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Empresários criam tecnologias inéditas e ganham mercado

redacao 10/10/2013
redacao 10/10/2013

Desenvolvimento de soluções inovadoras por pequenos negócios tem recebido apoio do Sebrae e da Petrobras

O crescimento da produção de petróleo e gás tem ajudado o Brasil a se reposicionar no cenário internacional, não apenas como produtor de matéria-prima, mas também como fornecedor de tecnologia de ponta. E a ideia de que essa cadeia é restrita aos grandes grupos multinacionais tem sido desfeita com a atuação das micro e pequenas empresas, muitas delas responsáveis por inovações inéditas em todo o mundo. A carioca Ativatec, por exemplo, vende robôs submarinos que fazem inspeção a três mil metros de profundidade, detectam fissuras de até três milímetros em dutos e ainda fazem pequenos reparos. Já no Sergipe, uma empresa quebrou um monopólio de 50 anos de duas gigantes norte-americanas.

Apoiados pelo convênio entre Sebrae e Petrobras de inserção de pequenos negócios nessa cadeia produtiva, os empresários estão buscando cada vez mais oportunidades no segmento de petróleo de gás. O volume de atendimentos feitos pelo projeto mostra um aumento significativo na quantidade de empreendimentos interessados em vender para a estatal ou aos seus fornecedores. No último quadriênio (2009/2012), o número de empresas atendidas pelo Sebrae dentro do projeto de encadeamento junto à Petrobras chegou a quase 3 mil por ano, 50% acima da média anual registrada entre 2005 e 2007, quando vigorou a primeira fase da parceria.

“O convênio criou uma base sólida para que os negócios de micro e pequeno porte pudessem se firmar para atuar em bases competitivas, já que as pesquisas na área demandam grandes investimentos”, explica o presidente do Sebrae, Luiz Barretto. Segundo ele, as empresas são beneficiadas de ponta a ponta: do refinamento da gestão administrativa e financeira, com participação em feiras e eventos do setor, até o acesso a laboratórios de excelência, a exemplo do Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes).

Além do alto padrão de qualidade dos produtos e serviços disponibilizados pelas micro e pequenas empresas, muitas das tecnologias desenvolvidas pelos empresários brasileiros são inéditas. Um exemplo é o da Ativatec, que venceu o desafio lançado pela Petrobras ao criar um sistema por ultrassom que detecta anormalidades, como fissura, trinca ou corrosão. O trabalho dessa empresa carioca, em parceria com o Cenpes, parte do convênio entre Sebrae e Petrobras, é inédito no mundo e representa um avanço importante.

“Imagine uma cidade submersa onde existem diversas estruturas e quilômetros de dutos que exigem inspeção constante. Os ROV –  sigla em inglês para robôs subaquáticos controlados remotamente – são os operários que precisam de ferramentas para o trabalho. Foi exatamente isso que fizemos ao projetar a Crab Tool, instrumento especial que é acoplado ao braço robótico do ROV e permite não só checar a exata dimensão de um problema como antecipá-lo”, afirma Daniel Camerini, que comanda a empresa com o sócio Rodrigo Ferreira.

Outro empreendimento que despontou no setor foi a sergipana Sigmarhoh WTS. Além de inovadora, uma válvula desenvolvida pela empresa em parceria com um grupo do Canadá representa uma economia de 50%, o equivalente a cerca de US$ 200 mil para as companhias petrolíferas. A nova tecnologia dispensa a sonda no processo de avaliação do potencial de um poço terrestre recém-perfurado.

Quebra de monopólio

A Sigmarhoh WTS também apresentou outra inovação: uma unidade de produção antecipada nos poços já explorados. Isso significa que o poço de petróleo ou gás pode entrar em operação imediatamente, gerando recursos que podem custear o serviço e a construção da estrutura definitiva. Pelo método antigo, o processo de produção – entre tubulação, bombas de transferência de óleo e outros equipamentos – leva de seis meses a um ano, dependendo da localização e profundidade.

Com esses avanços, a Sigmarhoh WTS entrou em um mercado até então dominado apenas pela Halliburton e Schlumberger, duas das maiores multinacionais americanas do setor. “Quebramos um monopólio de 50 anos. Agora, elas estão investindo nos poços marítimos e também vamos chegar lá”, comemora Sandro Tojal, que comanda a empresa em sociedade com o sócio Márcio Lindemberg.

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