Projeto gera oportunidades no mercado internacional

Carla Kempinski 16/08/2013
Carla Kempinski 16/08/2013

Iniciativa contempla etapas como a qualificação de pequenos negócios com potencial para a internacionalização

A fabricação de cachaça já está há gerações na família do empresário Raimundo Primo, mas só há sete anos a bebida vem ganhando potencial competitivo no mercado, por meio de um trabalho de seleção de leveduras que garante maior qualidade ao produto. “Contamos com o Sebrae nesse processo, incluindo a formalização da Cachaça Limoeiro e a confecção da nossa marca e rótulo”. Na nova fase, a empresa busca o mercado internacional e já acumula experiências positivas nesse sentido, como a participação na missão à Exposição Comercial Internacional do Panamá (Feira Expocomer), em abril deste ano. Nessa quinta-feira (15), no auditório do Sebrae na Bahia, em Salvador, Raimundo participou do lançamento do projeto-piloto de Inteligência Comercial Internacional.

O objetivo do projeto é a divulgação de negócios, parcerias e investimentos entre os pequenos negócios formais do Brasil e as empresas de mesmo porte nos Estados Unidos e México. Criada pelo Sebrae Nacional em parceria com a Small Business Development Center (SBDC Global), entidade similar que auxilia pequenos negócios nos Estados Unidos e no México, a iniciativa tem a meta de cadastrar 200 empresas brasileiras na plataforma de exportação desses países, atuando em nove estados, inclusive a Bahia.

“Vejo uma perspectiva real nessa etapa de fechar negócios com outros países, garantindo um produto de qualidade”, complementa Raimundo. O otimismo do empresário foi reforçado durante a exposição do projeto, quando o analista de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, Eraldo Ricardo dos Santos, sinalizou o grande potencial da cachaça no mercado de consumo norte-americano. Além de destacar as oportunidades de negócios de 186 produtos em diferentes segmentos, o especialista enfatizou o papel do projeto no fomento à cultura da internacionalização dos negócios, que envolve, sobretudo, processos de melhoria contínua dos serviços e produtos ofertados. “Nesse projeto, são formados canais de comercialização por meio de redes de inteligência com consultores da SBDC, que facilitarão a entrada do produto brasileiro no país sem que o empresário precise se deslocar”.

Ao Sebrae, cabe a qualificação dos pequenos empreendimentos com potencial para a internacionalização, como destacou o diretor-técnico do Sebrae na Bahia, Lauro Ramos. “Entendemos que esse projeto coloca o empresariado baiano em um patamar de negócio internacional mais consistente”.

Durante o lançamento, o coordenador regional da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Thiago Mota, apresentou o papel da entidade junto às micro e pequenas interessadas em internacionalização. O modelo de estratégia do projeto, pautado na preparação do empresário, seguida de ações de promoção, foi destacado pelo coordenador da Câmara de Comércio Exterior da Associação Comercial da Bahia (Comex-ACB), Wilson Andrade. “É uma atuação muito positiva e deve ser incentivada cada vez mais”.

O superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Bahia), Geraldo Machado, frisou a importância do projeto para os pequenos produtores rurais acessarem o mercado. “Esse projeto vem superar diferentes desafios para as pequenas empresas, como impulsionar a qualidade e o conhecimento sobre as oportunidades”.

Ao alcance de todos

Reunindo 850 pequenos produtores do Baixo Sul, a Cooperativa de Fomento Agrícola Valença (Coofava), há quatro anos exporta para o Oriente Médio produtos como cravo da índia e coco de piaçava. Em média, são exportados US$ 100 mil por ano, como explica o presidente, José Alves dos Santos. Depois de conhecer as oportunidades do encontro, ele frisou: “Nossa meta é exportar US$ 200 mil para Estados Unidos e México”.

Sensibilizar os empresários para o fato de que a exportação não é um mito, mas um patamar atingível para empreendimentos com certo nível de competitividade, foi um dos entendimentos da gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Patrícia Orrico, acerca da iniciativa. “Nesse processo de ampliação do potencial das pequenas empresas, tanto no mercado interno como no externo, temos o Sebrae como um dos grandes parceiros”.

Comentar

Os itens com asterisco (*) são obrigatórios. Seu e-mail não será publicado.