Lula diz que não há risco de inflação voltar no Brasil

redacao 14/04/2011
redacao 14/04/2011

Ex-presidente citou a disparada dos preços das commodities como motivo para a alta da inflação no País

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje, em Londres, que "não existe perigo" de a inflação retornar no Brasil. "Eu conheço bem a (presidente) Dilma e tenho a convicção de que ela não vai deixar a inflação voltar e já tomou as medidas necessárias", disse, ao reiterar que conhece o efeito negativo que o aumento do custo de vida causa no bolso do trabalhador. O ex-presidente participou de uma palestra fechada a investidores da Telefónica e deu as declarações após a conferência.

Lula citou a disparada dos preços das commodities como motivo para a alta da inflação no País. "Neste momento, é preciso ter muita tranquilidade", disse. Ele afirmou ainda que a inflação está dentro da meta estabelecida pelo governo, de 4,5% ao ano, que inclui a possibilidade de banda de 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo. "Tem gente que fica torcendo para acontecer uma desgraça", declarou, sobre as críticas ao comportamento dos preços no Brasil.

As expectativas de inflação não param de subir, puxadas pela percepção de que o Banco Central (BC) desistiu de cumprir a meta neste ano e não fará uma alta mais firme dos juros. Lula também garantiu estar "convicto" de que a administração federal não abrirá mão da responsabilidade fiscal e do corte de gastos. Sobre a forte apreciação do real, que preocupa sobretudo a indústria, o ex-presidente afirmou acreditar que o comportamento do câmbio depende menos das medidas adotadas pelo Poder Executivo e responsabilizou a política dos Estados Unidos.

De acordo com ele, o Grupo dos 20 (G20) precisa compreender que "os Estados Unidos não podem fazer ajuste fiscal às custas dos outros". Segundo Lula, com a queda do dólar, os EUA pretendem resolver uma questão interna. A desvalorização da moeda norte-americana é atribuída à política monetária praticada pelo Federal Reserve (Fed), de injetar recursos na economia e manter os juros perto de zero.

Dólar – Lula voltou a defender a redução do uso do dólar no comércio internacional e a criação de uma cesta de moedas para substitui-lo – discussão em curso entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS). "Isso também exige que os países sejam mais criativos." Conforme o ex-presidente, o objetivo da reunião com os investidores da Telefónica foi mostrar que o Brasil "é o País da vez" e merece receber investimentos.

 

 

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