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Lojas populares e estrangeiras mudam perfil

redacao 07/07/2011
redacao 07/07/2011

Depois de atrair lojas de marcas populares como Marisa e Renner e mais recentemente a Brooksfield, a av. Paulista, na região central de São Paulo, pode ganhar a primeira loja da rede de roupas japonesa Uniqlo no Brasil.

A marca, uma da mais valiosas do Japão, já anunciou há cerca de um ano que tem planos para se instalar no país.

Outra empresa de varejo brasileira negocia um espaço com imobiliárias que atuam na região para abrir as portas em breve na avenida.

No ramo de alimentação, o restaurante Outback, especializado em pratos à base de carne, também tem intenção de se instalar na via, segundo apurou a Folha. A rede não confirma oficialmente. Hoje já são 15 os estabelecimentos de fast food que se instalaram na avenida e nas suas imediações.

Estima-se que 1,5 milhão de pessoas circulem por dia pela avenida Paulista, sendo que quase 60% delas (883 mil) trabalham na região.

"Aos poucos, antes mesmo da inauguração do shopping na esquina da Pamplona, o antigo reduto financeiro da capital paulista está abrindo espaço para a abertura de novas unidades de grandes redes varejistas. Renner e Marisa saíram na frente. Acho que muito em breve teremos outras lojas de departamentos instaladas na avenida. Há dez anos era impensável esse movimento empresarial, de desalojamento bancário para a região da Berrini e efetiva apropriação do espaço da Paulista pelo varejo", diz Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto Data Popular.

PERFIL

O perfil dos frequentadores justifica a abertura de mais negócios voltados não só para o consumo de bens duráveis, mas também para venda de serviços relacionados a turismo. Um quarto dos entrevistados (25%) que frequentam a avenida pretendem viajar para o exterior nos próximos 12 meses. O número é quatro vezes maior do que o de moradores da região metropolitana.

Pesquisa feita em junho pelo Data Popular, a pedido da Folha, mostra que os consumidores que frequentam a via compraram dez vezes mais roupas que os moradores da Grande São Paulo nos últimos 30 dias. Adquiriram seis vezes mais eletroeletrônicos nos últimos três meses e viajaram de avião duas vezes mais nos últimos 12 meses.

O público da Paulista é muito mais propenso ao consumo de bens e serviços na comparação com a média dos habitantes da Grande São Paulo. Esse potencial tem chamado a atenção de importantes empresas varejistas", afirma Meirelles.

Seis em cada dez frequentadores da avenida são mulheres, com até 35 anos e que trabalham com carteira assinada. Desses, 46,5% pertencem à nova classe média (com renda entre três e dez salários mínimos). E quatro em cada dez são das classes A e B.

Além da intenção de compra desses consumidores ser maior do que a média dos demais moradores da Grande São Paulo, também são mais bancarizados e possuem limite de crédito em conta maior do que os demais moradores. O levantamento feito com consumidores que frequentam a via aponta que eles têm limite médio em suas contas correntes de R$ 1.678,21.

Na região metropolitana, 17% dos moradores têm cartão de lojas. Entre os que frequentam a Paulista, o percentual é de 40%.

DESAFIOS

Para Alberto Serrentino, sócio da consultoria de varejo GS&MD Gouvêa de Souza, a tendência é de, aos poucos, a avenida mudar seu perfil de centro financeiro para comercial. Hoje 119 bancos, entre sedes e agências, estão situados nos arredores da via.

"Expor a marca na Paulista era o objetivo de algumas redes que abriram loja na avenida. Mas o resultado das vendas surpreendeu tanto que justificou a abertura de mais unidades", diz Serrentino, ao se referir à rede Marisa, que, em maio, abriu sua segunda unidade (com cerca de 1.000 m²) na Paulista.

Os principais desafios para que a Paulista se transforme em uma via comercial, entretanto, ainda são o preço dos imóveis, a falta de espaços de grande porte disponíveis e o número insuficiente de estacionamentos, segundo avaliam consultores e imobiliárias.

"A Paulista soube se renovar, tem estações de metrô e ramificações que a tornam uma via de fácil acesso e é uma vitrine importante para o público que transita por ali. Mas a falta de imóveis de grande porte disponíveis é um dos maiores obstáculos", afirma Serrentino.

Corretores estimam que o custo de locação mensal do metro quadrado na Paulista varie de R$ 50 a R$ 150 para quem quer abrir um negócio no local. Além desse custo, há o pagamento de luvas (taxa única paga pelo direito de uso do espaço), que varia de R$ 800 a R$ 2.500 por m².

Uma das lojas que quer abrir as portas na Paulista –mas espera há meses vagar um espaço adequado– é do segmento que oferece produtos variados para o consumidor testar antes de comprar.

PROJETOS

Marli Lemos, diretora superintendente da Associação Paulista Viva, ONG que atua na região, diz que apoia um antigo projeto de transformar o andar térreo dos bancos da avenida em um espaço para estabelecimentos comerciais.

"Os bancos e seus clientes não ficariam tão expostos, os consumidores ganhariam mais oportunidades e o comércio, mais espaço", diz.

Desde 2004, ela observa uma mudança de "comportamento" entre os que transitam e trabalham na Paulista.

"As pessoas se sentiam mais inseguras e não se sentiam à vontade para passear e comprar na via. Até mesmo quem trabalhava no local quase nem saía para almoçar. Os funcionários eram mais reclusos. Agora o movimento é intenso, dia e noite."

Entre as pessoas que transitam pela Paulista, 63% trabalham na região. Outros 14% vão ao local para fazer atividades relacionadas ao lazer. E 10% estudam ou moram na região, segundo a pesquisa do Data Popular.

 

 

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