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Empresas agora mimam funcionários

redacao 18/04/2011
redacao 18/04/2011

Empregados de vários níveis ganham vantagens adicionais no esforço das companhias para impedir o assédio dos concorrentes

A maratona para conseguir preencher uma vaga é apenas um dos desafios das empresas brasileiras. Em tempos de escassez de mão de obra, conseguir manter o profissional, seja ele de qualquer nível (operacional, técnico ou estratégico), é uma conquista diária, afirmam os executivos. "O aliciamento por parte dos concorrentes é muito grande", afirma Haruo Ishikawa, presidente de uma construtora que leva seu nome.

Para fazer frente aos rivais, ele decidiu incrementar o pacote de benefícios aos funcionários. Uma providência foi melhorar o dia a dia dos empregados na obra. Ishikawa fez um refeitório e contratou uma empresa de refeições. Em vez de levar a tradicional marmita, todos os dias, às 7h30 da manhã, os funcionários recebem um cardápio e escolhem o que querem comer no almoço. Há sempre três opções de comida. "Se não fizer nada, vou perder um funcionário que gastei tempo para treinar", afirma o executivo, que tem contratado profissionais sem experiência.

Ishikawa não está sozinho nessa estratégia. Segundo a pesquisa da Fundação Dom Cabral, 78% das companhias consultadas criaram políticas de retenção para os níveis operacional e técnico. Na categoria tática e estratégica, o número é ainda maior: 81% das empresas disseram adotar algum tipo de medida para incentivar a manutenção do quadro de funcionário.

Nesse caso, os gestores também apostam na melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores, mas investem em bônus em dinheiro, cursos e especializações. Alexandre Constantine, diretor executivo da VoxAge, empresa de tecnologia, diz que o assédio de outras empresas é tão grande que não se pode dar espaço para o funcionário hesitar.

"Cerca de 60% dos lucros são distribuídos entre os funcionários, o horário é flexível, temos programa de reconhecimento mensal, sala de jogos, frutas e sanduíches à vontade", conta o executivo, que há tempos deixou de se basear na formação do candidato para contratá-lo. "Procuramos analisar o perfil das pessoas e qual a capacidade de aprendizado de cada uma."

Na Guascor, empresa de soluções energéticas, um dos incentivos é a política de migração interna. "Nossa estratégia é contratar pessoas sem experiência na base e prepará-las para cargos mais elevados. Isso cria uma motivação grande entre os funcionários", afirma a diretora de Recursos Humanos da empresa, Etiene Paiva. Além disso, afirma ela, manter um bom ambiente de trabalho conta muito na retenção dos trabalhadores. Fabiana Nunes, da Consultoria Keyassociados, tem a mesma percepção. A empresa, que desenvolve soluções sustentáveis, tem sofrido para encontrar (e manter) profissionais qualificados para a área. Quando consegue, quer segurar de todas as formas.

Segundo Paulo Resende, professor da Dom Cabral, a pesquisa revelou que as empresas também têm elevado o nível de alguns benefícios já tradicionais. Os planos de saúde agora estão sendo estendidos a esposas (ou maridos) que não são dependentes. Há ainda pagamento integral de mensalidades escolares e ajuda de custo moradia, "Quando uma pessoa tem de ir para outro Estado, como Rondônia, por exemplo, o pacote de benefício se assemelha ao de um profissional que tinha de trabalhar no Iraque."

Na IBM Brasil, um dos benefícios é o forte treinamento dado pela empresa, que ainda faz grandes exigências para contratar profissionais. Mas ela também teve de tomar medidas preventivas para amenizar o problema da escassez de mão de obra. O executivo de parcerias educacionais da multinacional, Edson Luiz Pereira, conta que uma das medidas adotadas tem sido oferecer cursos para professores de grandes universidades. A estratégia é atualizar os professores que vão formar futuros candidatos a vagas na empresa.

A Dell Brasil também tem seguido esse caminho para conseguir qualificar profissionais de acordo com os métodos usados na empresa. Apesar disso, a companhia tem 40 vagas em aberto este mês. "E devemos abrir novas vagas nos próximos meses", afirma Alexandre Tran, gerente de aquisição da multinacional.

 

 

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