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Saída de capital estrangeiro da Bovespa divide opiniões

redacao 10/12/2009
redacao 10/12/2009

A possível influência da fuga de capital estrangeiro da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) sobre os investimentos estrangeiros diretos, aqueles que se destinam à parte produtiva da economia e geram empregos,  tem divido a opinião de economistas.

Alguns acreditam que o capital que sai do mercado de ações brasileiro é somente “especulativo” e não altera os planos de expansão ou ampliação de empresas estrangeiras por aqui. Outros dizem que a saída do capital da bolsa reduz o ritmo da economia brasileira, o que afugenta o investimento produtivo, inclusive o estrangeiro.

O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, sócio da Tendências Consultoria Integrada, está no primeiro grupo. Em entrevista à Agência Brasil, ele afirmou que as empresas do exterior que pretendiam investir no país antes da crise internacional e das quedas da Bovespa já planejaram a sua aplicação há algum tempo e não mudarão de idéia devido à fuga dos que buscam ganhos imediatos do Brasil.

“O dinheiro que sai do país é o que está aplicado em ações. Não há notícias de fuga de investimentos em novas instalações, expansão de empresas etc” afirmou o economista. Ele citou relatórios do Banco Central (BC), que estimam a entrada de U$ 35 bilhões (R$ 56 bilhões) em investimentos estrangeiros diretos neste ano, 10% do total previsto para o país.

Segundo Mailson, dois fatores são determinantes para o investimento produtivo: as perspectivas de ganhos e a situação da empresa que fará a aplicação. Para ele, as perspectivas da economia brasileira estão “entre as melhores do mundo”

Ricardo José de Almeida, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), tem outra opinião. Segundo ele, se a previsão do BC de investimentos estrangeiros diretos de US$ 35 bilhões foi feita no início do ano, “com certeza, não se confirmará” devido às incertezas nos cenários nacional e internacional.

Almeida considera equivocada a suposta divisão entre investimento “especulativo” e “produtivo”,  já que um financia o outro. “O dinheiro que entra na Bolsa acaba sendo usado pelas empresas para financiar investimentos; com mais investimentos, mais o país cresce; com o crescimento, mais pessoas aplicam na bolsa; e assim vai…”

“A saída do investidor estrangeiro da bolsa faz os preços das ações cair e reduz o crescimento do país”, complementou o professor. “Se a economia não vai crescer o que se esperava, o investidor vai se afugentar, seja lá de onde for.”

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