Empreendedorismo se fortalece na crise, mas é preciso planejamento e resiliência para alcançar sucesso

A especialista, Rose Russowski, diretora da consultoria Lee Hecht Harrison (LHH) na região Sul, explica que é fundamental se planejar, identificar os objetivos, definir a área que mais se interessa e os investimentos necessários

Redação 05/03/2018
Redação 05/03/2018

O sonho de ter um negócio, sair da rotina do emprego e ter autonomia são objetivos de muitas pessoas. Segundo pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor, realizada em parceria com o SEBRAE, quatro a cada dez brasileiros são empreendedores ou estão em processo de abertura de empresas. De acordo com o Índice de Cidades Empreendedoras, entre os 32 municípios listados pela Endeavor, oito são da Região Sul, como Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS) e Maringá (PR). Para Rose Russowski, diretora da consultoria Lee Hecht Harrison (LHH) na região Sul, é inegável o aumento do número de pessoas interessadas em empreender, porém é preciso fazer uma autoavaliação sincera e perceber claramente o que quer e por que, ter claro qual é o objetivo a ser atingido, se preparar, planejar e se empenhar para conquistá-lo.

Para isso, primeiramente o profissional deve identificar em que área possui mais interesse, mais afinidade, habilidades e capacidade para exercê-la. Depois, é preciso analisar o mercado, quais são as oportunidades, a viabilidade do produto/serviço que quer oferecer, testá-lo e criar assim um plano de negócios detalhado. “Mais do que tudo, é fundamental ter paixão pelo que quer fazer, pois empreender dá trabalho e se o foco da escolha for só o potencial de rentabilidade do negócio, o empreendedor pode não aguentar passar por todas as etapas necessárias para construir uma empresa de sucesso”, explica Rose.

Paralelo ao plano de negócios, o empreendedor deve estruturar também um planejamento financeiro pessoal e da empresa. Para isso, ele deve ter cuidado e não utilizar todas suas economias no novo empreendimento. “Ser cauteloso nos investimentos em ativo fixo até o negócio começar a gerar algum retorno é fundamental bem como se preocupar, desde o início, em ter controle das informações financeiras, apoiados por softwares, mesmo que simples, de gestão, e, principalmente, não misturar as contas pessoais com as da empresa”, esclarece a consultora, acrescentando que, entender as fontes disponíveis de financiamento também é um ponto importante para estruturação do negócio, pois para crescer ele precisará de capital.

Outro ponto importante, segundo a consultora, é ter resiliência e olhar para as falhas como aprendizado. “É preciso ter calma, analisar os gargalos, corrigi-los e não ter medo de mudar completamente de estratégia, se for preciso”, orienta Rose. Aliado a isso, é necessário que o empreendedor busque conhecer profundamente o cliente alvo, seu comportamento e anseios. Afinal, são essas informações que ajudarão na personalização dos produtos e/ou serviços bem como no estabelecimento das melhores estratégias de venda.

Para alguns sair dessa zona de conforto e traçar objetivos, metas e um planejamento estratégico se torna complicado e muitas vezes gera questionamentos, como: “por onde eu começo?”. Nesse momento é preciso que o empreendedor tenha alguém com quem compartilhar suas dúvidas, preocupações e decisões, como por exemplo, um coach. “O processo de coaching pode ser um bom aliado para ajudar o executivo a organizar as ideias, refletir sobre o seu novo papel, identificar onde está errando e quais decisões tomar. Nesse caso, não serão dadas as soluções, mas auxilia-lo a ampliar seu autoconhecimento, e usar suas capacidades para estabelecer seu plano de ação para chegar onde quer”, diz Rose.

Outra opção é buscar apoio em instituições que incentivam o empreendedorismo como o SEBRAE e a Endeavor, por exemplo. Elas podem ajudá-lo a descobrir como colocar suas ideias em ação e aprender com as melhores práticas de empreendedores de sucesso. “Além disso, é importante formar uma boa rede de apoio, ou seja, um networking que inclua conversas e troca de ideias com outros empreendedores, participação em organizações profissionais etc. Afinal, não dá para ser um empreendedor de sucesso sozinho”, orienta Rose.

A consultora ressalta ainda que olhar exemplos de comportamentos de pessoas bem sucedidas ajuda a criar um parâmetro a ser seguido. “É preciso que o profissional adquira alguns hábitos já praticados por empreendedores de sucesso, como ter autoconfiança, compromisso com o seu sonho e com o plano para colocá-lo em ação; coragem para correr riscos calculados; resiliência e persistência; ser capaz de engajar outros no seu projeto; estabelecer metas claras e desafiadoras e ter uma boa rede de contatos e apoio”, conclui Rose.

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