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Mais da metade das empresas brasileiras prefere softwares livres

redacao 10/12/2009
redacao 10/12/2009

Pesquisa realizada pela ISF (Instituto Sem Fronteiras) revelou que 73% das grandes empresas brasileiras, com mais de mil funcionários, utilizam softwares livres. Entre as menores empresas que participaram do estudo, aquelas com até 99 colaboradores, 31% demonstram essa mesma preferência. Entretanto, quando analisada a adoção de um software livre no servidor, o índice é de 56% no total de empresas avaliadas, sem distinção do porte.

Ficou claro o equívoco existente na crença geral, de que o software livre seria utilizado em maior escala pelas empresas pequenas, que enfrentam mais dificuldades financeiras. Por exemplo, no caso do software livre usado como sistema operacional, o Linux, o índice mais alto de adoção é registrado as maiores empresas que participaram do estudo: 53%.

A lógica é clara: quanto maior a organização, há mais riscos referentes ao uso de softwares piratas. O professor de pós-graduação em redes da FIAP (Faculdade de Informática e Administração Paulista), Marcelo Okano, a multa para a empresa pega ou denunciada por se beneficiar da pirataria é "altíssima", variando entre 10 vezes e 3 mil vezes o valor do programa original.

Quanto aos computadores, em 12 meses, houve um avanço de 12,4% no uso do softwares livres nos PCs das empresas que já os utilizam. Por outro lado, a pesquisa revelou que 53% dos entrevistados não utilizam softwares livres nos PCs e que apenas 1% das organizações os usam em seus computadores de forma integral. "Embora pareça pouco, transpondo este percentual para o universo de empresas brasileiras, os números são consideráveis", esclarece o ISF.

Vantagens do software livre

O Instituto Sem Fronteiras salienta que os sistemas operacionais baseados em software livre estão de acordo com as especificações e expectativas técnicas de áreas em que há grande volume de transações e processamento de dados, bem como armazenamento. "Segurança, interoperabilidade e disponibilidade são, portanto, essenciais. Muitas atividades de tecnologia da informação do segmento de governo enquadram-se em tais características", diz a entidade.

Entre as empresas que utilizam software livre, 48% mencionaram o uso em aplicações de missão crítica. Esta informação quebra outro tabu, relacionado à qualidade dos softwares livres. Marcelo Okano, confere inúmeras vantagens aos softwares livres frente aos aplicativos pagos.

A primeira é o custo. "A forma de licenciamento dos softwares livres é gratuita, o que constitui um atrativo. Para se ter uma idéia, um pacote Office custa, hoje, no mínimo R$ 500. Logo, uma empresa com dez computadores irá gastar R$ 5 mil", explica. "As empresas que distribuem softwares livres não ganham com o desenvolvimento da tecnologia, ou seja, com os produtos, e sim com a prestação de serviços. Por exemplo, elas podem cobrar para instalar os programas".

Qualidade melhorou

Além disso, estamos falando de produtos confiáveis hoje, e, em alguns casos, considerados até melhores. "Quanto à segurança, no caso do Linux, por exemplo, existem vários desenvolvedores. Por conta disso, em uma situação de vulnerabilidade, o problema é rapidamente corrigido. O mesmo não ocorre com o sistema operacional pago, em que o único desenvolvedor precisa corrigir o problema, como é o caso do Windows".

O professor alerta que, às vezes, a situação de vulnerabilidade demora a ser revertida porque o desenvolvedor tem interesses de vender softwares de segurança. Nesse ponto, os softwares livres levam vantagem. Eles permitem que o usuário utilize programas gratuitos de segurança que, antigamente, eram caros. "Há um Firewall feito para Linux", exemplifica.

Existe ainda um software para Linux chamado Samba que permite compartilhar arquivos no servidor. Todos esses avanços indicam que os softwares livres abriram portas, tornando acessíveis serviços e produtos da área de informática que, antigamente, eram inacessíveis por conta do alto custo. Nada mais adequado às micro e pequenas empresas, na opinião de Okano.

Para o consultor do ISF, Álvaro Leal, os pontos positivos do software livre são a estabilidade, a segurança e a facilidade de implantação. "As soluções se desenvolveram, melhoraram. Há uns anos, as pessoas usavam os programas gratuitos por conta do custo. Atualmente, a opção é feita com base na qualidade também".

Entendendo os tipos de softwares livres e seus usos

Okano explica que existem vários tipos de softwares livres. O Linux, por exemplo, é um sistema operacional, sendo o único livre. Ele substitui o Windows, mas não nasceu para ser seu concorrente. "Pessoas que desenvolvem softwares livres não entendem como uma empresa pode cobrar muito mais pelos programas do que gastou para desenvolvê-los. Como eram contra essa filosofia, lançaram os aplicativos gratuitos", analisa.

Existem ainda alguns que são usados em bancos de dados, outros para o ensino à distância. Um deles é o Teleduc, produto desenvolvido pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e usado hoje por inúmeras universidades e centros educacionais que promovem cursos que não são presenciais.

O Apache, por sua vez, é um servidor de páginas da Internet usado por boa parte dos provadores, sendo compatível com os softwares livres. Aliás, graças à ele, uma das poucas desvantagens dos programas gratuitos está sendo transposto: a incompatibilidade dos sites desenvolvidos para o Windows com os softwares gratuitos. Exemplificando: muitos softwares bancários foram criados para o Windows, o que impossibilita a geração de boletos de pagamentos àqueles que não utilizam o programa.
 

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