No compasso

redacao 03/10/2012
redacao 03/10/2012

Uma oportunidade de trabalho que era para ser “experimental” deu início a trajetória da mais respeitada fornecedora de relógios de pulso promocionais no mercado brasileiro, a Díller, através do trabalho do empreendedor Dilermando Borges. Há 23 anos no mercado, a empresa – que emprega nove funcionários próprios e ocupa a mão de obra de 25 prestadores de serviços – tem a preocupação de apresentar algo que combine bom gosto, qualidade e preço, ofertando cerca de 130 modelos diferentes de relógios.

Borges conta que, em 1989, ele deixou de trabalhar em uma empresa de arquitetura que montava estandes em feiras para clientes de grande porte, como Brastemp, Vila Romana, Bosch, entre outros. Um amigo de Borges, fabricante de chaveiros, na época em que não se importava da China, sabendo que ele estava disponível, ofereceu a Borges a possibilidade de representar a empresa em São Paulo. “A princípio, eu jamais me imaginei oferecendo produtos promocionais. Aí, comentei com um daqueles clientes antigos para quem eu montava estandes e este me incentivou, dizendo que a empresa dele sempre comprava brindes, como chaveiros, canetas, bonés. Resolvi, então, arriscar, como algo experimental. E deu no que deu: a Díller foi criada para oferecer brindes em geral”, lembra.

A Díller, com o tempo, foi agregando produtos ao seu catálogo, de modo que chegou a um ponto em que nunca se dizia ao cliente a frase “não temos”. Em um determinado dia, um cliente manifestou o desejo de fazer relógio de pulso para dar de brinde e deu tão certo que a empresa foi se especializando no produto e não parou mais. “Eu nunca soube até então que tinha essa possibilidade na Díller. Fiz alguns contatos e acabamos tendo condições de atender aquele cliente. O prazer que deu aquele atendimento foi tão grande que daí em diante fomos nos dedicando cada vez mais ao fornecimento de relógios de pulso e, à medida que o tempo passava, mais especialistas em relógios de pulso a Díller ficava”, relata Borges.

A empresa vende para o público do segmento promocional. E entre brindes e presentes, a empresa é bastante procurada para fornecer brindes como canetas, chaveiros e bonés. E a caneta ainda é o item que mais vende. “Já a empresa que deseja dar ao seu cliente algo diferenciado, definido como um presente, o relógio de pulso é uma das opções mais vendidas, seguidas por Kit Churrasco”, afirma Borges. Ele constata que não houve perda no mercado de relógios para celulares, Ipad, entre outros. Borges destaca que nem mesmo no mercado convencional ocorreu a queda da procura por relógios. “As pessoas que gostam de relógio, não abrem mão desse conforto, pois, para verificar o horário em um celular você tem que tirá-lo do bolso, acionar o botão do liga-desliga, é muito trabalhoso”, observa.

Atualmente, o mercado passa por um desaquecimento nas vendas, em virtude da crise européia e alta do dólar. “A cada susto que a Europa ou os Estados Unidos levam, a repercussão aqui no Brasil é imediata, infelizmente no setor de brindes. O que deveria ser visto como investimento, nos momentos de crise, ainda é visto por grande parte dos empresários como despesa”, comenta Borges. Mas, segundo ele, a tendência, tomando por base as crises anteriores, é que o mercado brasileiro, mais uma vez, acabe se adaptando ao momento e aos poucos tudo vá voltando ao normal.

Reação inesperada

Ao relembrar a história da empresa, Borges recorda de uma ocasião curiosa em que fez um fornecimento de relógios com mostradores em algarismos romanos a uma determinada empresa que iria presentear os clientes que visitassem seu estande em uma feira. Ele conta que os relógios ficaram bonitos e foram entregues dentro do prazo estabelecido. Porém, no dia da inauguração do evento, o diretor da tal empresa liga para Borges externando descontentamento pelo fato de uma empresa fornecedora de relógios de pulso não saber sobre algarismos romanos. O cliente disse que a Díller havia gravado o numeral 4 com quatro riscos (IIII) e não com IV que é o que qualquer um deveria saber se não fosse analfabeto. Disse ainda que tinha passado muita vergonha quando entregou um relógio de presente a um cliente dele e este lhe apontou o absurdo. Borges sentiu um enorme alívio quando soube que toda a ira do cidadão era por essa razão. Simplesmente porque relógios de pulso ou de parede, até mesmo os de bolso, quando gravados em algarismo romanos, devem ser gravados dessa forma, ou seja, o número 4 representado pelo grafismo “IIII”, por uma convenção internacional datada do século 19.

Borges esclarece que naquela época, na Inglaterra, quando os trens ainda eram administrados em seus horários e percursos por maquinistas e operadores de estações,  um desses operários, responsável pela mudança dos trilhos em determinados horários,  fez a alteração às quatros horas da madrugada achando que já fossem cinco horas. E ao mudar a posição do trilho de um determinado trem, colocou-o de frente a outro que vinha na direção oposta, resultando em um acidente catastrófico com muitas mortes. O operário responsável pelo ocorrido foi preso e, sob interrogatório, jurava que o horário estava certo, que ele tinha feito a mudança às cinco horas. Depois de muitos dias de interrogatório, chegou-se a conclusão que ele não mentia, e então os detetives começaram a investigar o que poderia ter acontecido.

A conclusão foi que, quando o relógio marcava quatro horas, até então representada pelo grafismo “IV”, o ponteiro estando exatamente sobre o “I”, poderia causar uma confusão ótica no operador, que naquele horário, por mais responsável que fosse, corria o risco de estar cansado, sonolento, e aí sua atenção estaria prejudicada. O operador foi inocentado, e a partir daquela data, o número quatro nos relógios gravados em algarismos romanos passou a ser representado pelo grafismo IIII. “É lógico que não expliquei tudo isso para o cliente, pois demoraria muito tempo. Localizei essa história, imprimi e levei pessoalmente até o evento, onde ele se encontrava. A medida que ele lia o texto, seu rosto foi sofrendo uma alteração tão grande, que fiquei com dó. Ele me pediu mil desculpas, disse que iria procurar aquele cliente dele e mostrar o texto. A partir disso, resolvi colocar no nosso site, na seção 'curiosidades', essa explicação sobre o número quatro nos relógios, pois, se a pessoa quiser conhecer um pouco da história do relógio, ali é o melhor lugar.”

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