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Veja onde os empreendedores podem buscar auxílio para suas necessidades

redacao 19/11/2013
redacao 19/11/2013

por Raquel Rezende

Com foco no estímulo à inovação, à eficiência em gestão e à capacitação empresarial para uma indústria mais competitiva, o Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina (IEL/SC) consolidou-se como a entidade do Sistema Fiesc responsável pela articulação entre o setor produtivo, os agentes de fomento e as instituições de ensino e pesquisa. Foi criado com o objetivo de promover a interação universidade-indústria em nível regional, por meio da administração de estágios de alunos universitários nas indústrias. Em 1989, mediante reestruturação organizacional, passou a desenvolver projetos e serviços de apoio às empresas.

A Welle Laser nasceu durante o curso de engenharia da Universidade Federal de Santa Catarina e depois foi incubada no Cel

Na visão do superintendente do IEL/SC, Natalino Uggioni, atualmente o que urge é a necessidade de formação de empreendedores, mesmo que não o sejam no futuro, entretanto já devem ser formados dessa maneira. Para ele, as universidades precisam intensificar a formação para o empreendedorismo. “No Brasil temos um sistema acadêmico que já despertou para a relevância do empreendedorismo. Cada vez mais as universidades têm que perceber que no mercado formal a quantidade de vagas que se abre não vai absorver todos os jovens que se formam. Por isso, é preciso orientar esses jovens desde cedo para eles já saberem quais órgãos de apoio procurar”, afirma. Uggioni acrescenta que há empresas que nasceram sob a liderança de um único empreendedor e se tornaram referência nacional ou internacional.

Neste sentido, o IEL/SC trabalha para apoiar os empreendedores que possuem ideias inovadoras e precisam de recursos. “Os empreendedores têm muito claro o que precisam fazer, mas não têm ideia de gestão. Assim, nossos alunos que atuam na pré-incubadora ajudam a preparar o plano de negócios, avaliar o mercado, a concorrência, descobrir ponto de equilíbrio e levantar custos”, explica Uggioni. Posteriormente, a ideia pode evoluir para uma incubadora de empresas, que é um ambiente de retaguarda para o empreendedor com a disponibilidade de uma rede de contato com outros empreendedores, proporcionando sinergia e troca de experiências. Uggioni enfatiza que o empreendedor tem que estar com o radar ligado para buscar as oportunidades. “Não adianta uma bela ideia se não for aceita pelo mercado e comprada por uma empresa”, diz.

Uggioni também faz referência ao programa Sinapse da Inovação como uma alternativa para o empreendedor submeter seu projeto, e se for aprovado ele receberá dinheiro para dar continuidade. “Quanto mais o candidato a empreendedor souber das possibilidades, obviamente mais chance ele terá de conseguir recursos. Todo esse processo ajuda a diminuir o alto índice de mortalidade das empresas”, analisa. O superintendente considera que há muitas empresas de diferentes tamanhos que precisam de ajuda. “Às vezes, o próprio empresário se exclui, achando que não conseguirá esses recursos. Pensa que o dinheiro não é para ele. Por isso, fazemos palestras de sensibilização e vamos às empresas para divulgar os programas que precisam destinar recursos para boas propostas”, destaca. Uggioni relata que a equipe do IEL/SC faz diversas visitas às empresas. “Através dos sindicatos chegamos às empresas. E são muitas aquelas que estão sindicalizadas e não vão à reunião”, observa.

Uggioni percebe ainda que até hoje nenhuma empresa, quando questionada, diz que não é inovadora. “Aí questionamos: vocês fazem inovação sozinhos? E a maioria responde positivamente e registra que todo o processo leva cerca de três a quatro anos. Mas se essa empresa estivesse incluída em um projeto levaria menos tempo – aproximadamente dois anos. E receberia recursos não reembolsáveis para destinar a elaboração do seu protótipo e/ou produto”, alerta. Porém, segundo ele, o que acontece é que os empreendedores procuram o IEL/SC quando já estão com o produto pronto. E isso Uggioni considera um erro, pois existem recursos não reembolsáveis para chegar aonde esse empreendedor chegou.

O superintendente destaca também que há empresas que já passaram por esse início difícil de trabalhar sem recursos para seus projetos e com isso aprenderam que devem se estruturar para ter verba destinada à inovação. “Empresas que nasceram em um ambiente com essas informações já sabem o caminho das pedras. Agora elas têm uma carteira de projetos e estão contaminadas com o vírus da inovação”, afirma Uggioni. Na sua visão, se a empresa não tem uma estrutura para elaborar projetos e o prazo do edital que oferece os recursos é curto – cerca de um mês –, e se o projeto não estiver bem alinhado às exigências do edital, o empreendedor não conseguirá ter êxito. Por isso, é importante mostrar ao órgão de fomento que a empresa faz inovação sem depender do recurso reembolsável.

Uggioni avalia que a grande maioria das empresas tem dificuldade de colocar no papel a ideia, de adaptar a linguagem ao edital ofertado pelo órgão de fomento. E avisa aos empreendedores desinformados que o IEL/SC elabora o projeto sem custos para a empresa, faz a análise do projeto do empreendedor, avalia a aderência do projeto ao edital, ou faz a gestão, auxiliando na prestação de contas e ajudando a procurar as portas corretas para submeter o projeto a determinados editais que oferecem recursos não reembolsáveis. “Nosso trabalho é ajudar a empresa a se estruturar. O IEL/SC tem metodologia para sair do plano estratégico e ir de fato para a execução. O consultor do IEL/SC vai trabalhar para ajudar a empresa a sair da inovação incremental para a radical. Somente 1% das empresas consegue sair da inovação incremental ou teórica – podemos chamar assim – para a radical e ser, de fato, inovadora diariamente”, comenta. Uggioni lembra que no início da década de 1990 a empresa era avaliada pela qualidade de seus produtos ou serviços e se atendia ao requisito da norma ISO. A nova exigência fez as empresas buscarem qualidade para se enquadrarem ao mercado. Agora é o momento da inovação, ele enfatiza. “É a saída para fugir da igualdade e ter um diferencial. E basta os empresários quererem: quanto mais estruturada a empresa, mais fácil de conseguir conquistar editais de inovação.”

Uma empresa que pode ser considerada fruto da educação empreendedora, defendida pelo superintendente do IEL/SC, é a Welle Laser, que nasceu durante o curso de engenharia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A empresa especializada no desenvolvimento e implementação de soluções de tecnologia laser para marcação e rastreabilidade em metais e polímeros começou a se estruturar a partir do programa Sinapse da Inovação. “Durante os primei ros anos, orientados pelos professores da universidade e conselheiros da incubadora de empresas do Celta, buscamos consultorias no Sebrae como, por exemplo, o curso Empretec, um dos melhores cursos de empreendedorismo que já conheci e que recomendo fortemente”, afirma Rafael Bottós, presidente da Welle Laser.

Depois, a empresa realizou parcerias com diversas entidades, com destaque para um projeto de cerca de R$ 2 milhões com a Finep CT-Petro para o estudo de tecnologias avançadas de soldagem para a Petrobras, tudo inteiramente administrado pelo IEL/SC. “Este e outros exemplos são importantíssimos para alavancar o desenvolvimento de negócios, melhorias de procedimentos de gestão e boas condutas”, opina Bottós.

Para ele, o principal benefício dessas entidades é a orientação para boas práticas de gestão, a viabilização de oportunidades latentes, através do acesso junto aos órgãos de subvenção econômica da Finep e mais recentemente o contato com tecnologias de ponta. Na sua avaliação, os órgãos de apoio são importantes, pois boa parte dos investimentos em tecnologia foi realizada através de contratos de parceria. “O empreendedor jovem geralmente possui muita garra e determinação, mas falta experiência, que pode ser mais facilmente absorvida com as orientações disponíveis nessas entidades. Este foi o meu caso”, relata.

A baixa divulgação sobre as soluções que as entidades oferecem e a falta de uma estratégia de segmentação que possa abranger e se aplicar à vasta variedade dos negócios em todo o Brasil são apontadas por Bottós como fatores desestimulantes para os empreendedores buscarem as instituições apoiadoras. “Acredito que seja necessária uma segmentação mais específica, com exemplos práticos de soluções de empresas da região que facilitem a percepção dos empresários do benefício a ser atingido. Por exemplo, não podemos exemplificar o trabalho do Sebrae para a comercialização de uma loja de detergentes a um grupo de empresários de alta tecnologia em softwares”, defende. Na sua opinião, a metodologia e os conceitos podem até ser os mesmos, mas a abordagem é totalmente diferente. Bottós cita que nos últimos anos foi possível observar um avanço considerável de trabalhos, principalmente no Senai e Sebrae, com investimentos em workshops, institutos de excelência e capacitação. “Essas iniciativas tendem a melhorar muito a abrangência das instituições, além de credibilidade e eficiência”, acredita.

O presidente da Welle Laser acha que basta ter iniciativa e correr atrás para ter sucesso. “Existem diversos tipos de cursos, consultorias e parcerias disponíveis para os empresários, em sua maioria de graça, onde há profissionais de excelente qualidade e experiência dispostos a atendê-los prontamente. São recursos que pagamos todos os meses através dos impostos e que infelizmente são subutilizados por falta de informação, divulgação e iniciativa dos empresários.”

Aspirantes a franqueados

Os interessados em abrir uma franquia também não precisam se sentir sozinhos. A Associação Brasileira de Franchising (ABF) desenvolve um trabalho de orientação por meio de cursos básicos e avançados na área. O curso “Entendendo franchising”, por exemplo, oferece um esclarecimento completo dos conceitos básicos do sistema de franchising, abordando temas como vantagens e desvantagens, técnicas de avaliação para a escolha do melhor negócio, direitos e obrigações expressos na lei de franquias e o papel da ABF como representante oficial do franchising no Brasil.

Já o Conhecimento Avançado de Franchising (CAF), como o próprio nome sugere, é composto por 11 módulos e aborda desde a análise de franqueabilidade do negócio até a manutenção do relacionamento com a rede. Em cada módulo uma marca associada apresenta seu caso prático sobre o tema tratado e no último módulo ocorre a visita técnica a uma franqueadora. O público-alvo deste curso são profissionais do setor e potenciais franqueadores.

O vice-presidente da ABF, Gustavo Schifino, explica que a entidade disponibiliza diferentes formatos de cursos para atender as mais diversas necessidades de quem pensa em abrir uma franquia. Os cursos são realizados em diferentes cidades brasileiras. “Oferecemos cursos básicos e avançados na área de franchising. Com opções de treinamento que dura um dia inteiro, certamente com a horizontalidade necessária sobre os elementos principais do franchising. E, também, opções que abordam com profundidade todos os itens que envolvem a administração de uma franquia”, esclarece.

De acordo com Schifino, a grande maioria de interessados em abrir uma franquia, geralmente, procura a ABF antes de começar o negócio. “Pelo fato da ABF representar o franchising no Brasil, fica mais fácil para o futuro franqueador identificar nosso papel e vir até nós em busca de orientação”, diz Schifino.

Necessidade do empreendedor X Onde encontrar ajuda

Associação Brasileira de Franchising (ABF): orientações para entrar no mercado de franquias. www.portaldofranchising.com.br

Instituto Euvaldo Lodi (IEL): oferece consultoria para diferentes propósitos, desde gestão da inovação, elaboração de projetos inovadores, programa de desenvolvimento de cadeias produtivas, benchmarking industrial e mapeamento de gestão de grupos empresariais. www.ielsc.org.br

IBQP: disponibiliza capacitação através da Escola Brasileira de Produtividade Sistêmica (EBPS), que inclui programas de educação a distância e presencial, pesquisa e desenvolvimento aplicados sobre métodos, técnicas e práticas de gestão para as empresas e instituições e extensão sociotécnica na forma de assistência às empresas na aplicação de modelos de gestão de alta performance. www.ibqp.org.br

Endeavor: organização internacional que promove a cultura empreendedora por meio do suporte a empreendedores de alto impacto. Tem presença em 18 países e trabalha para transformar a economia desses países. www.endeavor.org.br

Programa Sinapse de Inovação: idealizado para ser implementado, periodicamente, por meio de operações de mobilização, no intuito de transformar e aplicar as boas ideias geradas em teses, dissertações, trabalhos científicos e tecnológicos e outros, desenvolvidos por estudantes, pesquisadores e profissionais dos diferentes setores do conhecimento e econômicos, em negócios de sucesso. Este programa estabelece uma comunidade de empreendedores para viabilizar a discussão em torno de ideias inovadoras. Essas ideias são disponibilizadas via Portal Sinapse, aberto aos participantes, permitindo que aquelas de maior potencial sejam estimuladas e ao mesmo tempo possam propiciar a criação de uma cultura empreendedora e a cooperação entre os diferentes atores do processo de inovação. www.sinapsedainovacao.com.br

Sebrae: atua por meio de segmentação de seu público-alvo:

* Potencial Empreendedor (são principalmente estudantes que ainda não despertaram o espírito empreendedor): o Sebrae atua por meio do Prêmio Plano de Negócios e do Desafio Sebrae.

* Potencial Empresário (são aqueles empreendedores que já estão em processo de busca de informações para abrir seu negócio, ou mesmo os informais): para este segmento o Sebrae atua por meio de consultoria individual, palestras e das Oficinas SEI, para os Microempreendedores Individuais (MEI).

* Microempresas (são aquelas empresas que faturam até R$ 360 mil por ano): a atuação do Sebrae se dá por meio de consultoria individual, palestras, cursos, e este ano está em implantação um projeto para esse público que é o Na Medida, formado por cursos com consultoria agregada e palestras que visam atender as necessidades desses empresários.

* Pequenas Empresas (são as empresas que estão na faixa de faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 3,6 milhões): o que se destaca para esse público é o Programa Sebrae Mais, formado por cursos com uma duração mais longa, com consultoria acoplada, que têm por objetivo levar essas empresas a um patamar ainda melhor de gestão. www.sebrae.com.br

 

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