Seguros podem ficar mais baratos com lei que permite o uso de peças recondicionadas

redacao 10/12/2009
redacao 10/12/2009

O ramo de seguros para automóveis, que já experimenta grande potencial de crescimento, pode se expandir ainda mais, com a aprovação do projeto de lei que permite a comercialização de peças usadas na reforma de carros. Com essa medida, é grande a probabilidade de redução do valor das apólices, o que pode permitir o acesso de mais pessoas ao seguro, avalia o professor de finanças da da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Alexis Cavichini.

Ampliação do mercado
Hoje, a legislação exige que os automóveis sejam reformados com peças novas, mas, segundo o docente, a alternativa seria permitir que as seguradoras pudessem fazer reforma com peças recondicionadas. "Isso tornaria viável que se segurasse uma parte importante da frota circulante", explicou à agência Brasil.

De acordo com o professor, cerca de 25 milhões a 28 milhões de automóveis no Brasil são antigos – de uma frota total de 50 milhões de veículos – e ainda estão circulando. Desses, apenas 6 milhões são segurados. Do restante, outros 6 milhões poderiam adquirir o seguro, se o preço da apólice fosse mais acessível, estima Cavichini.

"As próprias seguradoras não têm interesse em segurar esses automóveis. Se a gente pudesse reformar um automóvel, em caso de batida, com peças retificadas, isso seria um mercado interessante para as empresas e para os donos desses veículos. E os preços [dos veículos] cairiam enormemente", observou.

Peças independentes
Outra proibição atual da Susep é a reparação de automóveis com peças adquiridas de produtores independentes. Apenas peças originais podem ser utilizadas. Entretanto, caso fosse feita uma concessão nesse caso, o valor médio das apólices, principalmente dos modelos com mais de dez anos, diminuiria cerca de 30%, segundo a Anfape (Associação Nacional dos Fabricantes de Autopeças).

Com a permissão do uso de peças fabricadas por empresas independentes, poderia ainda haver o repasse de uma parte da economia gerada pela aplicação das peças similares para incentivar o aplicador a utilizá-las.

Preços menores

Cavichini ainda ressaltou que os preços dos seguros já estão caindo, por causa da concorrência. A expectativa é que esses valores continuem a cair em 2009. Com a lei seca, constatou o professor, a sinistralidade de automóveis está diminuindo, especialmente em São Paulo, onde se encontra a maior parte da frota do país.

O projeto de lei que trata da questão das peças usadas é de autoria do senador Romeu Tuma (PTB-SP), e foi encaminhado em setembro do ano passado à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, onde aguarda parecer.

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