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Recolocação profissional no século XXI

redacao 23/05/2011
redacao 23/05/2011

Tenho provado nestes últimos meses, a transformação provocada pela internet na busca de uma recolocação profissional. Já imaginava muitas mudanças, desde o tempo em que domingo era dia de procurar emprego nos classificados dos jornais. Quatro ou cinco cadernos, literalmente recheados de ofertas, cuja leitura consumia todo o dia. Entre procurar, grifar, recortar, etiquetar e envelopar os currículos batidos à máquina, já era hora de dormir.

Segunda, dia de levá-los ao correio ou enfrentar filas, já que alguns empregadores preferiam desta maneira. Quinta ou sexta chegavam os primeiros telegramas, levando-se em consideração o tempo médio de entrega das cartas e o fato de que não havia ainda telefones celulares.

Estávamos nos anos oitenta e início dos anos noventa, época de mercado fechado, no qual o termo globalização era ainda algo distante. Profissionais pós-graduados e com inglês intermediário eram raros e disputados pelas multinacionais, num tempo em que empresa nacional era considerada como segunda opção.

Muita coisa mudou desde então. Somos hoje um dois países que mais recebem investimentos externos, além do fato de que muitas das melhores empresas são hoje brasileiras. Esta combinação tem atraído diversos profissionais que abandonaram o país em busca da tão sonhada globalização em cidades como Nova York ou Londres. Bem formados, com mestrado e cursos de especialização nas melhores universidades do mundo, hoje eles disputam vagas no Brasil à distância, monitorando oportunidades disponíveis na web.

Nota-se também que as vagas migraram para outras plataformas. Empresas e headhunters utilizam suas próprias páginas, redes sociais específicas ou sites de empregos para divulgar suas vagas – esquecendo muitas vezes os jornais. Diversos agregadores surgiram com a finalidade de classificá-las por cargo, salário e localidade, facilitando o trabalho de busca.

Há ainda algumas redes sociais específicas para o mundo corporativo, as quais passam longe dos congêneres Facebook e Orkut, em termos de objetivo e comportamento. Hoje o Linkedin é a que mais se destaca, com mais de cem milhões de usuários. Seu crescimento no Brasil foi bastante interessante em 2010, atingindo o percentual de 430%.

Entretanto, é preciso tomar alguns cuidados na hora de procurar um emprego pela internet. Confira:

Currículo online: Ao preencher um currículo via web seja detalhista, listando os diferentes cargos ocupados, mesmo que na mesma empresa. Concentre-se nas principais realizações, enfatizando os principais resultados atingidos. Coloque os pontos mais relevantes de sua carreira no sumário, o qual levará ou não a leitura do restante de seu perfil. Não se esqueça das palavras-chaves, essencial na era das buscas.

Redes sociais: Filie-se a grupos aos quais tenha alguma afinidade, tais como empregadores atuais e antigos, instituições de ensino, executivos em busca de recolocação, assim como assuntos relacionados ao seu campo de trabalho. Veja os assuntos e o comportamento dos membros, antes de postar suas mensagens.

Foto: Tanto no currículo, quanto nas redes sociais, é importante ter cuidado com as fotos. Como se trata de algo profissional, evite compartilhar fotos do último churrasco ou viagem de férias. Prefira algo mais adequado a sua ocupação profissional. Terno e gravata e tailleur são opções bem seguras.

Efeito Spam: Evite enviar e-mails e convites de maneira indiscriminada, procurando sempre algum contato em comum que possa apresentá-los.

Indicações: Faça-as de maneira honesta, somente para aqueles em que você realmente coloca a mão no fogo. Lembre-se que você é quem estará exposto. Para solicitá-las, a recíproca é verdadeira. Chefes, pares, subordinados, fornecedores, clientes e até professores podem ser boas referências.

Ética: nunca confunda o propósito pelo qual entrou em uma rede profissional. Assim, mensagens carinhosas, comentários sobre a última festa ou balada devem ser deixadas para outras redes sociais. Vale também salientar que muitos recrutadores e headhunters costumam “pesquisar” os candidatos.

Por fim, quero salientar que a próxima fase será sempre o contato pessoal, seja ele em forma de dinâmicas de grupo ou entrevistas. Transparência, objetividade, sinceridade, vestimenta e comportamento continuam e continuarão a ser avaliados como nos tempos do velho jornal de domingo. Uma boa dica neste caso é perguntar aos mais velhos, cuja experiência não pode ser adquirida na web ou em sites de busca.

Marcos Morita é mestre em Administração de Empresas e professor da Universidade Mackenzie. Especialista em estratégias empresariais, é colunista, palestrante e consultor de negócios. www.marcosmorita.com.br

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