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Indústria perde participação no PIB por falta de investimento em inovação

redacao 10/12/2009
redacao 10/12/2009

As empresas brasileiras têm investido mais em inovação. No entanto, ainda é relativamente baixa a quantidade de companhias que realmente adotam medidas voltadas para inovação de produtos e processos, em relação ao total da indústria de transformação. A proporção é de um quarto. Ou seja, somente duas a cada dez indústrias de transformação realizaram em 2005 algum tipo de inovação.

A constatação é do estudo "Principais características da inovação na indústria de transformação no Brasil", realizado pelo presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Marcio Pochmann, e pelo diretor de Estudos Setoriais, Marcio Wohlers, e divulgado pela entidade nesta quarta-feira (28).

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Queda na participação do PIB

A pesquisa mostra que o quadro é preocupante. Para se ter uma idéia, entre 1950 e 1980, a indústria de transformação aumentou a sua participação relativa em 86,1% no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Correspondia a 19,3% do PIB em 1950 e passou para 35,9% em 1980. Nesse meio tempo, também foi registrado aumento de 36% no número de trabalhadores do setor na ocupação total (de 12,8%, em 1950, para 17,4% em 1980).

Entretanto, entre 1985 e 2007, a participação da indústria de transformação no PIB foi reduzida a menos da metade, passando de 35,9% para 17,6% do valor adicionado. O estudo diz que "o resultado só não foi pior porque, desde a última mudança importante do regime cambial, em 1999, a indústria recuperou 13% de sua participação relativa no valor agregado nacional".

Em 2007, o peso da indústria de transformação no PIB foi 7,9% inferior ao registrado em 1950, embora tenha sido superior ao percentual verificado em 1998, ano que registrou a pior relação indústria/PIB dos últimos 57 anos (com apenas 15,7% do valor adicionado anual). A pesquisa ainda salienta que, em 2005, menos de 46% dos recursos mobilizados pelas empresas industriais para inovação tecnológica encontraram-se orientados a atividades internas de pesquisa e tecnologia associadas, ao passo que, em 1985, quase 83% do total dos dispêndios eram alocados em P&D.

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Inovação contida no Brasil ante países da OCDE

Comparando-se o conjunto de países que constituem a OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), verifica-se que, no Brasil, a participação dos recursos dirigidos à Pesquisa e Tecnologia, em relação à receita líquida das empresas, tem sido baixa.

Em geral, as empresas inovadoras brasileiras investem apenas 0,6% de toda a receita líquida de vendas, um terço do que se verifica na média dos países da OCDE, que direcionam 1,8%.

Além dos recursos insuficientes, o Ipea alerta que parece prevalecer, no Brasil, "a adoção de estratégias de inovação imitativas, em geral dependentes da contínua aquisição externa à própria firma para atender as condições necessárias ao avanço do desenvolvimento tecnológico. Com isso, parte considerável dos recursos com inovação resulta da compra de máquinas e equipamentos, bem como de serviços de terceiros, sem vinculação com atividades internas de inovação, o que indicaria o quanto o país continua sendo demarcado por "ilhas de excelências" de grandes e poucas empresas, muitas vezes desconectadas do conjunto das demais firmas do setor".

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