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Mulheres têm menos dificuldades para ocupar cargos de chefia

redacao 08/03/2012
redacao 08/03/2012

 Em tempos de competitividade acirrada pelos melhores talentos, empresas deixam de colocar o gênero como critério de seleção. Com isso, as mulheres têm cada vez menos dificuldades para alcançar o topo, avaliam consultores.

Andréia Chovghi Iazdi Fernandes, 38, é uma dessas que chegou ao topo sem quebrar o salto. Ela atua há 20 anos na área de gás. Formada em administração de empresas, viu no setor oportunidade para crescer. Hoje, Fernandes é gerente-geral de negócios da filial Paulínia da Copagaz, distribuidora de gás de cozinha, e tem fama de "xerife" entre os funcionários. "Minha gestão é dura, mas não perco a feminilidade".

A engenheira de produção Flávia Helena Moraes de Oliveira, 33, entrou como engenheira na International Paper, de papel, em 2008. Atualmente, ela ocupa o cargo de coordenadora de segurança do trabalho e meio ambiente e tem sob sua responsabilidade a proteção de 1.400 funcionários da indústria.

Fernandes e Oliveira são líderes, planejaram-se para isso e não passaram por grandes problemas para chegarem onde estão.

SEM QUEBRAR O SALTO

"Alguns fornecedores se espantam pelo fato de eu ser mulher, mas lido bem com isso", conta Fernandes. Oliveira afirma briga por espaço desde a época da faculdade, quando sua turma tinha 62 homens e 4 mulheres. "No início da coordenação, senti que meus conhecimentos técnicos estavam sendo testados, mas tive jogo de cintura", afirma.

"Elas se preocupam com a carreira da mesma maneira que os homens e não se contentam em assumir papéis razoáveis", afirma André Chaves, presidente do Grupo Bolsa de Mulher, que estuda o comportamento das mulheres.

Essa preocupação se reflete no desejo de serem líderes. Pesquisa feita em 2010 pela Sophia Mind, braço de pesquisa do Grupo, com 340 mulheres de todo país, com idade entre 25 e 50 anos e ensino superior completo, mostra que 37% delas têm como objetivo serem presidentes de empresa.

FATORES DE RETENÇÃO

"Elas conseguem altos postos por não terem mais a ilusão de serem ‘super mulheres’. E sabem que o compartilhamento das tarefas com os homens é fundamental para conseguirem ter equilíbrio, afirma Rodrigo Vianna, diretor da consultoria Hays.

A diretora da divisão de operações da farmacêutica AstraZeneca, Daniela Castanho, 39, preza pela tranquilidade na balança entre a vida pessoal e a profissional. "Não tem benefício que pague isso", diz.

Políticas de retenção ainda são insuficientes

Para além de oportunidades e flexibilidade, empresas também oferecem benefícios para reter as mulheres talentosas. Na AstraZeneca, por exemplo, além do auxílio-creche, as funcionárias contam com ginecologista na empresa. Na International Paper, as gestantes recebem bolsa com enxoval básico.
Empresas de grande porte estão investindo cada vez mais em mecanismos similares. Cláudio Dedecca, professor do Instituto de Economia da Unicamp, demonstra desconfiança diante das novas políticas de retenção. "São ações positivas, mas temos de ver se perduram", avalia.

Para ele, é preciso passar a discussão da mulher no mercado para outro nível. "É um problema estrutural, que não resolvemos do dia para noite. O tema da discriminalização dos gêneros deveria entrar nas negociações coletivas."

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