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Pequenas empresas conquistam mercado do petróleo

redacao 17/09/2012
redacao 17/09/2012

Até 2015, a previsão de investimento na cadeia de petróleo e gás no Brasil é superior a US$ 266 bilhões, sendo que apenas a Petrobras responde sozinha por US$ 224,7 bilhões desse total e o restante está dividido entre 42 operadoras. Esse volume representa quase o dobro do que foi aplicado entre 2001 e 2010, que atingiu US$ 100 bilhões. Esse crescimento vertiginoso se deve a descoberta de novos campos de petróleo e, sobretudo, das reservas do pré-sal.

As perspectivas do setor petroleiro estarão em discussão de segunda-feira (17) a quinta-feira (20) na Rio Oil & Gas. O evento é uma vitrine para as empresas nacionais e estrangeiras apresentarem seus produtos e serviços, além de proporcionar debates sobre inovação e tecnologia. É uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), que conta com o Sebrae entre seus patrocinadores.

Como fazer para que essa riqueza seja compartilhada pelas pequenas empresas que têm um papel importante no atendimento das demandas crescentes dessas gigantes do setor que, além da alta tecnologia, envolve também fornecimento de produtos e serviços que mobilizam quase todos os segmentos da economia?

A resposta para essa questão começou a ser moldada no começo da década passada, no âmbito do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Promimp), do Ministério das Minas e Energia. Como pano de fundo das discussões, uma premissa que não pode ser ignorada: nesse setor não há espaço para improviso. Qualquer erro pode custar vidas humanas, desastres ambientais e comprometimento das empresas pelos altos valores financeiros envolvidos.

A construção de um modelo eficiente, que aproximasse a demanda da oferta, foi formalizada em outubro de 2004, com a assinatura de um convênio entre a Petrobras e o Sebrae. Essa iniciativa resultou em um dos mais bem sucedidos programas de inserção competitiva de micro e pequenos negócios em um setor. Até agora, mais de 11 mil empresas foram beneficiadas pelas ações do Sebrae.  

A qualificação é feita em todos os níveis: da gestão empresarial às diferentes certificações que comprovam não só a qualidade técnica como compromissos com a Responsabilidade Social e Ambiental. A escala de produção, a entrega no prazo certo e a formação de preço são exemplos de outros aspectos que não podem ser negligenciados.

Desenvolvimento

Para atender às inúmeras exigências, o Sebrae e a Petrobras promovem ações de desenvolvimento de fornecedores, através de cursos de capacitação e consultoria; orientação para o cadastramento na Petrobras e nos cadastros gerenciados pela ONIP; apoio à inovação e tecnologia, incluindo estudos de viabilidade técnica e econômica; Rodadas de Negócios com grandes empresas e participação em feiras nacionais e internacionais, como é o caso da Rio Oil & Gas.

A instituição também promove a aproximação com universidades, centros de pesquisa tecnológica e ainda estreita laços com os governos federal, estadual e municipal, associações de classe e instituições. Toda essa rede de apoio tem se mostrado fundamental para que as micro e pequenas empresas possam desfrutar de condições para um crescimento consequente.

Mais do que uma percepção positiva, o resultado desse trabalho pode ser traduzido em números. Do início da parceria até 2014 o investimento previsto é de R$ 78 milhões, igualmente divididos entre o Sebrae e a Petrobras: recursos que estão sendo dirigidos para o adensamento da cadeia produtiva e fortalecimento dos Arranjos Produtivos de Petróleo, Gás e Energia nos territórios impactados pelos empreendimentos da Petrobras, com foco na inserção de pequenas empresas como fornecedoras. Vinte e dois projetos estão concluídos, outros 18 estão em andamento e cinco estão em estruturação, em 16 Estados: AM, MA, CE, RN, PE, AL, SE, BA, ES, MG, RJ, SP, PR, SC, RS e MS.

Nesse período, aumentou o volume de vendas em 25% e o número de postos de trabalho em 13%. Também cresceu em 25% o número de empresas cadastradas na Petrobras e em 29% na Organização Nacional da  Indústria do Petróleo (ONIP). Esses registros significam que a empresa cumpriu todas as exigências e é considerada como uma fornecedora confiável. Outro destaque é que a Petrobras disponibilizou 50 patentes e vai trabalhar com oito de suas Redes Temáticas para inserir MPE no processo de finalização de pesquisas para colocar novos produtos no mercado.

“As exigências para atuar nesse setor são inúmeras, o que exige um enorme comprometimento das pequenas empresas. Mas o resultado mostra que elas têm se colocado à altura dos desafios, superando as expectativas”, afirma a coordenadora nacional do programa de Petróleo e Gás do Sebrae, Eliane Borges.

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