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Pesquisa aponta jovens brasileiras como as que mais querem empreender

De acordo com a pesquisa, o empreendedor, seja homem ou mulher, passa primeiro pelo mercado de trabalho antes de empreender

Redação 09/03/2017
Redação 09/03/2017

Pesquisa divulgada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) revela que as jovens brasileiras na faixa etária de 25 a 35 anos, moradoras no Rio de Janeiro e em São Paulo, são as que mais querem empreender, comparativamente a capitais de quatro países (Madri, Londres, Berlim e Moscou) e três grandes cidades (Nova York, nos Estados Unidos, Xangai, na China, e Bombaim, na Índia).

A sondagem mostra que 62,6% das jovens brasileiras querem abrir o próprio negócio nos próximos anos, seguida das russas, com 60,9%, e das indianas, com 58,4%, superando a média mundial de 43,5%. As cidades que registram os menores percentuais são Madri (24,2%), Berlim (31,5%) e Nova York (33,8%).

“O Brasil tem um potencial empreendedor muito grande e, entre as mulheres, esse potencial empreendedor também se destaca”, disse à Agência Brasil a especialista em pesquisa e estatística da Firjan Joana Siqueira.

Além da realização de um sonho, a abertura do próprio negócio pelas brasileiras traduz uma busca por maior qualidade de vida. “E tem um fator que é muito importante para elas, que é a flexibilização do horário”, destacou Joana. Segundo a sondagem, 66,2% das mulheres apontaram a liberdade de horário como uma das principais razões para abrir o próprio negócio. Entre os homens, o percentual foi 54,7%.

A sondagem mostra que a maioria das jovens empreendedoras prefere ser a única dona do empreendimento (55,2%). Diferentemente dos homens, cuja maior parcela busca sempre abrir um negócio em sociedade – 55,7% dos jovens empreendedores do sexo masculino têm parceiros no negócio.  Joana Siqueira destacou que, pelo fato de as jovens quererem ter mais liberdade e controlar melhor o seu tempo, elas preferem entrar na empreitada sozinhas, enquanto os homens dão preferência à abertura de negócios com algum sócio para dividir a responsabilidade.

Mercado formal

De acordo com a pesquisa, o empreendedor, seja homem ou mulher, passa primeiro pelo mercado de trabalho antes de empreender. “O empreendimento não é uma questão circunstancial devido à necessidade ou à falta de oportunidade. Na verdade, é a realização de um sonho. Ele teve oportunidade no mercado formal mas, ainda assim, quer empreender.” Joana Siqueira ressaltou que muitos empreendedores, inclusive, continuam com o emprego formal e com o próprio negócio por algum tempo, até conseguir estabilidade.

As jovens empreendedoras se sentem mais realizadas (48,3%) do que os homens (43,8%) e também do que as mulheres que não empreendem (20,5%). Entre os homens não empreendedores, o percentual de realização pessoal é de 31,1%. “De fato, o empreendimento é uma realização, uma conquista. Eles se sentem muito recompensados por isso. Mesmo diante de todas as dificuldades que encontram pelo caminho, eles se sentem mais plenos.”

Embora a maioria prefira ser a única dona do negócio, a jovem empreendedora procura estabelecer redes de contato profissionais. É uma questão marcante entre os empreendedores de forma geral. Há mais gosto pelo networking e pela liderança. “Eles gostam de liderar e de estar à frente das empreitadas e tarefas”. O networking é uma realidade para 90% das jovens empreendedoras e para 92% dos homens, mostra a pesquisa, que faz um recorte do levantamento Jovens Empresários Empreendedores. Foram entrevistados 5.681 jovens profissionais dos oito países, na mesma proporção entre homens e mulheres.

Empoderamento

Aos 23 anos, Lívia Ressiguier decidiu largar o emprego em uma empresa da área de saúde e abrir o próprio negócio, em sociedade com a mãe, na Região dos Lagos, no ramo de semijoias e acessórios. “O sonho da maioria dos jovens é abrir o próprio negócio, ter horário flexível. Aí, eu arrisquei nessa coisa de empreender”, disse.

Hoje, aos 37 anos, Lívia tem duas lojas, em Araruama e Cabo Frio, que são tocadas pela mãe, e abriu uma empresa de revenda de bijuterias, em Niterói, que vai completar quatro anos em julho. “É minha paixão hoje. Sinto-me muito realizada com o que eu faço.”

A empresária oferece às suas consultoras a revenda de semijoias como uma oportunidade de negócio. “O meu foco é trabalhar o empoderamento e o empreendedorismo feminino, fazer com que as nossas consultoras acreditem que qualquer pessoa, desde que tenha vontade e preparação, pode empreender tanto na carreira como nos negócios”. Lívia tem atualmente 88 consultores – 87 mulheres e um homem.

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