezembro, representando aumento de 40% em relação ao mesmo período de 2009.
– 6 milhões é o total de pedidos também entre 15 de novembro e 24 de dezembro.
– 224 mil foi o pico de pedidos ocorrido no dia 14 de dezembro. Em 2009, o pico foi de 150 mil pedidos no dia 16 de dezembro.

Como fisgar

O desempenho do mercado on-line no Brasil não poderia ser melhor, como mostram os números publicados nesta edição do TecnoVarejo. E diante de um segmento com bons resultados e perspectivas ainda melhores, que estratégias um lojista deve adotar para fisgar o consumidor on-line?
Quem responde é o consultor Sílvio Tanabe, consultor da Magoweb e autor do blog Clínica Marketing Digital (www.magoweb.com/clinicadigital), que preparou uma lista com cinco aspectos que devem ser considerados por quem deseja investir em marketing digital em 2011.

E-Commerce – As plataformas de e-commerce são cada vez mais acessíveis, seguras e com vários recursos para administração, controle de estoque, vendas e formas de pagamento. O desafio atual para o sucesso no comércio eletrônico está no atendimento, logística e segmentação.

Publicidade on-line – Os investimentos em publicidade on-line também precisam ser aprimorados. Não se trata necessariamente de aumentar a verba, mas atuar de forma diferenciada para destacar a empresa. É preciso buscar formas criativas de utilizar ferramentas tradicionais, como links patrocinados, otimização e e-mail marketing, e avaliar o investimento em sites de compra coletiva e programa de afiliados.

Redes sociais – Torna-se quase obrigatório estar presente nas redes e mídias sociais devido à abrangência entre os internautas e crescimento em importância nas decisões de compra. Mas para se obter resultados efetivos é necessário considerar duas variáveis essenciais: seu público-alvo e a forma como ele interage em cada rede social.

Tendências – Em 2011, a tendência que merece mais atenção é o mobile marketing. Acompanhe a popularização dos smartphones com conexão à internet, do iPad e tablets (computadores sem teclado), que possibilitam novas formas de publicidade, como aplicativos (APPs) e games.

Profissionalização – Seja por meio de profissionais próprios ou de uma agência, é necessário ter a orientação e suporte especializado para planejar, executar e acompanhar as diversas ações, que além de tudo precisam estar alinhadas e integradas a outras atividades comerciais e de marketing da empresa.

Tem que ter conteúdo

Inova Tecnologias, empresa especializada em sistema de e-mails, realizou uma pesquisa on-line sobre e-mail marketing entre os brasileiros e obteve como principal resultado a preferência por mensagens com conteúdo editorial. No total, 76% dos entrevistados preferem receber novidades e ofertas das empresas via e-mail marketing, mas esperam que estas mensagens contenham conteúdo editorial relevante. Veja alguns dos resultados da pesquisa:
• 78% dos usuários afirmam que costumam ler os boletins que veiculam conteúdo editorial, número que cai para 45% quando o boletim contém apenas anúncios publicitários;
• 76% dos usuários desejam receber ofertas de produtos e serviços por e-mail e 27% dos usuários preferem a mala-direta postal tradicional. Apenas 10% são receptivos a ligações promocionais e 5% a visitas comerciais;
• Os usuários são mais receptivos a receber e-mail marketing de empresas que possuem escritório ou loja em sua cidade do que de empresas que atuam apenas pela internet;
• Os usuários preferem receber e-mails comerciais mensalmente (38%) ou semanalmente (25%);
• Os fatores mais importantes para julgar se uma mensagem é ou não spam são, em lados opostos, a predominância de conteúdo editorial relevante (a maioria diz que não marcaria como spam) e a predominância de anúncios (a maioria marcaria como spam ou apagaria a mensagem sem ler).

Otimismo contido

O cenário promissor para 2011 também é partilhado, com ressalvas, pelo economista Roberto Meurer, da Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo ele, como o consumo está ancorado principalmente na evolução da renda das famílias, que determina o limite para os gastos, existe uma boa perspectiva para o crescimento da economia brasileira, com uma expansão em níveis similares ao PIB. ”O fato de estar ocorrendo uma melhora na distribuição da renda e a inclusão de mais famílias acima do nível de pobreza geram um efeito de expansão adicional no consumo, porque o poder de compra dos segmentos de renda mais baixa é cada vez maior, o que gera um efeito imediato”, argumenta Meurer.

O professor da UFSC lembra, no entanto, que o governo não poderá perder o pulso na condução de áreas sensíveis como a busca constante pela redução do gasto público. Um descontrole pode se constituir em uma ameaça para a estabilidade, já que o déficit gerado a partir de condições fiscais avariadas tem o poder de interferir na confiança dos agentes econômicos. ”O problema com os gastos do governo é a dificuldade de revertê-los quando a economia está em crescimento. A preocupação com o gasto público decorre do seu efeito sobre a dívida pública, já que uma dívida muito alta aumenta os riscos e com isso as taxas de juros exigidas pelos compradores dos títulos públicos aumentam. Isto explica a política fiscal de geração de superávits primários adotada pelo governo brasileiro, cujo objetivo é reduzir a dívida em relação ao tamanho da economia”, ensina Meurer.

De acordo com o economista, só com dívida mais baixa é que pode ocorrer uma redução estrutural da taxa de juros, cujos efeitos não se restringem ao custo do endividamento do governo, mas também no custo do financiameno ao setor privado, fazendo com que os compradores de títulos tenham de encontrar alternativas para a aplicação de seus recursos. ”Por isso, a bandeira de austeridade fiscal do novo governo busca exatamente evitar a geração de expectativas de descontrole da dívida”, lembra.

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