Inflação de países desenvolvidos vai a 4,8% em julho

redacao 10/12/2009
redacao 10/12/2009

A inflação nos países desenvolvidos segue em elevação. Estatísticas divulgadas nesta terça-feira, 2, pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, indicam que a variação dos preços no grupo de 30 países mais ricos entre julho de 2008, em relação a julho de 2007, foi de 4,8%. O índice aponta alta frente aos 4,4% verificados na comparação anterior, entre junho de 2008 e junho de 2007. Nos Estados Unidos, a alta foi de 5,6%, enquanto na região do euro e no Japão a tendência indicou aceleração de 4,1% e 2,3%, respectivamente.

Os indicadores apontam que a pressão inflacionária continua a ser resultado, basicamente, dos preços da energia e dos alimentos. O principal fator foi a variação da energia, que subiu 22,5% entre os meses de julho de 2007 e 2008. Na avaliação anterior, em junho, a alta havia sido de 19,3%. Também os preços dos alimentos seguem a tendência de alta: 7,2% em julho, frente a 6,5% em julho. Fora os dois critérios – energia e alimentos -, a inflação teria se mantido quase estável: de 2,3% em julho, frente a 2,2% em junho.

Nos Estados Unidos, epicentro da crise de créditos imobiliários de alto risco, o índice de preços ao consumo aumentou 5,6% nos últimos 12 meses encerrados em julho, frente a 5% em junho.

Na região do euro, a taxa voltou a quebrar o recorde histórico desde a implantação da moeda, em janeiro de 2002, mas ficou próxima do índice anterior. A variação foi de 4,1%, frente a 4% em junho. Se extraído do cálculo o preço da energia e da alimentação, o cenário é mais animador: 1,7% de inflação em julho, inferior ao 1,8% registrado em junho. Na região, a Itália atingiu o índice mais preocupante: 4,1% no período. Na França e na Alemanha as altas foram de 3,6% e 3,3%, respectivamente.

Já no Reino Unido, fora da região euro, a progressão foi de 4,1%. Houve aceleração também no Japão, onde a variação dos preços foi de 2,3%, contra 2%.

O impacto da crise internacional sobre o crescimento também segue notável, segundo reforça o levantamento da organização. Exceção feita aos Estados Unidos, que apresentou crescimento de 3,3% no segundo trimestre, os países OCDE enfrentaram recessão. Na região do euro, houve recuo de 0,8%, enquanto no Japão a queda foi acentuada: 2,4%.

Os dados forçaram a organização a rever suas estimativas de crescimento. Para os Estados Unidos, a nova previsão de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) é de 1,8% em 2008, frente a 1,2% inicialmente estimado. Já na região do euro, a perspectiva é inversa: a evolução do PIB deve ficar em 1,3%, frente aos 1,7% previstos. Jean-Luc Schneider, diretor-adjunto do Departamento Econômico da OCDE, indicou que os países do euro e o Reino Unido deverão enfrentar estagnação econômica até o final do ano. Entre as causas está o fraco desempenho das exportações, impactadas pela moeda forte.

Emergentes puxam crescimento global

Apesar das cifras, o economista-chefe interino da OCDE, Jorgen Elmeskov, não foi totalmente pessimista. Ele indicou que, se os preços das matérias-primas se mantiverem nos níveis recentes, pode-se esperar a moderação dos índices de inflação global. "O preço do petróleo está em baixa em relação aos picos atingidos em meados do ano, em razão da diminuição da demanda e da produção recorde nos países exportadores de petróleo", disse Elmeskov. Já o preço dos alimentos, entende, dá sinais de ter atingido a estabilidade, ainda que em níveis elevados.

O relatório da OCDE aponta ainda que a instabilidade nos mercados de capitais, nos mercados imobiliários e a pressão sobre os preços das matérias-primas não permite prever a profundidade da crise financeira internacional e não descarta novas perdas nas operações de financiamento imobiliário e na construção. Porém, Elmeskov faz uma ressalva positiva sobre o crescimento global, baseada na evolução de países em desenvolvimento: "No segundo trimestre, haverá crescimento bem mais forte do que o esperado em países não-membros, como a China e a Índia, e por isso teremos de rever a alta do crescimento anual prevista inicialmente".

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