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Luz limpa e barata

Governo catarinense cria programa de investimento em fontes de energia renováveis para conter gastos

Marlon Aseff 26/11/2015
Marlon Aseff 26/11/2015

A necessidade cada vez maior de recursos energéticos oriundos de fontes renováveis, que possam fazer frente aos altos custos da energia tradicional impactada pelo ajuste fiscal, levou o governo de Santa Catarina à criação de um programa específico para o setor. O SC+Energia – Programa Catarinense de Energias Limpas, lançado no final de junho, incentiva o investimento em PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) e CGHs (Centrais Geradoras Hidrelétricas), e também em usinas eólicas, de energia solar e biomassa.

Além do impacto ambiental ser menor do que os oriundos de fontes tradicionais – carvão, petróleo e gás – o desafio é manter a competitividade da indústria e o nível de emprego. A indústria catarinense é responsável por 45% do consumo de energia elétrica do Estado, com apenas 3,8% do número total de consumidores.

Entre as ações determinadas pelo executivo, estão a maior agilidade nos processos de licenciamento ambiental e a prorrogação de isenção de ICMS para a cadeia produtiva do setor de energia eólica e solar. Para as PCHs os benefícios fiscais ficarão atrelados ao programa Pró-Emprego e Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense (Prodec).

Os recursos necessários a um novo alinhamento do setor produtivo serão ofertados pelo Banco Regional de Desenvolvimento Econômico e Social – BRDE, que por meio do programa BRDE Energia irá alocar mais de R$ 60 milhões em recursos próprios, destinados a projetos nos três estados do Sul. Em Santa Catarina o projeto promete uma verdadeira revolução no setor elétrico.

Segundo Nelson Ronnie dos Santos, superintendente da agência do BRDE em Florianópolis, o objetivo será atingir a autossuficiência estadual na geração de energias renováveis. “Acreditamos que este programa irá transformar o setor elétrico em Santa Catarina, atendendo pequenos produtores rurais e também pessoas físicas, em projetos de microgeração” , avalia.

Outro projeto que vem possibilitando a maior eficiência energética entre grandes empresas é o Indústria + Eficiente, lançado pela Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina). Entre plantas de grande porte que adotaram a solução, como BRF, Tigre e Tupy, a economia de energia já equivale ao consumo de 10 mil e 500 residências.

A troca de equipamentos e máquinas antigas por similares mais eficientes e com maior rendimento foi encampada pela Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina), em seu Plano de Sustentabilidade para a Competitividade da Indústria Catarinense. De acordo com Glauco José Côrte, presidente da entidade, a adoção de sistemas eficientes de gestão socioambiental que possibilitam o uso sustentável de recursos naturais, acabam influenciando diretamente nos níveis de competitividade da indústria. Para reforçar a necessidade da adoção de soluções inovadoras, a Fiesc vem promovendo uma série de seminários nos principais polos de desenvolvimento do Estado.

Selecionada pela Celesc com o aporte de R$ 3,96 milhões em incentivos para a troca de 113 motores nas plantas de Chapecó e Concórdia, a BRF já contabiliza uma redução de energia que se iguala a um mês do que é gasto na unidade de Chapecó. A unidade da empresa em Chapecó recebeu 68 motores novos, atingindo uma economia de R$ 500 mil ao ano, com a redução de 10% do consumo.

Em Joinville, a Tigre, outra gigante da economia catarinense, também lançou mão da troca de motores para melhorar a eficiência energética. Com um investimento de R$ 4,52 milhões, foram trocados 91 motores, equivalendo a uma economia de mais de 11% do consumo anual de energia.

O retorno do investimento deve chegar em dois anos e meio. Já a Tupy investiu R$ 9,73 milhões, gerando uma economia equivalente ao consumo anual de 4,3 mil residências, após dar início a troca de 297 motores da planta de Joinville. Para o presidente da Câmara de Assuntos de Energia da Fiesc, Otmar Josef Müller, a eficiência energética se impõe como uma condição sem volta para o cenário brasileiro, mas que ainda precisa de mais atenção e linhas de financiamento.

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