Internet das Coisas vai transformar nosso cotidiano movimentando US$ 11,1 tri até 2025

Todos os objetos da vida cotidiana começarão a estar conectados à internet de modo inteligente e sensorial e precisamos estar preparados para essa revolução

Marlon Aseff 24/10/2017
Marlon Aseff 24/10/2017

Uma nova e nem tão silenciosa revolução está prestes a mudar os conceitos que tínhamos até aqui sobre produtos industriais, da maneira como os conhecíamos desde décadas passadas e até mesmo desde os primórdios da revolução industrial. A chamada Internet das Coisas (IoT – Internet of Things) transforma radicalmente os usos de eletrodomésticos, máquinas industriais e serviços diversos, através da comunicação ininterrupta e troca de dados, a serviço de uma interatividade nunca vista até hoje.

Aliada a Internet Industrial essa mudança vai afetar hábitos e modos de consumo e produção. Cozinhas inteligentes, casas conectadas e uma imensa série de subprodutos industriais serão estrelas desse novo padrão de consumo nos próximos anos. Essa verdadeira revolução industrial já está presente em protótipos de linhas de montagem automotivas, sistemas de geração e distribuição de energia, comunicações, saúde, entre inúmeros outros ramos industriais, que serão cada vez mais impactados com um novo crescimento econômico. Com a mudança, o impacto econômico também deverá ser enorme.

Um estudo realizado pela consultoria McKinsey estimou que o impacto econômico da Internet das Coisas poderá alcançar entre 3,9 a 11,1 trilhões de dólares em 2025. Um impacto substancial desde que o termo foi utilizado pela primeira vez, em 1999, por Kevin Ashton, pesquisador britânico do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Flavio Maeda, presidente da Abinc (Associação Brasileira da Internet das Coisas), criada em 2015, assegura que estamos começando a viver o capítulo final da revolução digital que nos últimos 20 anos vem transformando radicalmente diversos setores da economia. Segundo ele, a criação da Associação reflete a urgência, a complexidade e amplitude que o tema da Internet das Coisas carrega. “Para começar, IoT não é o nome de uma tecnologia, mas sim uma denominação guarda-chuva, que abrange várias tecnologias complementares e habilitadoras de Internet das Coisas, por isso a Abinc visa promover o rápido desenvolvimento do ecossistema de empresas de tecnologia que juntas cobrem, de ponta a ponta a IoT, começando pelos hardwares, dispositivos e sensores que conectam as coisas à Internet, passando pelas tecnologias de telecomunicações (redes e conectividade), chegando às plataformas e aplicações de IoT rodando em servidores em nuvem, até ferramentas e algoritmos de processamento automático da grande quantidade de dados gerados pelas coisas conectadas, utilizando tecnologias de Big Data e Artificial Intelligence”, define.

Por outro lado, acrescenta, o tema também é amplo no sentido do alcance do impacto dessas novas tecnologias em todas os setores de negócios e na sociedade em geral. Com a chegada da Internet no mundo físico, nenhuma área estará a salvo da transformação digital. “Quem poderia prever que os motoristas de táxis brasileiros estariam preocupados com a perda de clientes para uma startup do Vale do Silício que conecta motoristas a passageiros utilizando internet em celulares?”, questiona.

O futuro, segundo ele, vai agregar através da IoT a transformação de modelos de negócios em verticais como Varejo, Saúde, Transporte e Logística, Energia, Agronegócio, entre outros. Para enfrentar esse desafio a Abinc está organizada em quatro frentes estratégicas: Fortalecimento do Ecossistema de IoT no Brasil, Geração de Demanda de IoT em todas as áreas sensíveis, apoiar a formação de recursos capacitados para atuar com essas novas tecnologias, através da Educação, e representação do setor de Internet das Coisas junto ao governo.

“Ao longo de 2017, a ABINC irá focar na criação e consolidação de Grupos de Trabalho, por vertical de negócio, reunindo especialistas na aplicação da tecnologia em cada área, com os executivos de empresas do setor, para que juntos eles possam determinar como as tecnologias podem resolver problemas e desafios, promover ganhos de eficiência e redução de custos. Isso tem que ser feito por vertical, pois cada uma tem seus próprios desafios e estão em estágios diferentes de maturidade em relação ao emprego de tecnologia nos negócios”, define Maeda.

O estágio de desenvolvimento de uma rede de IoT direcionada aos consumidores está em um patamar mais avançado no país, assegura Maeda, e com uma defasagem menor em relação à Europa e Estados Unidos. Já o que diz respeito aos negócios (B2B) ainda passa por uma fase de experimentação.  “Temos visto muitas empresas, de vários setores, em fase de implantação de projetos pilotos e provas de conceitos, com poucos projetos em escala comercial. Obviamente, em cada vertical, sempre existem os Early Adopters, empresas que estão alguns passos à frente das outras no que diz respeito à inovação tecnológica”, explica.

Segundo do diretor da Abinc, uma grande promessa para esse mercado são as novas redes de conectividade, conhecidas como LPWA (Low Power Wide Area). Essas redes permitem conectar a um custo muito baixo sensores e dispositivos que necessitam enviar uma pequena quantidade de dados e não necessitam estar conectados o tempo todo à internet.

Essa nova área tem sido chamada de Internet das Pequenas Coisas (ou IOST – Internet of Small Things) e promete viabilizar muitos casos de uso que até então não eram possíveis porque a conta não fechava, o custo de implantação era superior ao benefício gerado, utilizando tecnologias tradicionais de conectividade como, por exemplo, redes de telefonia celular.

Estima-se que 60% a 80% dos casos de uso irão utilizar redes como LORA, SIGFOX, NB-IOT que são redes do tipo LPWA. Entretanto, adverte Flavio Maeda, essas redes no Brasil estão em estágio inicial de implementação e difusão, diferentemente do que ocorre em países europeus, como França e Holanda, ou os EUA, que já possuem redes LPWA operando em escala comercial com cobertura nacional.

A força das startups

Com a chegada da Internet no mundo físico, nenhuma área estará a salvo da transformação digital. Flavio Maeda, presidente da Associação Brasileira da Internet das Coisas

No desenvolvimento desse novo mercado, as startups são fundamentais por vários motivos. Primeiramente porque o custo da inovação dentro de grandes empresas é muito alto, principalmente em épocas de restrição econômica como a que o país atravessa no momento. Essa é a primeira área a sofrer cortes. “Além disso, o ambiente interno de grandes empresas não é muito amigável a inovações tão disruptivas como IoT, principalmente quando as mesmas alteram consideravelmente os modelos de negócios da empresa, ameaçando áreas internas de maior força e poder nas corporações. Por isso grandes empresas brasileiras já vêm há algum tempo experimentando a estratégia de Open Innovation, abrindo aceleradoras com programas de apoio e investimento em startups que atuem em áreas correlatas ao negócio da empresa”, diz o executivo da Abinc.

Empresas como Porto Seguro, Telefônica, Monsanto e Intel já iniciaram programas de aceleração de startups voltadas ao segmento de Internet das Coisas. Dessa forma, grandes empresas incentivam a inovação por meio de capital, conhecimento de negócios (mentoria e coaching de empreendedores) e geração de negócios, sendo que em muitos casos as grandes empresas se tornam sócias ou clientes das startups.

Outro motivo que alavanca a participação fundamental das startups nesse mercado emergente é devido à amplitude que possui o ecossistema de IoT. Isso faz com que sejam necessárias muitas empresas que atuem em diferentes partes das soluções, o que abre um campo grande para projetos emergentes. Tudo isso levando-se em conta que a IoT permite a criação de negócios totalmente novos, como o Uber, por exemplo, tronando-se uma grande oportunidade para quem deseja empreender criando novas empresas.

Finalmente, uma nova geração de profissionais que está entrando no mercado de trabalho não se sente tão atraída pela proposta de carreira profissional em grandes empresas e são seduzidas pelo empreendedorismo. “Internet das Coisas está muito ligada à cultura Maker e do DYI (Do-it-yourself ou faça você mesmo), o que acaba sendo uma ponte para muitos jovens que se sentem capacitados em empreender”, diz Flávio Maeda.

Isso reforça o posicionamento da Abinc, que tem como associados muitas startups, realizando assim uma ponte entre o mercado, que os procura por orientação sobre como inovar usando Internet das Coisas, e as startups, que dominam a tecnologia, são ágeis, possuem baixo custo, mas muitas vezes não tem muito conhecimento em modelos de negócios ou sobre como fazer negócios com grandes empresas.

Um bom exemplo da inserção fundamental das startups nesse mercado emergente é a catarinense Chipus Microeletrônica, criada em março de 2009 em Florianópolis, especializada no desenvolvimento de projetos e customização de projetos de circuitos integrados (chips) e licenciamento de IPs (Intellectual Property).

Com forte atuação no mercado internacional e experiência em projetos de circuitos integrados com baixo consumo, a empresa comandada por Murilo Pessatti está dialogando com players estratégicos do mercado brasileiro para entender as necessidades, desafios e oportunidades em IoT/Indústria 4.0, além de analisar de que forma seu background e soluções desenvolvidas podem contribuir para o sucesso do plano nacional para o setor.

A empresa participou em fevereiro de 2017 do evento “Laboratórios do Futuro: Aspirações em IoT para o Brasil”, iniciativa que fez parte do estudo “Internet das Coisas: um plano de ação para o Brasil”, liderado pelo BNDES, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia. Na ocasião, líderes empresariais, entidades e especialistas em políticas públicas se reuniram para propor um plano de ação estratégico para o país, com foco no segmento de Internet of Things (IoT).

De acordo com Roberto Matsubayashi, diretor técnico da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, o mundo vive hoje um momento de explosão no desenvolvimento de dispositivos, aplicativos e plataformas na nuvem em torno do conceito da Internet das Coisas. O que deve acontecer agora é um amadurecimento dessas aplicações integradas a outras plataformas, como de Analytics e Big Data, além de Inteligência Artificial. A consequência dessas mudanças, na melhor das perspectivas, será agregar eficiência e produtividade para as empresas, além de personalização de processos e mais comodidade para as pessoas.

A GS1, afirma Matsubayashi, está envolvida com o conceito de Internet das Coisas desde o seu nascimento e agora vive um novo momento, com a massificação da utilização de dispositivos RFID e soluções que aplicam o código de barras GS1 DataMatrix. De fato, o desenvolvimento de máquinas inteligentes e a internet 4.0 está alavancando uma nova indústria, junto à queda no preço de sensores e microcontroladores, aliadas à popularização de redes sem fio. “Mas para que essa indústria deslanche, depende muito mais da instalação da infraestrutura de leitura ou comunicação com estes dispositivos e a abundância de aplicações que tragam benefícios aos negócios e às pessoas”, avalia.

Segundo o diretor da GS1, as tecnologias mais demandadas estão todas interconectadas à rede Internet. “Desta forma, além das soluções de identificação e captura, estamos trabalhando na frente de digitalização das relações, sejam com os padrões de intercâmbio de informações EDI, a criação de cadastro de produtos utilizando a ferramenta na nuvem CNP – Cadastro Nacional de Produtos, o EPC-IS que é uma forma padronizada de captura das leitura dos dispositivos RFID e sensores que facilitam aplicações de Analytics e assim por diante”, enfatiza.

Para a indústria, o desafio de coordenar esse campo novo, através de ações voltadas à integração, controle e conexão entre sistemas e processos está sendo implementado com a recente criação da ABII (Associação Brasileira de Internet Industrial).

De acordo com Luciano Lopes, gerente sênior de TI da Embraco, um dos pontos que fizeram com que a empresa participasse como cofundadora da ABII foi à oportunidade de discutir e compartilhar os desafios, aprendizados e iniciativas ​para inspirar o uso da tecnologia embarcada em produtos. Projetos em diversas áreas, como Manufatura, com a implementação do MES (Manufacturing Execution System), P&D, com o projeto de PLM (Product Lifecycle Management), TI (Sistemas de Analytics) e Novos Negócios, contemplando as plantas da empresa no Brasil e no exterior fazem parte desse novo pacote de alta tecnologia que está por se consolidar.

Recentemente, a fim de reunir todas estas práticas, foi criado um comitê interno sobre o tema, visando compartilhar experiências de cada área, promover sinergias e assim aumentar impactos positivos. “Estamos constantemente investindo em tecnologias e estratégias que gerem valor aos nossos clientes e, consequentemente, à sociedade. Na Embraco, a discussão sobre como incentivar a internet industrial começou há pelo menos quatro anos e continua atual e importante. O tema muda a forma como nos relacionamos com as pessoas, com os dados e com ​nossos clientes. Percebemos um envolvimento crescente de empresas e instituições, de segmentos diferentes, estimulando a troca de conhecimento”, define Lopes, que conceitua a Internet Industrial como um processo em permanente transformação. “A previsão é de que tenhamos, em todo o mundo, 50 bilhões de novos dispositivos conectados até 2020. Isso possibilitará novos produtos e serviços revolucionários que poderão criar novos mercados e mudar a forma como o mundo funciona”, assegura.

Mas se o alinhamento ao conceito ainda é recente no meio industrial, não há dúvidas de que se trata de um caminho sem volta. Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 58% das indústrias brasileiras reconhecem a importância do uso de tecnologias digitais para a competitividade, ou seja, uma parcela expressiva – no entanto, menos de metade as utiliza de alguma maneira em sua produção.

Segundo Luciano Lopes, a chamada Internet 4.0 representa uma forma de se abastecer de informações geradas por dispositivos conectados em redes, que vai gerar uma grande massa de informações que extrapola o conceito de Internet das Coisas. “A quantidade de informações geradas hoje em dia é tamanha que se tornou impossível manejar tudo isso apenas com a mente humana. É necessário, portanto, dispor de máquinas e equipamentos conectados para gerenciamento”, diz.

Segundo ele, a utilização de tecnologias para manufatura na Embraco é algo que faz parte do DNA da companhia há bastante tempo e continua atual e importante. No caso da Internet Industrial, e empresa entende que isso afeta e melhora a forma como se relaciona com as pessoas, com os dados e com​ os clientes. É o valor da inovação, que sustenta a capacidade de produzir mais e melhor. Para isso, a empresa conta com mais de 40 laboratórios de ponta, além de parcerias estratégicas com universidades e institutos de pesquisa em vários países, com mais de 600 profissionais dedicados a esse tema no mundo – sendo 120 parceiros em universidades. O resultado disso pode ser medido pelo fato de que a Embraco tem vigentes 1.700 patentes depositadas mundialmente, em mais de três décadas de investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento.

O exemplo da Coreia

O mundo vive hoje um momento de explosão na nuvem em torno da Internet das Coisas, a consequência será agregar eficiência e produtividade às empresas. Roberto Matsubayashi, diretor técnico da Associação Brasileira de Automação – GS1 Brasil

No Brasil, o governo está elaborando um “Plano Nacional de Internet das Coisas”, por meio de um consórcio de empresas liderado pela consultoria de estratégia Mckinsey e pelo CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), que foram contratados por meio de uma licitação conduzida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e BNDES. “O objetivo do plano nacional de Internet das Coisas será definir áreas de atuação do Brasil, pois como é um tema muito amplo, para que o país seja bem sucedido é preciso definir um foco, o que vai ser feito levando em consideração áreas em que o Brasil já possui competência comprovada, como o agronegócio, um grande mercado interno, já que para IoT deslanchar é preciso ter escala, ou áreas com grandes problemas ou deficiências que podem ser resolvidas ou amenizadas com o uso dessas tecnologias, como a baixa produtividade da indústria brasileira, o problema de mobilidade urbana em grandes centros, segurança pública, entre outros grandes problemas nacionais”, define Flavio Maeda.

Como um exemplo de uma atitude governamental pró-ativa foi uma medida adotada na Coreia do Sul para favorecer a expansão de redes do tipo LPWA. O South Korean Ministry of Science decidiu ajustar a potência máxima de transmissão permitida para a faixa de frequências não licenciada no país após intensos estudos e testes que envolveram as operadoras de telecomunicações, empresas de IoT e a National Radio Research Agency.

Essa medida visa estimular o desenvolvimento econômico da Internet das Coisas no país e baseia-se no fato de que quanto maior a potência maior o alcance da rede e menor o investimento em infraestrutura necessário, acelerando a implantação de redes de IoT. O resultado esperado dessa medida é uma redução de 70% no custo de instalação das redes LPWA de IoT no país. Como resultado dessa medida, a empresa SK Telecom implantou uma rede LPWA cobrindo todo o país, em apenas três meses, pois identificaram que esse é um mercado de 2 bilhões de dólares na Coreia do Sul.

A Coreia do Sul serve como exemplo de país que com visão de futuro, planejamento e investimentos corretos em educação e infraestrutura soube aproveitar a janela de oportunidade dos anos 70 para se tornar um grande player mundial da indústria eletroeletrônico. Agora deseja fazer o mesmo no nascente mercado de IoT. Em dezembro de 2016, o Grupo de Trabalho da Abinc, criado para as tecnologias LPWA, realizou um estudo sobre o marco regulatório brasileiro atual para tecnologias LPWA.

No Brasil, ao contrário da Coreia do Sul e em outros países do mundo, parte da faixa de frequências não licenciadas (o chamado espectro de radiação restrita) foi transferido para a telefonia móvel celular, gerando um grande obstáculo para a expansão de redes LPWA no Brasil. “Esperamos que esse exemplo vindo da Coreia do Sul sirva para abrir os olhos das nossas autoridades governamentais para a importância e urgência do tema, de forma que o Brasil não perca “o bonde da história” antes que mais uma janela de oportunidade se feche. Vamos esperar o que vem no Plano Nacional de Internet das Coisas que está em gestação ao longo de 2017 para ver o que acontece”, avalia Flavio Maeda.

O certo é que a Internet das Coisas é uma tendência irreversível, porém ainda é difícil prever o futuro em se tratando de tecnologias emergentes. O que é certo é que IoT já transformou radicalmente diversos segmentos da economia, e agora chega a mercados que até então se consideravam blindados, pois tinham uma dependência tecnológica baixa. Como a tecnologia da informação tem feito desde os anos 60, o futuro promete novos saltos de produtividade e eficiência, por meio da eliminação de intermediários, simplificação da cadeia de suprimentos, redução de custos operacionais e novos modelos de negócios baseados em serviços de alto valor agregado.

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