Empreendedor, que conserta celulares, fatura R$5 milhões

Com um pequeno investimento inicial e sem conhecimento técnico, Guylherme Ribeiro via tutoriais no YouTube de como consertar celulares e foi assim que sua loja modesta começou a crescer

Redação 29/01/2018
Guylherme Ribeiro, CEO da Suporte Smart
Redação 29/01/2018

É só dar uma olhada em volta para perceber que eles dominaram o planeta. Não, isso não é um exagero. São 241,1 milhões de celulares somente no Brasil, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). A interatividade entre homem e máquina nunca esteve tão coesa. Agora, imagine alguém que, há quase oito anos, resolveu olhar para esse mercado como um médico olha um paciente. Afinal de contas, celulares também precisam de “reparos”. Vislumbre que esse empreendedor em potencial tinha em si muita vontade de investir em um negócio e apenas R$ 7 mil para investir. Pois esse é só o início da história do fundador da Suporte Smart, Guylherme Ribeiro.

Natural de Curitiba, Ribeiro começou nesse universo de tecnologia quando mal tinha saído da adolescência, aos 20 anos. Vindo de uma família de vendedores e contando apenas com um carro, parcelado em 60 vezes, ele decidiu utilizar o montante que tinha em mãos, de 7 mil reais, para empreender no mercado. Com apoio e ajuda de um amigo, viajou para São Paulo para comprar peças de reposição para celulares. De posse delas, montou sua primeira loja, ainda modesta, a loja chamada Reicell, mas que mostrou potencial já no início, em 2010. “No primeiro dia de abertura da loja, conseguimos vender 100 reais, o que para a gente significou muito, pois minha lógica foi: abrindo todos os dias, vou faturar 3 mil reais por mês. É muito grana!”, brinca o empresário.

Para consertar os celulares, o empreendedor via tutoriais no Youtube e foi assim, aprendendo na prática, que a loja modesta começou a crescer. Seis meses depois, ele conseguiu abrir a segunda loja. Depois, a terceira e a quarta. Tudo isso em menos de dois anos. Com esse aumento da demanda, ele precisou contratar mais gente, comprar mais peças. Foi quando vieram os primeiros desafios de gestão. “Eu percebi a necessidade de estudar mais sobre gestão, a enxergar as minhas lojas como um negócio, de fato”, explica.

Da loja à distribuidora

Se existe um lugar oportuno para conhecer mais sobre negócios, esse lugar é a China. Em 2014, Ribeiro viajou ao país  e visitou mais de 12 fábricas de reposição de celulares. Foi quando começou a entender o tamanho real do mercado que fazia parte. Ao chegar ao Brasil, evidentemente, sua mentalidade empresarial, estava mais ampla. Foi quando ele decidiu abrir uma importadora e distribuidora de peças para fazer a revenda para outras lojas. Apesar de parecer que ele estava dando subsídios para os concorrentes crescerem, a verdade mesmo era que ele estava faturando muito com tudo isso. “O que eu faturava em 1 mês com a distribuidora, levava quase 6 meses para faturar com as lojas”, compara. Foi quando decidiu vender as lojas e ficar só com as distribuidoras, ainda em 2014.

No final deste mesmo ano, a distribuidora mudou de ponto, foi para uma região mais nobre da cidade de Curitiba, em um prédio de dois andares. “A distribuidora ficava no segundo andar, e o primeiro acabou ficando vazio. Foi aí que decidi criar uma loja voltada para o público Apple, oferecer serviços de assistência nesse primeiro andar”, detalha Ribeiro.

De volta à ideia original

Porém o que parecia ser apenas uma “ajuda no faturamento”, tornou-se o foco principal da marca, principalmente após um anúncio despretensioso em uma rádio de alcance nacional. “A demanda por serviços cresceu de uma forma assustadora, precisei contratar mais atendentes, mais técnicos, o faturamento dobrou. Enquanto isso, a distribuidora foi decaindo, principalmente por causa da concorrência, que aumentou muito”, conta o fundador. O que vem a seguir foi inevitável. Ribeiro decidiu investir mais na loja, o que provou ser uma aposta muito acertada. Até o início de 2017, ele já tinha quatro unidades da iService Soluções.

A decisão de franquear

Gerir quatro lojas não é nada fácil. Imagine quadruplicar os desafios que envolvem fazer gestão de pessoas, oferecer os melhores produtos e serviços, atender com qualidade, equilibrar as contas e faturar. Essa dificuldade, e também a vontade de crescer ainda mais, fizeram o empresário franquear a primeira unidade, o que ocorreu em janeiro de 2017, só que com um novo nome: Suporte Smart. No entanto as quatro unidades próprias continuaram como iService Soluções.

Em 2017, Ribeiro contabilizou 18 franquias abertas, isso tudo sozinho, sem nenhum tipo de consultoria ou similares. No entanto, apesar do sucesso inegável, o fundador percebeu muito rápido a importância de contar com uma boa equipe para fazer essa expansão, o que ele já está fazendo. Ainda mais porque  sabe muito bem que esse mercado não dá o menor sinal de desaceleração no crescimento. Afinal de contas, quem hoje em dia arrisca ficar sem celular?

O gigante da vez

De 2012 para 2016, o aumento mundial no número de smartphones utilizados foi de 33,3%, segundo dados da pesquisa Google Consumer Barometer. Trocando em miúdos, o mercado dobrou de tamanho em todo planeta. Atualmente o Brasil, por exemplo, tem 198 milhões de celulares inteligentes em uso, e a expectativa é que, nos próximos dois anos, o País tenha 236 milhões desses aparelhos, segundo a 28ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, feita pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).

O trabalho da Suporte Smart, nesse sentido, é disseminar os serviços ofertados, de modo a fazer o franqueado entender que para abrir uma loja não é preciso apenas saber consertar um aparelho celular, mas, principalmente, ganhar dinheiro consertando. Para tanto eles dão todo suporte e oferecem, inclusive, treinamentos e suportes gratuitamente, para que o investimento em qualidade, agilidade e variedade seja um grande diferencial da rede, tendo em vista que lojas do segmento pululam por aí. “Como franqueador tento sempre levar essa excelência, ainda mais pois sei que o perfil do meu franqueado é o daquele que faz o investimento da vida dele, o típico ‘barriga no balcão’”, explica Ribeiro.

Com um faturamento de R$ 20 mil e a marca de resolver 90% dos problemas técnicos em até 40 minutos, além de 60 tipos diferentes de serviços no catálogo, peças homologadas e disponibilidade de fazer uma espécie de delivery de celular; a microfranquia segue batendo recordes em um mercado que Ribeiro agora tem na palma da mão.

Comentar

Os itens com asterisco (*) são obrigatórios. Seu e-mail não será publicado.