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Faturamento do setor de franquias cresceu 16%, com destaque para Turismo

redacao 29/08/2013
redacao 29/08/2013

A Associação Brasileira de Franchising (ABF) anunciou no início de março os números consolidados sobre o desempenho do segmento em 2012. O faturamento total ficou na casa dos R$ 103 bilhões, crescimento 16,2% superior ao de 2011. Há quase uma década, ano a ano, o franchising tem performance positiva diversas vezes superior ao desempenho do PIB nacional que, em 2012, foi de 0,9%, conforme divulgado pelo IBGE.

De acordo com o estudo realizado anualmente pela ABF, o franchising brasileiro gerou em 2012 mais de 103 mil novos empregos diretos, crescimento de 12,3% em relação ao ano anterior e totalizando 941 mil empregados. Em número de redes, cresceu 19,4%, saltando de 2.031 marcas, em 2011, para 2.426 em 2012. Já em relação ao número de unidades ou pontos, o segmento expandiu de 93.098 no ano de 2011, passando para 104.543 em 2012.

Para 2013, a expectativa é crescer 16% em faturamento, 9% em novas redes e 11% em novas unidades. A ABF projeta ainda mais de 11% de crescimento na geração de novos postos de trabalho para este ano.

O setor que mais cresceu em faturamento foi Hotelaria e Turismo, com 97,8%. Logo em seguida vieram Limpeza e Conservação, com crescimento de 44,5%, e Informática e Eletrônicos, com 32,5%. Por outro lado, os setores com menor desempenho foram, pela ordem, Fotos, Gráficas e Sinalização, com expansão de 1,6%; Negócios, Serviços e Outros Varejos, setor líder em faturamento, mas com apenas 2,6% de crescimento; e Educação e Treinamen to, com 10,3%.

Para Cristina Franco, presidente da ABF, os números revelam a maturidade conquistada pelo franchising. “Crescer acima de 10% a 15% todos os anos, um sobre o outro, há quase uma década, revela a solidez adquirida pelo segmento. Se fôssemos um país, nosso crescimento seria mais do que o dobro do da China, um fenômeno em matéria de desempenho”, comemora a presidente. Na opinião de Ricardo Camargo, diretor-executivo da entidade, é considerado normal que o comportamento do setor de Fotos, Gráficas e Sinalização tenha tido uma performance tão tímida, já que há uma mudança comportamental mundial do consumidor neste ramo. “As pessoas estão deixando de revelar e imprimir suas fotos e imagens fora de casa, estão fazendo isso em equipamentos caseiros, impactando diretamente no modelo do serviço. Certamente haverá uma migração, uma transformação neste formato”, prevê.

Por outro lado, a ABF considerou extremamente positiva a explosão do setor de Hotelaria e Turismo (97,8%), bem como de Limpeza e Conservação (44,5%), ou mesmo de Informática e Eletrônicos (32,5%). “Assim como a vida moderna impactou negativamente na área de fotografia e gráficas, acabou permitindo um amplo crescimento em turismo, serviços e equipamentos eletrônicos. No caso de Limpeza e Conservação, podemos dizer que o fato de a mulher estar definitivamente trabalhando fora de casa e a elevação no valor dos salários das domésticas foram determinantes na expansão das franquias de lavanderias, como 5àSec e DryClean USA. Já no caso de Hotelaria e Turismo, o que motivou, especialmente, a expansão atípica desta categoria foi o ingresso de novos players como a CVC, por exemplo, que adotou o formato de franchising, trazendo consigo cerca de 700 novas unidades e um faturamento agregado considerável”, avalia o diretor. Em Informática e Eletrônicos, ainda segundo Camargo, o que motivou a forte aceleração de 32,4% foi a entrada de fabricantes de equipamentos ou operadoras de telefonia expandindo suas operações pelo formato de franquias, caso da Nokia, Samsung e Oi Franquias.

Avaliando o desempenho dos números por quantidade de novas redes ou marcas, não se constata uma explosão tão acentuada em nenhuma das categorias avaliadas, mas observa-se que o setor de Hotelaria e Turismo lidera o crescimento. “Como o franchising já está maduro, estabelecido, e tínhamos, até o ano passado, mais de 2 mil redes, é um crescimento bem alto termos 19,4% em novas marcas. Saltamos de 2.031 para 2.426. Este comportamento positivo pode ser explicado pelo ingres so de negócios que foram convertidos para o nosso formato. Também por marcas que realmente nasceram durante o ano passado, ou mesmo por redes que não apareciam, ainda não eram captadas por nossos radares e passaram a despontar em 2012”, comenta a presidente. Também surgiram novos negócios em agências de intercâmbio ou redes de hotelaria, como o Grupo Wyndhan, rede americana que já surgiu com 15 unidades.

No caso de Limpeza e Conservação, segunda categoria com destaque em expansão de redes (29,3%), diversas novas marcas ingressaram no sistema, como foi o caso de Maricotinha Arranjos de Roupas, Arranjos Express (marca nascida em Portugal) e diversas outras que esperam prosperar com o setor de atuação. No segmento de Móveis, Decoração e Presentes, com elevação de 25%, nota-se que segue forte a movimentação em franquias de colchões, com novas marcas entrantes, como a Castor, Premier e outras.

Ainda avaliando o estudo pelo comportamento de novas redes, Ricardo Camargo chama a atenção para a categoria de Alimentação, uma das mais pujantes e consolidadas do franchising e primeira colocada em número de redes. “Em 2012 tivemos a entrada de uma quantidade bem significativa de marcas internacionais, como o caso da Papa John’s Pizza, Carl’s Jr, Johnny Rockets, Quizno’s, Chilis, MySandwich. Das nacionais, destaque para a Tostex, marca do Grupo Giraffas, e Box 30, do grupo Habib’s”, afirma Camargo.

 

Na comparação dos dados por número de unidades, cabe destacar que houve uma considerável recuperação do mercado em relação a 2011 por conta da desaceleração no aumento dos aluguéis de imóveis comerciais. Saltamos de um baixo crescimento de 7,8% em 2011 para 12,3% em 2012. Graças a esta acomodação no mercado imobiliário, o franchising pulou de 93.098 pontos para 104.543 unidades.

Quando se analisam os primeiros colocados neste quesito, a liderança fica ainda mais acentuada no caso da categoria de Hotelaria e Turismo, com uma expansão de 113,9% em relação a 2011. Conforme mencionado anteriormente, quando avaliado no faturamento, o excelente desempenho desta categoria pode também ser atribuído ao crescimento constante de marcas abrindo muitas unidades, como a TAM Viagens, por exemplo, o que contribui para puxar para cima o desempenho deste setor. Em Informática e Eletrônicos, o crescimento de 39% pode ser justificado pela abertura de muitas unidades pela Samsung e Oi Franquia. Já em Móveis, Decoração e Presentes, destaque para as lojas de colchões que continuam abrindo grande quantidade de pontos.

 

Microfranquia

Os negócios enquadrados como microfranquia, aqueles com investimento inicial de até R$ 50 mil e faturamento mensal máximo de até R$ 30 mil, tiveram um crescimento considerado estável, quando comparado ao universo das franquias tradicionais. Em faturamento, as microfranquias cresceram 22% em 2012 sobre 2011, saltando de R$ 3,7 bilhões para R$ 4,5 bilhões. Em número de redes, saltou de 336 para 368, uma evolução de 10% de 2011 para 2012. Já em unidades, pulou de 12.561 para 13.352 – uma expansão de 6%.

Na participação percentual em relação às franquias tradicionais, em 2012 as microfranquias representaram uma parcela de 4,4%. Em 2011, esta participação era de 4,2%. No caso das marcas, a participação era de 17% em 2011 e, em 2012, caiu para 15,2%. Já no número de unidades a participação era de 13,5% em 2011 e diminuiu para 12,8% em 2012.

Para a ABF, este comportamento se justifica por certa acomodação no surgimento de novos negócios, bem como pela evolução de algumas marcas. “Muitos negócios, que eram enquadrados como microfranquias, evoluíram e deixaram de ser, quer seja pelo faturamento ou mesmo por um crescimento atípico nesta categoria nos anos anteriores. Era natural esta acomodação”, finaliza Camargo.

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