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Presidente do Ipea diz que mercado de trabalho beneficia agora os excluídos

redacao 05/03/2013
redacao 05/03/2013

O mercado de trabalho tem sido importante motor da queda da desigualdade de renda no país. O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, disse hoje (4) que, nos últimos anos, a população excluída vem ganhando mais.

“O mercado de trabalho continua movimentando a redução da desigualdade. Aqueles de menor educação, em regiões mais pobres, aqueles que moram em periferia, negros, mulheres, segmentos tradicionalmente excluídos, têm tido um desempenho melhor”, disse Neri, após divulgação do Boletim Mercado de Trabalho, Conjuntura e Análise, no Rio.

Do outro lado, o presidente do Ipea explicou que cresce menos a renda do trabalho de “grupos incluídos”, dentre eles, homens brancos, com alta escolaridade, que moram no Sudeste.

Ainda de acordo com Neri, o emprego é o que diferencia o Brasil das economias europeias. Embora o Produto Interno Bruto (PIB) dos países sejam semelhantes, aqui, o mercado de trabalho comemora queda da informalidade e da taxa de desocupação, além de aumento da renda.

Segundo ele, a situação é um "paradoxo", mas evidencia que o desempenho do trabalho brasileiro é melhor que o da produção. Enquanto a renda do trabalho cresce de 3% ao ano, cita, o PIB cresce 0,9%. “O fato é que, o se o PIB é um bom retrato do Brasil, o mercado de trabalho é um bom retrato brasileiro, ou seja, os brasileiros vão melhor que o Brasil”, reforçou o economista.

Perguntado se a tendência de expansão do mercado de trabalho e da renda média do trabalhador vai se manter em  2013, ele preferiu não fazer previsões. Porém, disse que a situação tende a ser positiva, com disputas por empregados e empregadores reticentes a demitir.

“É uma armadilha boa [a reticência à demissão], o trabalhador tem mais poder de barganha exatamente porque se sente valorizado pela empresa”, disse.

Como indicadores positivos do mercado de trabalho, o boletim divulgado hoje destaca a queda da desocupação média em 2012 (5,5%, a menor desde 2002) e o crescimento da taxa de atividade (pessoas economicamente ativas), de 57,15 para 57,3%, entre 2011 e 2012. De acordo com o documento, o mercado de trabalho registrou um “ótimo desempenho” no ano passado.

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