Posse de cartão chega a 75% dos brasileiros, diz Abecs

redacao 17/10/2012
redacao 17/10/2012

A 5ª edição da pesquisa sobre o mercado de cartões, encomendada pela Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) ao Instituto Datafolha, mostra que a posse de cartões de crédito, de débito e de rede/loja na população aumentou de 68%, em 2008, para 75%, em 2012. Nos estabelecimentos comerciais, os meios eletrônicos de pagamento também ganharam mais espaço e respondem pela maior fatia de faturamento, com 58%.

O estudo da Abecs, divulgado anualmente durante o CMEP (Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento), ouviu consumidores e estabelecimentos comerciais de 11 capitais brasileiras para conhecer seu comportamento e suas impressões em relação aos cartões de pagamento. O levantamento foi realizado nos meses de junho e julho de 2012, registrando a opinião de, aproximadamente, 4 mil pessoas.

Consumidores

Entre as modalidades de meios eletrônicos de pagamento, o cartão de débito é o que apresenta maior representatividade em diversos indicadores, como posse, hábito de uso, preferência e participação nos gastos mensais do consumidor. Além disso, a posse do cartão de débito foi a que mais cresceu nos últimos quatro anos, de 53%, em 2008, para 62%, em 2012. Em seguida vêm o cartão de crédito, de 48% para 52%, e o cartão de rede/loja, de 26% para 28%.

Outra importante constatação da pesquisa em relação ao cartão de débito é que, principalmente no último ano, os consumidores passaram a usar mais esse instrumento em substituição ao dinheiro de papel. Prova disso é que a participação do cartão de débito nos gastos do mês do brasileiro pulou de 19%, em 2011, para 23%, em 2012. No mesmo período, a participação do dinheiro em espécie caiu de 43% para 38%.

No geral, as classes AB detêm a maior posse de cartões, com índice de 85%. A classe C possui 69% e as classes DE, 41%. A posse de cartão de crédito cresce mais entre os consumidores da classe C – de 41% para 45%, entre 2010 e 2012 – e das classes AB – de 62% para 65%. Quando o assunto é cartão de débito, ocorre a mesma tendência, porém com uma evolução mais acentuada – nas classes AB há crescimento de 71% para 76% e na classe C, de 47% para 52%. Em todas as faixas econômicas, o índice de posse de conta em banco é bastante similar ao de posse de cartão: AB (84%), C (66%) e DE (40%).

Quando avaliados por faixa etária, os consumidores detêm maior posse de cartão nos grupos de 25 a 34 anos (79%) e de 35 a 44 anos (76%). No entanto, os crescimentos mais expressivos de 2010 a 2012 ocorreram nos extremos etários: 60 anos ou mais (de 57% para 64%) e de 18 a 24 anos (de 66% para 72%). No mesmo período, a posse de meios eletrônicos de pagamento também registrou maior crescimento entre as pessoas de escolaridade média (de 72% para 77%) e as que possuem ensino fundamental (de 52% para 56%).

Nas regiões pesquisadas, Brasília (DF) é a capital com maior índice de posse de cartões (94%), inclusive quando observadas as modalidades de débito e de crédito separadamente. Por outro lado, as menores taxas de posse são encontradas no Recife (61%), em Manaus (66%) e em Goiânia (66%). A capital pernambucana também é a que registrou a menor posse de cartão de débito, com 34%, bem diferente de Brasília, que possui índice de 90%.

Hábitos e preferência

Os itens que os consumidores mais adquirem com o cartão encontram-se nos grupos: estadias de hotéis e pousadas (71%), roupas, calçados e joias (69%) e bens duráveis para a casa (68%). Em seguida, estão passagens para viagens (67%), materiais para construção (62%), combustível (58%) e produtos alimentícios (57%). Os maiores crescimentos ocorreram nos segmentos de lazer e restaurantes e, em menor grau, também em farmácias e drogarias, onde os cartões passaram a constituir o principal meio de compra (53%).

Em contrapartida, os artigos menos adquiridos com o cartão são jornais, revistas e livros (16%), educação (21%), entrada para shows, teatro, cinema e museu (34%) e serviços médicos, clínicas e hospitais (35%). O papel moeda ainda é o responsável pela grande maioria dos gastos de menor valor, os chamados small tickets – como jornais, revistas e livros (84%).

O hábito de compra pela internet com cartão de crédito cresce de forma consistente. Nos dois últimos anos, de 2010 a 2012, o número de pessoas que costumam pagar com cartão de crédito na web pulou de 13% para 20%. Segundo a pesquisa, também existe alto interesse da população na compra via telefone celular. Cerca de 20% das pessoas, principalmente de 18 a 34 anos, gostariam de poder usar o chamado mobile payment nos próximos anos.
Na opinião dos consumidores entrevistados, os principais pontos fortes do cartão de débito são a segurança (a pessoa não precisar andar com dinheiro), a agilidade no pagamento, a praticidade e a grande aceitação. Como pontos fracos, a segurança também é citada (risco de clonagem e roubo), bem como o imediatismo do débito (dinheiro sai da conta na hora) e problemas com o equipamento. Vale ressaltar que 10% dos portadores de cartão não apontam nenhum aspecto negativo ao cartão de débito.

Quando o assunto é cartão de crédito, são mencionados como pontos positivos a segurança (a pessoa não precisar andar com dinheiro), o parcelamento da compra sem juros e a praticidade que esse meio de pagamento oferece. Os entrevistados relacionam como pontos fracos os juros do rotativo, a anuidade, a falta de controle nos gastos e a falta de segurança (risco de clonagem e roubo).

Estabelecimentos comerciais

Ao ouvir comerciantes afiliados nas 11 capitais brasileiras que participaram da pesquisa, constatou-se que os meios eletrônicos de pagamento respondem por mais da metade do faturamento dos estabelecimentos e sua participação tem aumentado a cada ano, atingindo 58% em 2012. O cartão de crédito é o meio que possui a maior fatia, com 37%, seguido pelo dinheiro em papel, com 32%, e pelo cartão de débito, com 21%. O cheque é o que mais perdeu espaço nos últimos anos, de 7%, em 2008, para 3%, em 2012.

Ao decidir aceitar e incentivar o uso de meios eletrônicos de pagamento, os lojistas consideram a garantia de recebimento o principal fator de influência. Em uma escala de 1 a 10, esse quesito teve média de 8,4. Esse também é o principal ponto forte do cartão na opinião do comércio, seguido por segurança para o estabelecimento, aumento das vendas, praticidade e comodidade.

Sobre os atributos das credenciadoras, os itens que mais melhoraram segundo os lojistas, nos últimos 12 meses, foram tecnologia (49%), segurança (44%) e qualidade das máquinas de cartão (43%). Em seguida, estão disponibilidade de rede (35%), produtos oferecidos (27%), conhecimento sobre as credenciadoras (25%), ofertas ou promoções (18%) e preços e taxas (14%).

Sobre a Abecs

A Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) é uma entidade sem fins lucrativos, que, desde a sua criação em 1971, atua em prol da expansão sustentável do mercado de meios eletrônicos de pagamento no Brasil. Seu quadro associativo corresponde a 95% do setor e reúne os principais players, entre emissores, credenciadoras, bandeiras e processadoras. As atribuições e prerrogativas da entidade incluem o desenvolvimento e a implantação do Código de Ética e Autorregulação, que estabelece as normas éticas que norteiam as relações de suas associadas com a sociedade. Com vistas ao crescimento sustentável do contingente de portadores, a Abecs mantém um programa de educação financeira voltado para o usuário final dos meios eletrônicos de pagamento.

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