Última edição Edição 263 March 2017 Assine

Gisele Bündchen vira marca de roupa íntima

redacao 13/05/2011
redacao 13/05/2011

Fabricante Hope firma contrato de licenciamento com a modelo para coleção de apelo sensual, diferente do estilo ‘básico’ associado à marca

A empresa de lingerie Hope vai usar uma linha assinada pela modelo Gisele Bündchen para aumentar a sensualidade de seus produtos: inspirada no estilo Victoria’s Secret, a coleção Gisele Bündchen Brazilian Intimate vai trazer para as franquias da marca e para outros 2 mil pontos de venda no País um estilo muito além do produto prático e "básico" geralmente associado à Hope.

 

As calcinhas, corpetes e camisolas da coleção da modelo mais bem paga do mundo – segundo a revista Forbes, Gisele faturou US$ 45 milhões no ano passado – vão custar o dobro das peças tradicionais da Hope. Uma calcinha "by Gisele" sairá por R$ 40, enquanto o desembolso por um sutiã será de pelo menos R$ 100. Os produtos estarão disponíveis a partir do dia 25.

Há dois anos, numa tentativa de sofisticar a marca, a Hope contratou Gisele Bündchen como garota-propaganda. Desde então, diz o diretor comercial da empresa, Carlos Eduardo Padula, as partes passaram a discutir o lançamento de uma coleção com o nome da modelo. Para o mercado de marketing, a linha pode dar o empurrão que faltava numa nova possibilidade para a carreira de Gisele: o licenciamento de produtos.

Segundo o executivo, essa é a primeira vez que a modelo lança uma marca própria, sem associação com alguma empresa de renome – caso da linha de roupas que ela desenhou para a C&A ou dos chinelos Ipanema Gisele Bündchen.

A marca de lingerie da modelo não virá "endossada" pela Hope, embora a empresa seja a responsável pela produção e distribuição da coleção – Gisele, além de aprovar o produto, deverá ficar com 10% das vendas, algo comum em contratos de licenciamento no País. O contrato de dois anos permite à Hope lançar seis coleções com a marca da modelo – a linha deverá ser trocada a cada quatro meses.

Quem está esperando que a Brazilian Intimate seja um retorno de Gisele aos catálogos no estilo Victoria’s Secret – marca para a qual a brasileira fotografou e desfilou até três anos atrás – vai se decepcionar. Para não confundir o público, a modelo optou por não aparecer nas fotografias do catálogo da própria marca. Em fotos, ela continuará usando as linhas mais discretas da Hope. O contrato para publicidade com a companhia continua em paralelo à parceria comercial. Ou seja: na relação com a empresa, Gisele vai receber duas vezes.

A relação mais estreita com a modelo vem em uma fase de franca expansão para a Hope: a empresa pretende abrir 60 novas franquias exclusivas da marca até o fim do ano, fechando o ano com 115 lojas. Embora as franquias representem somente 12% das vendas da Hope, Carlos Padula afirma que elas têm uma função de laboratório. "É onde conseguimos oferecer todo o nosso portfólio de produtos, para que a consumidora saiba tudo o que fazemos", explica.

O executivo diz que muitas das decisões da empresa nos últimos anos tiveram origem no contato com a consumidora nas lojas próprias. Entre os produtos introduzidos no mercado recentemente estão a linha praia, feita internamente, e uma pequena variedade de cosméticos terceirizada. "Ainda não compramos a briga dos biquínis. A linha está disponível só nas franquias. Quando formos para o mercado multimarca, teremos de disputar com a Salinas, a Rosa Chá e a Marítima", explica.

Potencial. Com o elemento de sofisticação que traz às marcas relacionadas à sua imagem, especialistas em licenciamento dizem que Gisele tem cacife para endossar diversos tipos de produtos, a exemplo do que fazem hoje celebridades como as apresentadoras Eliana, Hebe e Ana Hickmann. Estima-se hoje que os produtos relacionados às duas primeiras faturem cerca de R$ 50 milhões ao ano. Já Ana, que empresta seu nome a várias linhas de produtos – e mantém até uma loja virtual própria – movimentaria um valor bem maior.

De acordo com Maurício Tavares, diretor da Agência Tass, a celebridade tem uma "margem de segurança" ao aceitar receber um porcentual da venda de um produto. Na assinatura do contrato, determina-se uma previsão de vendas. Mesmo que o produto decepcione no mercado, o licenciante terá essa remuneração garantida.

 

Comentar

Os itens com asterisco (*) são obrigatórios. Seu e-mail não será publicado.