Doce empreitada

Uma brincadeira transformou-se em um negócio de sucesso, impulsionado pelas vantagens da formalização como EI e a mão cheia da quituteira

Quando a turismóloga Rosany Ortiz perdeu o emprego, ela estava decidida a estudar para concursos. Mas durante o tempo em que ficou se preparando para as provas ela mudou
de ideia. Na cozinha de casa Rosany descobriu uma nova oportunidade de trabalho, algo que nunca tinha imaginado antes: fazer brigadeiros. Tudo começou como uma brincadeira
para agradar ao marido, que adora chocolate, e para que ela se mantivesse animada enquanto estudava. Porém, com o tempo o hobby se transformou em negócio. Hoje Rosany
é proprietária da Doce Brigadeiro em Cuiabá, é microempreendedora individual e produz brigadeiro com pequi que foi considerado um dos melhores doces do Brasil.

Rosany conta que a ideia de abrir o negócio surgiu em uma reunião de família, quando levou alguns brigadeiros enrolados em granulados coloridos e em confeitos de chocolate. Os doces foram colocados em caixas e ela deu de presente para quem estava no almoço. “Todos adoraram e começaram a fazer propaganda dos meus doces. Em pouco tempo eu estava recebendo pedidos por telefone.”

Além de fazer brigadeiro sob encomenda, Rosany resolveu sair para vender os doces. Ela nunca tinha trabalhado com vendas, mas não teve receio de bater de porta em porta e
oferecer seus brigadeiros. “Comecei a vender para os funcionários de empresas próximas à minha casa. Hoje tenho uma lista de 70 empresas que eu visito por semana para oferecer meus doces.”

Rosany começou a vender os brigadeiros em outubro do ano passado e cinco meses depois resolveu formalizar o negócio. Em março de 2011 ela se cadastrou no Portal do
Empreendedor. “Eu não pagava a Previdência Social e ficava preocupada. Se eu engravidasse não ia ter direito a licença maternidade, ou se me machucasse ficaria parada sem receber o auxílio doença. Quando vi que ao me cadastrar como microempreendedora individual eu teria acesso a esses benefícios, não tive dúvidas. Decidi me tornar microempreendedora.”

Com CNPJ, Rosany abriu conta como pessoa jurídica no banco, conseguiu crédito para ampliar seu negócio e passou a aceitar cartão de crédito como forma de pagamento. A Doce Brigadeiro cresceu e ela precisou contratar uma funcionária para ajudá-la a fazer os brigadeiros. “Eu e minha auxiliar produzimos agora cerca de 1 mil brigadeiros por semana. Com a ajuda dela consigo me dedicar mais às vendas dos produtos e tenho mais tempo também para criar novos sabores.”

Além do brigadeiro tradicional, Rosany criou outros 30 sabores. Ela faz brigadeiro de prestígio, cocada, menta, gergelim, farofa de banana e até mesmo de guaraná ralado. Uma de suas criações, o brigadeiro de pequi, foi escolhido entre os melhores doces do Brasil em uma premiação organizada pelo chef Edu Guedes. Além de leite condensado e chocolate, a fruta típica do cerrado brasileiro traz um leve sabor cítrico ao brigadeiro. “Foi muito bom ter participado do prêmio porque isso me deu visibilidade. Hoje quando vou vender meus doces já digo que é um dos melhores do Brasil.”

Outro diferencial do trabalho de Rosany é que ela tem associado o brigadeiro aos produtos e símbolos culturais mato-grossenses. O cliente pode escolher, por exemplo, que seus
doces venham em uma embalagem que é uma miniatura de viola, instrumento tradicional de Cuiabá. “Na Doce Brigadeiro eu quis unir meus dois trabalhos: o de turismóloga ao de
empreendedora. Minha proposta é que o brigadeiro que produzo tenha o toque da culinária e da cultura de Mato Grosso.”

Rosany apresentou seus brigadeiros na Feira do Empreendedor deste ano em Cuiabá. O estande estava entre os mais procurados no evento. Rosany conta que além de saborear os brigadeiros, quem passava pela feira queria também conversar, entender como funciona a categoria de microempreendedor individual e saber sobre as vantagens de se inscrever. “Não é fácil empreender, mas vale a pena. É preciso gostar do que se faz e trabalhar muito, e o resultado compensa.”

Rosany vive hoje do que vende e não se arrepende de ter deixado para trás a vida de turismóloga. Ela conta que chega a ganhar R$ 5 mil por mês, um valor muito mais alto do que recebia quando trabalhava no setor de turismo como funcionária de uma empresa. Antes de abrir a Doce Brigadeiro, Rosany nunca tinha feito curso de culinária ou mesmo de empreendedorismo, mas com o crescimento da empresa ela sentiu a necessidade de se especializar.

Hoje faz cursos presenciais e on-line de gestão e empreendedorismo organizados pelo Sebrae. “Estou aprendendo a fazer análise de mercado e a controlar melhor meu faturamento.Tenho interesse em transformar a Doce Brigadeiro em uma microempresa. A proposta é que onegócio vire um café especializado na venda de produtos feitos com brigadeiro como bolos e doces. Mas, antes de fazer isso, estou vendo se é viável e se há mercado.”

Assim como Rosany, cerca de 8 mil empreendedores de Cuiabá também resolveram aderir à categoria de microempreendedor individual. Mais de 700 pessoas são cabeleireiros e outros 1 mil empreendedores se dedicam à atividade do varejo e comércio de roupas e acessórios. A maior parte desses empreendedores é de homens entre 21 e 40 anos.

Rosany da Costa Ortiz

Idade: 28 anos

Data de formalização: Março de 2011

Ramo: Doces

Conta com um funcionário? Sim

Pretende virar uma microempresa? Sim

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