Roberto Tranjan ensina como compreender as mudanças nos negócios

redacao 25/07/2013
redacao 25/07/2013

Embora o verbo “crescer” seja o mais conjugado (e ansiado) no mundo dos negócios, nem sempre é o mais apropriado. É preciso compreender e respeitar os movimentos das marés!

por Roberto Tranjan

  Movimentos! É deles que é feita a vida. Estagnação significa morte, na certa. É preciso compreender   os movimentos e seguir o fluxo contínuo das mudanças. Tudo o que tem vida, se move. Acomeçar     pela própria Terra, em contínua rotação e translação. Ou nosso coração, em constantes batimentos     de sístole e diástole. Observe o pulmão, que inspira e expira. Terra, coração e pulmão seguem o       mesmo impulso vivificador.

 Maré alta, maré baixa! Cheias e vazantes. Não é diferente com a economia e os negócios. Ao  compreender os movimentos que oscilam entre o caos e a ordem, podemos “pegar a onda” que nos  levará para os melhores patamares de evolução e prosperidade.

  Um mundo não tão distante

 Mudanças sempre existiram. Mas houve um tempo em que não eram tão perceptíveis. Muita gente,  distante dos grandes centros econômicos, nem se dava conta delas. Mas isso foi em outra época.  Nos dias de hoje, tudo é bem diferente. As mudanças mundiais são velozes e contundentes e, com  maior ou menor impacto, afetam todos os países, cidades e aldeias.

  Cinco ondas, impulsionadas pela explosão tecnológica, estão transformando o planeta: os

computadores pessoais, as telecomunicações, a biotecnologia, a nanotecnologia e a energia alternativa. Essas ondas têm profunda influência em nosso modo de vida. Estamos (quase) todos interconectados, como se atados a uma grande teia.

O mesmo acontece com os mercados: os negócios virtuais se expandem e o comércio eletrônico se consolida. Com isso, a cada dia, as fronteiras perdem sua importância e as barreiras alfandegárias se dobram diante de uma economia cada vez mais integrada e internacionalizada.

É claro que mudanças tão impactantes não ocorrem de forma harmônica. Ao contrário! Os movimentos se alternam entre o caos e a ordem, nem sempre num ritmo desejável. Nos grandes embates econômicos, os oligopólios industriais se agigantam e as grandes corporações transnacionais se consolidam, na ânsia de sobreviver em uma economia ainda sustentada pelos ganhos de escala. É a orgia das fusões e incorporações!

Tudo isso provoca instabilidade no sistema financeiro mundial, dada a interligação irreversível. Basta citar os reflexos da crise vivida hoje pelos Estados Unidos. A China detém 45% das obrigações do tesouro norte-americano, o que mostra ao mesmo tempo, e paradoxalmente, uma grande dependência entre a economia chinesa e a norte-americana e o deslocamento do centro de gravidade do poder econômico, antes na Europa e nos Estados Unidos, para a Ásia.

Cresce o número de telefones celulares, da base instalada de microcomputadores e dos usuários da internet. Mas entre o caos e a ordem, o explosivo progresso econômico não tem contrapartida no social. Aumenta o número de pessoas socialmente excluídas. A concentração do poder tecnológico, financeiro, político e militar em poucos países faz com que 20% da humanidade controle 83% das rendas mundiais, enquanto destas resta apenas 1,4% para a parcela dos 20% mais pobres.

No caos, globaliza-se tudo, inclusive a máfia, o narcotráfico e a economia da contravenção. Enquanto por um lado se acelera o esgotamento dos recursos não renováveis, por outro, na busca da ordem, criam-se e são desenvolvidos novos materiais capazes de preservar o meio ambiente, à luz do respeito pela natureza, com suas fontes de água e energia, e do controle da poluição. Aliás, com o fim da Guerra Fria, muitas bandeiras partidárias consideradas progressistas se sustentam, agora, nas questões ambientais. Plataformas políticas priorizam o saneamento básico, a indústria da reciclagem e a gestão e controle ambiental.

Esses movimentos aparentemente lentos e irregulares de expansão e contração se manifestam em toda a economia: de um lado, a tendência recessiva somada ao protecionismo e à crise de confiança no sistema financeiro; de outro lado, os avanços nas negociações em torno de um sistema de regulação mundial, com o propósito de redefinir as novas regras da economia mundial.

Aposta-se, portanto, no amadurecimento das instituições políticas e na consolidação da democracia, no âmbito dessa sociedade mais transparente e interconectada.

Um mundo mais próximo

O Brasil, com todas as suas contradições políticas, sociais e econômicas, trafega diante desse ambiente de mudanças. São vários os estrangulamentos estruturais que, como uma espada de Dâmocles suspensa sobre a cabeça da economia, ameaçam o desenvolvimento, no longo prazo: o capital intelectual imprescindível para acompanhar o desenvolvimento tecnológico, o desgaste da infraestrutura de transporte e energia, o complexo sistema tributário inibidor da iniciativa privada e da competitividade internacional e, principalmente, o baixo nível de escolaridade e de qualificação da maioria dos trabalhadores.

Mesmo assim, o Brasil é considerado emergente, com grande potencial econômico, junto com a China, a Índia, a Rússia, o México e a Coreia do Sul.

No curto prazo, a economia brasileira segue em modesto crescimento, impulsionado principalmente pelas indústrias da construção civil e automobilística.

A empresa viva

O mundo é um macrossistema, onde diversos sistemas se interligam para formar o todo. A empresa, como um desses sistemas, precisa acompanhar os ciclos – de expansão e contração – que movimentam a vida.

É da sabedoria dos negócios perceber quando se expandir, quando diminuir o ritmo e se consolidar e quando retomar o crescimento. Embora o verbo “crescer” seja o mais conjugado (e ansiado) no mundo dos negócios, nem sempre é o mais apropriado. É preciso compreender e respeitar os movimentos das marés!

Diante de tal conjunto, o ser humano é como um microuniverso. Em harmonia com o todo, suas possibilidades são expandidas. Embora o mar seja turbulento na superfície, permanece calmo e sereno nas profundezas. É aí que o líder deve lançar a sua âncora! E a única ancoragem segura diante das oscilações entre o caos e a ordem é a consciência: se uma pessoa tiver uma vida bem-sucedida na empresa, isso se refletirá na comunidade. Se a empresa e a comunidade forem bem-sucedidas, influirão sobre a economia e a sociedade. Se a economia e a sociedade forem bem-sucedidas, tal sucesso incidirá sobre o país e o mundo. Se o mundo for bem-sucedido, assim será também com o cosmo e agradará a Deus.

É o que, em suma, se chama de evolução! Navegue nessa onda perfeita!

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