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O poder de uma boa história para seus negócios

Especialista em Marketing conta como o recurso de storytelling pode ser útil para as micro ou pequenas empresas

Marcio Eugenio 05/06/2014
Marcio Eugenio 05/06/2014

O ser humano gosta de contar e de ouvir histórias. Não é à toa que gostamos de ir ao cinema, ver uma boa peça de teatro, ler um livro ou até mesmo assistir a uma novela: gostamos de nos identificar com um perso­nagem, sentir raiva de outros, nos divertir com aquele mais engraçado – gostamos de nos emocionar! A publicidade já sacou isso, e utiliza muitos recursos aprendidos no cine­ma para atrair uma determinada marca.

O principal deles é o storytelling. Mas não fique você pensando que este tipo de ação só pode ser usado por grandes empre­sas que tenham condições que contratar uma boa agência de publicidade! Um pe­queno empreendimento – tanto do mundo físico quanto no virtual – pode muito bem contar sua história: basta ser criativo e des­pertar interesse e emoção no receptor da mensagem!

Para poder contar uma história que chame a atenção do consumidor, é preciso pensar nas aulinhas do Ensino Fundamental, onde a professora sempre repetia que um texto precisava ter início, meio e fim. Dentro deste enredo, é preciso criar um persona­gem principal. Ele precisa gerar empatia com o público-alvo, fazer com que este se interes­se pela história que será contada. A história precisa formar um “arco dramático”, onde primeiramente se apresenta o personagem (seus gostos, sua índole, seus pontos fortes e fracos), depois é criado um conflito para, no fim, obtermos o clímax e o final feliz.

Um bom exemplo de storytelling é o comercial Vivo que conta a história da canção-título Eduardo e Mônica, da banda Legião Urbana (http://www.youtube.com/watch?v=kCNFMYe7mcU). A canção, assim como muitas de Renato Russo, já está no imaginário de gerações de fãs, e a empresa aproveitou o mote – os 25 anos do lança­mento de Eduardo e Mônica – pra mostrar como seria o encontro do casal nos tempos atuais. E deu certo! Além do buzz gerado (e de algumas lágrimas também), a Vivo conse­guiu inserir seus produtos de uma forma tão orgânica que não atrapalha a história conta­da. E aí está o pulo do gato no storytelling: quem está ouvindo aquela história se envol­ve de tal maneira que não percebe que exis­te uma marca (que vende celulares e planos de dados) por trás. O valor que está em jogo é muito maior que o da compra de um pro­duto. Trata-se do valor emocional, que gera engajamento e fidelização.

Mas você deve estar agora pensando “esse vídeo deve ter custado uma nota”. Muito provavelmente sim. Nem a Vivo, nem a O2 filmes (produtora de um diretor pouco conhecido, o Fernando Meirelles, de Cidade de Deus) divulgam o preço, mas o valor ima­terial foi tão grande que, todo o ano, a Vivo chega à porta da O2 e encomenda mais um trabalho de storytelling.

Existem outros exemplos grandiosos de empresas que gastaram uma boa grana e ob­tiveram um bom retorno com o storytelling – como a Heinekein com seu museu na Ho­landa e algumas propagandas da Coca-Cola – mas com criatividade e com tanta tecno­logia boa e barata disponível, é possível sim trazer essa ferramenta para os pequenos e micro empreendedores.

É preciso, primeiramente, pensar que o importante é a história a ser contada, e quem é pequena ou micro empresa tem muita

história pra contar. Sabe aquele perrengue ocorrido no começo de montar a empresa, ou aquela característica da sua marca que você considera especial? Está aí uma história que pode ser contada!

Não é necessário uma grande produção para uma história ser contada. É possível ver muitos exemplos de storytelling no Twitter e no Facebook. Usemos, como exemplo, o Ponto Frio. Mais de 300 mil pessoas seguem o @pontofrio no microblog para acompa­nhar o que o Pinguim – logotipo da marca e personagem do perfil – está aprontando. Ele comenta os episódios da novela, assiste jogo de futebol e sabe tudo o que está acontecen­do na internet. Mas não é isso que faz com que o twitter do Ponto Frio seja um exemplo de storytelling. Junto com toda a aproxima­ção que o Pinguim gera ao comentar fatos da atualidade, o perfil possui um universo que rodeia o personagem principal. Ele mora num “e-glu”, sai ao meio-dia para almoçar sua sardinha, embala os pedidos dos clientes e tem tempo até para aulas de natação e ter uma namorada – a Pinguina, que de vez em quando aparece no perfil.

No Facebook, um exemplo também pode ser a Estopinha. Ela é a “assistente” do Dr. Pet, o Alexandre Rossi, zootecnista e apresentador de um programa de TV. Ela possui um perfil próprio, com mais de 800 mil seguidores, e assim como o Pinguim, fala sobre as rotinas de seu dia a dia. O Doutor Pet quase não aparece: quem reina nessa página é a cachorrinha, que mostra as artes que apronta em casa, e também as escolas que visita com seu dono. Criar páginas com personagens que interagem com o público-alvo faz com que a marca seja reforçada no imaginário do potencial cliente e também daquele que já compra produtos de uma determinada marca.

A Estopinha também pode ser conside­rada um exemplo de transmídia, onde uma história complementar àquela principal (no caso, o programa de TV) é contada em um ou diversos canais paralelos (no caso o Fa­cebook), de modo que aquele espectador/fã/cliente que se interessou pelo programa/marca/produto consegue absorver mais in­formação que um espectador simples não consegue.

Um exemplo máximo de transmídia foi a trilogia cinematográfica Matrix, onde foram lançados paralalelamente jogos de videogame, curtas-metragens entre outros produtos. Cada um destes produtos conta uma história que complementa a principal, mas não impede o “espectador padrão” de entender o que está passando no filme. Di­gamos que é um produto feito para quem é fã da franquia e quer consumir cada vez 2014

mais informações a respeito do mundo de Matrix.

Para uma micro ou pequena empresa, o transmídia pode ser utilizado como um ca­nal do qual o cliente sabe que não irá inter­ferir no assunto principal – no caso, a venda dos produtos – mas sim aumentar os laços de interação e criação de vínculo afetivo en­tre o público-alvo e a marca. Pode parecer bobagem em um primeiro momento, mas fazer com que os olhos do cliente brilhem ao ouvir falar da empresa é fundamental para que ele vista a camisa e promova (e muitas vezes defenda) sua empresa para ou­tros públicos potenciais. Isso faz com que o cliente se identifique com sua marca e pen­se “olha só, eu sou um pouco parecido com essa marca!”.

Não pense que só porque você não tem o porte de uma big empresa que você está impedido de contar sua história. Seja cria­tivo! Mostre que por trás de um logotipo existem pessoas que trabalharam duro para chegar onde estão. Desperte a emoção do cliente, faça com que ele se sinta parte da sua equipe e dispute para ter a carteirinha número um de fã da empresa.

Marcio Eugênio é administrador com especialização em Marketing digital e gestão de vendas, apaixonado por tecnologia e comércio eletrônico. É sócio da D Loja Virtual www.dlojavirtual.com

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