Spin-off de segunda geração dedica-se à criação de soluções interativas para TV que devem revolucionar o varejo

redacao 06/01/2011
redacao 06/01/2011

Spin-off de segunda geração dedica-se ao desenvolvimento de soluções interativas para TV, como o t-commerce, que promete revolucionar o varejo

Se para muitas empresas o conceito de spin-off ainda é novidade, para outras ele já faz parte da cultura organizacional. É o caso da Brava ECM, companhia catarinense focada em serviços e desenvolvimento de software, que começou como spin-off em 2008 e, agora, lança a Brava iTV – outra spin-off, desta vez voltada à criação de aplicações interativas para TV digital. “Pela nossa experiência, sabemos que as spin-offs são viáveis e fazem todo o sentido no mercado de hoje”, afirma Anderson Nielson, gerente de desenvolvimento e um dos sócios da empresa.

A história da Brava ECM começou há dois anos, quando a Datasul S/A (hoje Totvs S/A) adquiriu a franquia da Datasul Tecnologia. Após a compra, aproximadamente 100 colaboradores da extinta Datasul Tecnologia uniram-se e criaram duas novas empresas, sendo uma delas a Brava ECM e, a outra, a New Tech – também uma spin-off, voltada à área de infraestrutura de sistemas de informática. “Como é comum entre spin-offs, seja ligadas a universidades ou grupos privados, as companhias surgiram para dar continuidade a algumas linhas de negócio que eram fortes dentro da Datasul Tecnologia, mas agora com estruturas e estratégias próprias”, conta Nielson.

Foi a partir do segundo semestre de 2010 que surgiu a ideia de criar outra spin-off dedicada ao desenvolvimento de soluções interativas para TV. A decisão foi motivada pela experiência prévia de Nielson, que atuou em projetos de convergência digital através da televisão e de dispositivos móveis como tablets e telefones celulares. “Identifiquei uma oportunidade no mercado e decidi propor a criação da Brava iTV”, diz.

A primeira estratégia para levantar recursos foi inscrever a empresa em um edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) destinado à subvenção de projetos que envolvem alto grau de inovação. “Não adianta esperar que empresas privadas invistam em projetos desse tipo, que representam risco devido ao grau de inovação elevado”, avalia Nielson. Ao todo, a Brava iTV recebeu aproximadamente R$ 1,5 milhão em editais da Finep. “Com este incentivo passamos a investir ainda mais na área de TV digital, ampliar o network, desenvolver parcerias e construir outros aplicativos.”

Entre os produtos desenvolvidos pela Brava iTV está a plataforma de t-commerce. Ainda inédito, o conceito promete revolucionar o varejo ao utilizar a televisão como meio de promoção e viabilização do comércio eletrônico. Na prática, será possível comprar determinados itens apresentados nos programas utilizando apenas o controle remoto. “A ideia é comprar, na hora, o vestido que a atriz está usando, ou até mesmo uma peça do cenário, um sofá, um quadro, etc.”, explica Nielson.

Mas o t-commerce é apenas uma das apostas da Brava iTV. A spin-off investe ainda na criação de aplicativos interativos para advergames – mistura de publicidade com jogos. Outro produto inovador é o Twitter TVD, que integra a rede social Twitter à programação televisiva, permitindo que o telespectador comente sobre o programa em tempo real. Já o Wikipedia TVD mostra ao telespectador uma série de artigos relacionados ao conteúdo dos programas e filmes que estão no ar.

Desafio

Para dar conta destes projetos, a empresa possui uma equipe multidisciplinar que tem como objetivo entender as necessidades do mercado, o comportamento do telespectador, a usabilidade das aplicações e as possibilidades que a tecnologia oferece. Um desafio e tanto para a empresa, até porque o Sistema Brasileiro de TV Digital ainda é incipiente – e indefinido – quando o assunto é interatividade.

Embora a verba proveniente de editais públicos seja fundamental para o desenvolvimento das spin-offs, por outro lado representa um desafio. “A questão é que esse dinheiro só pode ser investido em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, ou seja, não pode ser investido em ações de marketing e vendas, o que muitas vezes dificulta a inserção da empresa no mercado”, aponta Nielson.

Outra dificuldade na hora de prospectar clientes é a diferença de foco em relação à empresa-mãe. Enquanto a Brava ECM atua junto às indústrias dos setores metal-mecânico, têxtil, petroquímico e farmacêutico, a Brava iTV dirige-se às agências de publicidade e emissoras de TV. “É uma abordagem completamente diferente da que estávamos acostumados a fazer na empresa-mãe, então estamos aprendendo a lidar com estas questões ligadas ao mar­keting e à comunicação”, afirma.

Para driblar as dificuldades comerciais, a empresa busca apresentar os projetos para emissoras de TV nacionais, além de anunciantes, redes de varejo e agências de publicidade. “Estamos em busca de parceiros interessados em desenvolver estratégias de exposição de marca baseadas na inovação que a interatividade na TV digital representa”, explica Guilherme Lopes, coordenador de projetos na área de TV Digital da Brava iTV.

Na opinião de Nielson, a principal vantagem das spin-offs é a possibilidade de valer-se do network da empresa-mãe para gerar novos negócios. “Até mesmo se você faz uma viagem para fazer a venda de um produto da linha principal, é possível aproveitar e fazer contatos para a spin-off também.”

Atualmente, a Brava iTV está instalada nas dependências da Brava ECM, na cidade de Joinville (SC). Mas a ideia é ter uma sede própria dentro dos próximos dois anos. “É importante que a spin-off tenha sua vida financeira e administrativa totalmente desvinculada da empresa-mãe”, diz Nielson.

Segundo o executivo, as primeiras experiências de t-commerce devem ocorrer ainda no primeiro semestre de 2011, o que deve impulsionar o crescimento da Brava iTV. “Nossa expectativa é grande, já que os consumidores estão cada vez mais habituados ao comércio eletrônico e, como se sabe, os brasileiros são apaixonados por televisão.”

Contato:

Brava iTV: www.bravaitv.com.br

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