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Empresários lucram com o mercado erótico, um dos que mais crescem no país

redacao 29/07/2013
redacao 29/07/2013

por Mônica Pupo

Lançado em dezembro de 2012, o filme De pernas pro ar 2 representa não só um sucesso de bilheteria, mas também a ascensão de um segmento cada vez mais promissor para os empreendedores brasileiros. Estrelada por Ingrid Guimarães, a comédia retrata a vida de uma mulher que revoluciona sua vida pessoal e profissional ao comercializar produtos eróticos. Ficção à parte, a história da protagonista guarda muitas semelhanças com a de muitos empresários que deixaram de lado o preconceito para ingressar num mercado em crescente expansão, composto por marcas e profissionais das mais diversas áreas, de sex shops a fabricantes de lingerie, passando por indústrias de cosméticos, produtoras de vídeo e fotografia, entre outras.

Os últimos dados do setor, referentes a 2011, apontam crescimento anual de 18,5% e R$ 1 bilhão em movimentação financeira, além da venda de 72 milhões de produtos, incluídos num mix total de 12 mil itens distribuídos em 10 mil pontos de venda de norte a sul do País, conforme dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme). Além disso, são geradas mais de 100 mil vagas de emprego, direta ou indiretamente.

Não por acaso, o Brasil sedia a quarta maior feira erótica do mundo, a Erotika Fair, que acontece no próximo mês de abril, mais precisamente entre os dias 4 e 7, na capital paulista. Em sua 20ª edição, o evento espera atrair cerca de 30 mil visitantes por dia, além de pelo menos 8 mil empresários de toda a América Latina, incluindo representantes das principais marcas do mercado adulto mundial.

A cosmética 100% brasileira, por exemplo, lidera o ranking dos cinco produtos mais vendidos. Dentre os 7,5 milhões de itens eróticos comercializados por mês no País, 5 milhões são cosméticos sensuais (óleos, géis, cremes estimuladores). Entre os campeões de venda da categoria estão os géis funcionais (géis excitantes, também chamados de “vibrador líquido”), seguidos pelos géis para sexo oral e lubrificantes. Na sequência estão os produtos para massagem, incluindo velas comestíveis, bolinhas de massagem e similares, as lingeries e fantasias. Por último estão os acessórios mais “picantes”, como vibradores, capas e próteses.

De acordo com especialistas, esse bom desempenho geral se deve, em grande parte, ao aumento da venda direta. “Em dois anos, a quantidade de consultores de itens eróticos por catálogo passou de 2 mil para 85 mil”, informa Paula Aguiar, presidente da Abeme. Foi seguindo essa trilha que a capixaba Elaine Pessini iniciou sua trajetória no segmento de produtos sensuais. Em 2001, a ex-vendedora de lingeries pediu emprestado ao marido o valor de R$ 150 e começou a vender também óleos sensuais de porta em porta. “Quando iniciei, o mercado sensual era mais alvo de preconceito do que é hoje; aos poucos, o Brasil vem quebrando os tabus e acredito que o segmento só tem a crescer”, diz a empresária.

Com a boa receptividade das compradoras, ela foi em busca de parceiros e fornecedores de cosméticos sensuais nos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2005, já atendia aproximadamente 180 pontos de venda em Vila Velha (ES), onde montou um showroom de lingerie. Em meio ao crescimento vertiginoso do negócio, a empreendedora foi surpreendida com a notícia de que seu único filho, na época com seis anos, estava com câncer, fazendo seu rendimento cair.

Com a cura do menino, em 2006, a empreendedora retornou ao trabalho com força total, dessa vez não só disposta a vender, mas a fabricar seus próprios produtos. “Meu marido deixou a carreira de policial militar para cursar química, enquanto eu participei de cursos de sexualidade e gestão e fui atrás de parcerias e documentação para abrir nossa própria fábrica de cosméticos sensuais”, conta. Conseguir todas as licenças, aliás, foi outro desafio para a empresária, que critica o excesso de burocracia e morosidade dos órgãos públicos. “Para se ter uma ideia, iniciamos o processo de documentação para a construção da fábrica em 2006 e só conseguimos todas as liberações em junho de 2009”, recorda.

Hoje, a Pessini Cosméticos registra crescimento anual médio de 40%. Instalada numa área de 1,5 mil metros quadrados na cidade de Vila Velha, a fábrica produz uma linha com 62 itens, totalizando produção mensal de 250 mil unidades. O portfólio inclui cosméticos sensuais – como lubrificantes, géis com efeito térmico, óleos de massagem e até loções que causam um efeito de “choque” quando em contato com a pele – e também itens mais tradicionais, como xampus, condicionadores, máscaras capilares e sabonetes, entre outros.

Na opinião de Elaine, o sucesso da empresa se deve ao fato de distribuir os produtos nas lojas de lingeries, que atualmente respondem por 70% da venda de cosméticos sensuais. “Essa combinação de itens deixa as clientes mais à vontade na hora de olhar e adquirir os produtos”, afirma.

Para 2013, a empresa pretende colocar sete novos produtos da linha sensual na praça e intensificar a participação em feiras internacionais. “Futuramente, esperamos expandir também para o exterior”, revela Elaine, que já encomendou uma pesquisa de mercado na Europa.

 

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