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Recuperados da tragédia, empresários só pensam em negócios

redacao 05/08/2013
redacao 05/08/2013

A vontade de superar um revés na vida impede Kênia Cariello de falar das enchentes de Nova Friburgo, na região serrana do Rio, em 2011. A empresária de moda esportiva teve muitas perdas. Mas evita o assunto: “A gente não quer falar de tragédia. A gente cansou, a gente sofreu, a gente perdeu, mas é uma página virada ”, desabafou a dona da empresa CCM Confecções.

De olho no futuro, Kênia tem boa expectativa em relação à Feira Brasileira de Moda Íntima, Praia, Fitness e Matéria-Prima (Fevest), em sua 23ª versão, que começou ontem (4). O evento reunirá empresários do Polo de Moda Íntima de Nova Friburgo e Região. “Vai ser excelente, novos clientes, trocas de informações. A gente sempre vai de cabeça erguida. Cada cliente novo que a empresa conquista na Fevest é um cliente para o ano todo. A gente vai sempre com boas expectativas e está bem animada”, disse.

Manoela Monnerat é diretora administrativa da Dados e Dadinhos, que confecciona lingerie feminina. Em 2011, por causa das enchentes na cidade, a empresa perdeu 80% do estoque e de matéria-prima. Houve queda de 90% no faturamento e prejuízos de R$ 600 mil, além da perda de pessoas da família. Ela acredita que a união da população local e dos empresários fez o setor se reerguer. “A vontade dos nossos clientes que queriam que a gente continuasse, dos nossos funcionários, que dependiam do emprego e a ajuda dos fornecedores, foi uma motivação: essa vontade de todo mundo querer continuar e seguir em frente”, explicou. 

O presidente do sindicato da Indústria do Vestuário de Nova Friburgo (Sindvest), Marcelo Porto, disse que os empresários tiveram apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e dos fabricantes de tecidos, que seguraram as faturas e, ainda, renegociaram as parcelas vencidas dos empresários atingidos pela tragédia. “ Houve empresa em que as máquinas e os donos foram soterrados. Outras perderam parte das máquinas e puderam se recuperar. A cidade sofreu e não foi de maneira uniforme”, contou.

Na feira os empresários têm contatos com compradores tanto do mercado brasileiro, como de outros países e representantes de entidades ligadas à cadeia têxtil e confecções. Segundo o presidente do Sindvest, a pauta de importação da Turquia inclui produtos brasileiros do setor de moda feminina. “A Turquia de um modo geral vende para a Europa inteira, mas uma das coisas que eles importam do Brasil é a lingerie”, disse o presidente.

A expectativa dos organizadores é que a feira atraia nos três dias  8 mil pessoas, 2 mil a mais que no ano passado. Eles esperam também um aumento de 20% nos negócios na comparação com 2012. No ano passado, a Fevest movimentou R$40 milhões. Marcelo Porto disse que o polo, em alguns segmentos, é responsável por 25% da produção do mercado brasileiro e atende a grandes magazines do país. Durante a Fevest os confeccionistas vão expor as tendências para a moda em 2014.

O Polo de Moda Íntima, que inclui Nova Friburgo e mais 11 municípios da região, tem cerca de 1.500 confecções de pequeno, médio e grande porte, que geram 20 mil empregos, sendo 12 mil formais e 8 mil informais, cerca de 60% em Nova Friburgo, segundo o presidente do sindicato. O setor representa 47% da economia da cidade.

Em todas as edições, a feira dá apoio a instituições sociais. Este ano, a escolhida foi a Associação Friburguense de Integração dos Deficientes Visuais (Afridev). Um grupo de voluntários chamado Loucos por Lingerie vai produzir um calendário com fotos de modelos usando vendas de dormir e o material será vendido na feira. A renda será revertida para a instituição.

A coordenadora de Moda do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Fabiana Pereira Leite e Souza Mello, disse que a entidade considera que o setor de moda de Nova Friburgo é estratégico para a economia do estado do Rio de Janeiro e trabalha com os empresários da região facilitando o acesso deles ao mercado. “A gente dá todo o suporte para pequenos e microempresários”, explicou.

Para Fabiana, a participação dos empresários da indústria têxtil na Feira é uma comprovação de que eles superaram os efeitos da tragédia de 2011. “Os empresários de Friburgo conseguiram efetivamente dar a volta por cima”, completou.

Informações Agência Brasil

 

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