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Dia do Comerciante: o que mudou para o varejo brasileiro

redacao 10/12/2009
redacao 10/12/2009

 O Plano Real revolucionou o comércio brasileiro. Antes dele, conta o assessor econômico da Fecomercio-SP, Altamiro Carvalho, a administração das empresas era caótica. O motivo é que não havia referência para os preços dos produtos, por conta da inflação.

"A inflação escondia tudo, a competência e a incompetência dos empresários, porque acabava nivelando os serviços prestados. Com o real, empreendedor e consumidor passaram a ter noção clara do mercado. A concorrência se tornou mais justa. Hoje, a competência é o fator determinante para sobrevivência de uma empresa", explica.

Na época da inflação, o comerciante mantinha sua loja por meio de aplicações no mercado financeiro, cujo rendimento costumava ser muito superior ao lucro das empresas. "A lógica dizia para se livrar da moeda o mais rapidamente possível. Até a conta-corrente era bem remunerada. Nesse contexto, a eficiência do negócio era o que importava menos", relembra o assessor da Fecomercio-SP.

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Mais crédito, mais vendas

O economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo, lembra de outro ganho advindo da estabilização da moeda brasileira: a expansão do crédito. "Nas décadas de inflação, o crédito quase desapareceu. Com o Plano Real, houve uma revitalização do setor de crédito".

Assim como hoje, também no passado o comércio era dependente do crédito, especialmente para conseguir atingir as classes mais baixas da população. "A inflação atrapalhava, porque o crediário trabalha com prestações fixas", garante Solimeo, que acrescenta: "a estabilidade da economia é fundamental para o comércio".

Justamente a combinação entre aumento da oferta de crédito, queda de juros (que permitiu o alongamento dos prazos) e expansão da renda – todos os três itens decorrentes da economia estável – explica o crescimento vertiginoso do setor nos últimos anos, de acordo com o economista da ACSP.

"Automóveis, computadores, eletrônicos no geral e artigos para o lar registraram boas vendas nos últimos anos, por conta dos prazos longos. O maior inimigo dos prazos é a incerteza, e a inflação gera incerteza".

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Competição na busca por clientes

A estabilidade da economia foi positiva, mas há um lado negativo para o empresário: a competição entre as empresas na captação e fidelização dos clientes ficou mais acirrada. "O consumidor atual procura os melhores preços, a maior variedade de produtos e os serviços de mais qualidade. E as empresas precisam voltar sua gestão a essas necessidades. A competição aumentou ainda mais na década de 90, quando, após essa mudança estrutural, grandes cadeias internacionais vieram para o Brasil trazendo novas práticas e tecnologias. Isso forçou a modernização das organizações locais, que precisavam sobreviver", sublinha Carvalho.

Os gargalos que persistem

Os avanços foram muitos, sem dúvida, mas alguns gargalos persistem. Entre eles, a carga tributária "absolutamente elevada", nas palavras do assessor da Fecomercio-SP. "Os impostos levam 40% do faturamento das empresas".

A questão da carga elevada não foi solucionada pela criação do Simples Nacional, regime tributário voltado para micro e pequenas empresas. Longe disso, com as regras de substituição tributária em São Paulo, o Simples perdeu seu peso. Para algumas MPEs nem mesmo vale a pena se enquadrar no regime. "Hoje, o empresário compra produtos com ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços] embutido", lamenta.

Ele ainda faz outra crítica ao Supersimples: qualquer medida de beneficiamento de micro e pequenas empresas não pode representar um limite ao crescimento delas. Com isso, o economista quer dizer que, ao impor um limite de faturamento para que as empresas possam optar pelo regime, ocorre uma inibição da motivação delas para crescer. Outro gargalo é a alta taxa de juros, que, na opinião de Carvalho, prejudica muito mais o comércio do que a indústria. "A necessidade de capital de giro e, conseqüentemente, de crédito é maior no comércio".

Outra questão é a legislação trabalhista, que ocasiona o alto custo da mão-de-obra. Sabe-se que o comércio é um dos setores que mais gera emprego, sendo o principal gerador em algumas regiões do País, mas as contratações poderiam ser ainda mais substanciais. "Muitos negócios não andam por conta disso".

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E a inflação atual?

A expectativa da Fecomercio-SP é de que, este ano, o comércio continue apresentando resultados positivos, embora com uma desaceleração no ritmo de crescimento. Na região metropolitana de São Paulo, o comércio deve fechar com alta de 5% no faturamento, neste semestre.

Já no segundo semestre este percentual deve ficar entre 2% e 3%, na comparação com o mesmo período do ano passado. No ano, a estimativa é de que o crescimento varie entre 3% e 4%. "Com a inflação, o consumidor gasta mais com gasolina e alimentos e compra menos outros itens, o impacto é direto no comércio. Mas o Banco Central não irá deixar a inflação fugir do controle", diz Carvalho.

Para Solimeo, da ACSP, se a inflação persistir, o comércio pode ser prejudicado, justamente porque o quadro é de menor oferta de crédito. "A inflação gera uma redução no ritmo de vendas e atrapalha a tomada de capital de giro. A perspectiva é de desaceleração do crescimento inversamente proporcional à elevação da taxa de juros".

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